XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

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08/10/10

TAL, Mikhail, Fotografia, Durão,Vingançazinha 4

Está deslindado o mistério! Nem era preciso se conhecessem "My Great Prdecessors", ou "I Miei Grandi Predecessori", ou "Meus Grandes Predecessores" ( Péssima tradução!), "Mis Grandes Predecesores" ou mesmo o "Мои великие предшественники" - escolham! Estão lá fotos magníficas de Tal,inclusive a tal raridade com Padevsky.

Mas Leipzig 1960, não foi só Tal, nem Fischer. Também foi Portugal e Durão. Durão que teve a felicidade de jogar com o fresquinho Tal, Campeão do Mundo. E de Brancas, numa Siciliana, foi com tudo para cima de Tal ( salvo seja), num ataque violento, mas prematuro, que "Misha"com grande classe, parou, colhendo depois os frutos do material sacrificado pelo jogador português. Não ficou nada mal na foto o jogador português. Convenhamos...Mikhail Tal nesta altura era imbatível ( bem...quase, porque Penrose, deu-lhe uma tareia no tabuleiro, como raramente Tal sofreu na sua carreira!)


Assim do site do Spraggett, mas tentando tirar "os estragos-riscos, pó, da fotografia, imagens de Durão e Tal nesse confronto. Penso que a foto ( pelo menos a de Tal) foi tirada no fim da partida, e Tal parecia estar satisfeito com o seu desempenho. Durão, parece resignado e à procura do "timming" do lance que o fez perder o controlo da posição.
Ah! Já agora...deixem de dizer disparates, estupidez, aleivosias sobre o Durão- jogador!!! FOI UM DOS MAIORES JOGADORES PORTUGUESES DE TODOS OS TEMPOS! Não sejam ignorantes e estudem-lhe as partidas! A Partida com Prins e Smejkal, por exemplo, são de antologia e que jovem jogador deveria saber reproduzir de cor e salteado!

Para os que não conhecem a partida Durão-Tal, desta Olímpiada, jogada a 26 de Outubro de 1960, aí vai.

Ah! Para os que desconhecem: Durão há-de reavivar outro combate histórico com Tal, no Memorial Chigorin, em Sochi 1977!




Mas porquê a "Vingançazinha" do título do meu post?
Pronto vou contar:
Eu já joguei contra Nikola Padevsky! Sim, sim! 2 vezes! Em simultânea, numa velhinha sala do CDUP, aqui no Porto e fui clamorosamente derrotado nas duas partidas. Fiquei com a ideia que Padevsky era mesmo forte, pela rapidez com, que jogava e pelo resultado dessas simultâneas. Consegui empatar com Suetin e Vogt, por essa mesma altura, mas com Padevsky, nem água bebi! ! Não tenho fotos mas, aí vai partida. Perdi e bem, mas, ai se eu conhecesse esta foto de Tal!? Tinha-a colocado ao meu lado no dia das simultâneas! ( brinco, claro! - A derrota ainda teria sido mais rápida!).

TAL, Mikhail, Fotografia, Vingançazinha 3

Pronto...

Afinal para quem olha Tal?
Mesmo que não saibam, reparem... é extraordinário que o seu adversário fuja do olhar de TAL! Ele acreditava mesmo na hipnose daquele fatídico olhar? Não sei o que adoro nesta foto, se o olhar de TAL , se a fuga ao olhar de Tal do adversário!

E essa fuga é fantástica, perturbadora. Reparem: É ele, as Negras a jogar, e parece fugir de um fantasma, de um feitiço, ou porque sabe a força do martelo que a seguir vem , ou tem a consciência que está quase perdido, pois sacrificar com Tal ao 10º Lance, ou é confiar no destino, ou desconhecedor que o fígado de "Misha" ainda não dobrava a finados! Quase como uma criança perante filme de terror : "Não...Não...e Não, Não quero ver!" Ele descobre tudo no tabuleiro, uma Hidra de muitos cálculos, uma extraterrestre de muitos olhos! Não é medo só, é, digamos o fascínio do terror!

PADEVSKY, Nikola, Bochev, GM Búlgaro de Grande classe nos anos 60 e 70, que ao contrário do que se pode pensar era um GM de topo e um jogador de elevado calibre! Duvidam? Bem , Nas Olimpíadas de Varna , 62, Bobby Fischer, quer nas Preliminares, quer nas finais, não lhe ganhou uma partida!! Ainda com dúvidas? Pronto...em 1972, mostrou ao jovem Karpov que este ainda tinha de aprender umas coisas na arte dos finais, derrotando-o maravilhosamente na Olimpíada de Skopje! Parece que ainda há dúvidas? Pois sim, em 4 partidas com Botvinnik, conseguiu dois empates! Algumas vitórias sobre Glligoric, Portisch, etc. Chega?

Olhem então para Padevsky! Percorram com os vossos olhos esta foto, da esquerda para a direita e vejam a força desta fotografia. A força que dela emana, como ela demonstra à saciedade que a psicologia numa partida de xadrez tem a sua cota parte! Aliás, Padevsky nunca se deu bem com o jogo de Tal: em 63, perdeu também de Negras com Tal numa bela partida e com uma Francesa.




TAL, Mikhail, Fotografia, Vingançazinha 2


A Fotografia que coloquei acima, vem sempre "truncada" na Net, isto é, quem a coloca, ou primitivamente a colocou, fez "crop" do original, tirando o adversário de Tal. Isso irrita-me sobremaneira, pois considero esta foto, (completa) uma das mais extraordinárias do mundo do xadrez e de TAl. ( Leipzig 1960)

O olhar de Mikhail Tal, Tal e o seu olhar, que durante uns tempos se acreditava hipnotizador, ou seja, era tal intenso, tão perturbador, que desconcentrava o seu adversário, que o fazia perder o norte nas selvagens complicações do tabuleiro a que Tal levava a luta. Os mitos! A incompreensão do génio, as desculpas para a pequenez, a nossa, perante a grandiosidade, o não compreendido do outro. Certo é que segundo alguns relatos envergonhados, adversários de Tal, acreditavam nesse poder sobrenatural do Olhar, no hipnotismo ocular do Génio de Riga.

Olhem para foto: posso dar uma informação: ao 14º lance, Tal com o Rei no centro e depois de um ataque prematuro com sacrifício de peças por parte das negras,( será que o seu adversário queria surpreender TAL, sacrificando "à la TAl?"), tinha acabado de jogar 14.exd4!. O seu olhar é tão intenso, tão concentrado no adversário (será?) que parece ter-se desinteressado do tabuleiro. Qualquer coisa com um Raio-X parece penetrar no outro lado do tabuleiro, no seu adversário.
Mas...quem será o adversário de Tal? Porquê a 3ª parte do meu título?


Já agora...este olhar de Tal, não era tão raro como se pensa ( Fischer, Karpov e Kasparov, stambém era um experts "Olheiros"), todavia o de Tal era mesmo crença, mesmo entre colegas GM, que se diziam perturbados com o olhar penetrante de "Misha"!

A foto completa é muito rara, e só recentemente apareceu completa num livro (livros) célebre que me recuso a dizer qual, porque... bolas...façam um "esforcinho" e procurem ( tenho pena...mesmo muita pena que xadrezista que se preze não tenha a obra na sua biblioteca de xadrez-diria que é a mesma coisa do que não ter Proust, ou Thomas Mann, Joyce ou Kafka, numa Biblioteca pessoal de Literatura! "Sorry Baby...I keep the Bottle" .

Tenho sorte, porque "perna de pau-olho de vidro cara de mau" como sou, vai para anos consegui na Net, aquilo que julgava impensável, ou seja: uma alma caridosa alemã colocou quase uma centena de fotos da Olímpiada de Lepzig-1960 num site ( hoje inexistente) e como tal, foi só-lado direito do rato! Assim, muito antes do tal livro já eu tinha a TAL foto do TAL! Assim tenho fotos extraordinárias desta Olimpíada ( infelizmente, o fotógrafo da altura,não deveria ter achado interesse aos jogadores portugueses, e como tal não aparecem os nossos olímpicos:
Durão, João Mário Ribeiro, Jorge Gonçalves, Daniel de Oliveira, António Rocha e António Cardoso) com uma excepção!

Depois...para alegria minha o Durão, resolveu emprestar para publicação duas fotos da sua partida com Tal nesta Olimpíada, o que são objectos únicos e até essa altura desconhecidos publicamente. Honra ao Joaquim Durão e ao Spraggett!

Continua...Afinal , para quem olha Mikhail Tal?

TAL, Mikhail, Fotografia, Vingançazinha


Uma fotografia de xadrez, uma simples foto de xadrez bastou para desencadear uma associação de ideias.

Uma foto de xadrez do passado pode dizer mais do que os próprios actores do passado. No visível de uma imagem intemporal, toda a temporalidade do tempo, todo o emergir imaginário no romanesco do que deveria ter sido não sendo e sendo se calhar não o foi, mesmo tendo sido.


Adoro fotografias e fotografias de xadrez! Elas no seu silêncio, no seu ruído silencioso, abrem-se ao diálogo de quem lê, de quem olhos perscrutadores sabem perceber mensagem sem verbo.
Para começar: a foto que mais adoro de Mikhail TAL. Ele na sua juventude, ele “deus” apolíneo encarnado no génio de Campeão do Mundo. Belo, confiante, sorriso maroto, semi-esboçado, tímido, de quem sabe que o mundo do xadrez estava a seus pés, que qual cometa tinha cegado todos aqueles que ousaram penetrar nos segredos de Caissa, mas que ele próprio não se apercebia ou queria aperceber.


Depois de 1.e4 , parece esperar impaciente a resposta, e sua mão prepara-se para qualquer lance de abertura das negras...seu rosto enigmático, entre o sorriso e a confiança plena, parece dar a ideia de que sabe o que vem a seguir e que o resultado será uma mera questão burocrática : 1:0, vitória das brancas.


O Sorriso de Tal! Um dos sorrisos mais belos do mundo do xadrez! O sorriso que faz a Fischer em 59, é o protótipo do reconhecimento do génio, e que estaria selada uma amizade para sempre. Quase um “Tu sabes quem eu sou, da mesma forma que eu sei que tu sabes que eu sei quem tu és!”. Um pacto entre os dois que nunca foi desrespeitado. Dois dos maiores génios do tabuleiro, dois cristais tão lapidados que sabendo do seu brilho, nunca se quebraram, nem ofuscaram mutuamente.


Para um conhecedor de xadrez, bastava olhar para as peças dispostas no tabuleiro para imediatamente descobrir o local e evento (já agora, acrescentem ao meu rol de peças sonhadas na minha colecção…estas!) : LEPZIG -1960 - OLIMPÍADAS.


E… ( VEJAM O PRÓXIMO POST )…

06/05/09

FISCHER-MUÑOZ - PARTIDA



Para imprimir, analisar, deixar-se impressionar quer pela força inspirada do jogo de Muñoz, quer pela debilidade do jogo de Fischer ( muito raro). Aliás como a raridade das fotos! Se quiserem e desejarem, as impressões serão calorosamente acolhidas, seja sobre a partida, sobre o formato do blogue.


Fischer,Robert James - Muñoz,Cesar [B77
]
Leipzig ol (Men) prel Leipzig (2), 18.10.1960 [Mednis, David Levy, Soloviev, Arlindo Vieira]

"Fischer foi um dos mais bem sucedidos domadores da Dragão de todos os tempos. Perdeu apenas uma partida contra esta abertura, esta, mas que partida! O não titulado equatoriano, foi claramente superior ao grande Bobby, nas complicações do meio-jogo. Psicologicamente, a derrota de Fischer pode ser explicada por duas razões: sobreavaliação da sua posição e subestimação do seu adversário..." ( Edmar Medinis- How To Beat Bobby Fischer)

1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 g6 6.Be3 Bg7 7.f3 0–0 8.Dd2 Cc6 9.Bc4 a6?!

Aqui está um exemplo como hoje se comentam partidas de xadrez em revistas ou sites Web! Claro que o lance de Muñoz desapareceu da moderna teoria a nível dos GM, substituído pelo 9...Bd7, e poderia aqui encher páginas e páginas de teoria de aberturas, de partidas e partidas exemplificativas do lance duvidoso a6, mas...para quê? Seria fastidioso, ridículo e sem qualquer substância xadrezistica, já que um interessado nesta variante pode ir a qualquer livro ou CD Rom, ou base de dados estudá-la! Como muito bem escreve Mednis " Na altura em que se jogou esta partida, esta variante ainda estava na sua infância, e o plano correcto para as negras ainda não estava dado como adquirido..."

10.Bb3 Da5 11.0–0–0 Bd7 12.Rb1 [12.h4! Tfc8 13.g4 Ce5 14.Bh6 Cc4 15.Bxc4 Txc4 16.Bxg7 Rxg7 17.h5‚ Mednis, Soloviev]

12...Tac8?! [12...Tfc8! "com a ideia lógica de:

a) O Rei tem uma casa de escape em f8;


b) As Negras podem responder a um Bh6, com um Bh
8;

c) A Torre de a8, poderá ter de realizar alguma tarefa na coluna b " ( Mednis)]

13.g4?!

[13.h4! " agora sabe-se que que o ataque branco pode começar de forma mais eficiente com este lance, até porque em muitos casos este peão poderá ser sacrificado em h5" ( Mednis)]

13...Ce5 14.Bh6?!



Esta lance duvidoso, e poderia mesmo levar um ?, não o é em si e "per si", mas simplesmente porque é o início de um mau plano de jogo, isto é , o prelúdio de uma série de lances que se encadeam numa ideia de ataque ao Rei negro. Só que Fischer ou não se apercebeu da manobra de centralização da Dama negra ao lance 16, ou se dele teve consciência, não o avaliou correctamente. Aqui a minha concordância com Mednis: este lance prova que Fischer claramente sobrestimou a sua posição, e talvez, porque não admiti-lo substimou a força de de jogo de Muñoz! [14.h4! Cc4 15.Bxc4 Txc4 16.Cb3 De5 17.Bd4]

14...Cc4 15.Bxc4 Txc4 16.Cb3?!

Fischer, demasiado confiante, deixa escapar duas var
iantes que lhe poderiam proporcionar vantagem, ou pelo menos, a manutenção da iniciativa [16.Cd5!? Dxd2 17.Cxe7+ Rh8 18.Bxg7+ Rxg7 19.Txd2 Te8 20.Cd5 Cxd5 21.exd5 Te5 22.b3 Tc8 23.c4± (Soloviev) 23...h5 24.h3 b5 25.Tc1 bxc4 26.bxc4 Te3 com vantagem branca;

16.Bxg7! parece ter passado despercebido a todos os comentadores desta partida! 16...Rxg7 17.g5 Ch5 18.e5 Te8 19.The1±]

16...De5!



"As negras têm muito bom jogo", escreveu David Levy , o que não será tão certo assim! Mednis mais certeiro, escreve que " devido a complicações tácticas , a Dama negra está segura em e5". Claro que poderíamos argumentar que este lance embora não sendo único, é aquele que na prática pode manter as negras em jogo, tal como se mostra na variante abaixo, com a retirada da Dama para d8. Todavia, e isto prova, que Muñoz era um excelente Jogador, não acredito que não tenha calculado as implicações da centralização da Dama, com variantes concretas. Aqui teria sido precioso ter os tempos anotados da partida, para verificar o tempo de reflexão do equatoriano.

Teria este lance de centralização da Dama impressionado de tal forma Fischer, que este em futuras partidas, realizaria a mesma manobra? Bent Larsen acha que sim, Elie Agur, sem ser tão radical, apresenta no seu livros exemplos curiosos de De5 em jogos do grande campeão americano. [16...Dd8 17.Bxg7 Rxg7 18.e5 Ce8 19.h4±]

17.h4 "o seguimento lógico do ataque" escreveu Mednis. Concordo. Fisher claramente pensou a sua posição como superior e que o av
anço do peão h traria o inevitável " abertura da coluna h e sac., sac...mate!

Claro que à capacidade analítica do jovem génio americano não deveriam ter escapado alguns golpes tácticos interessantes que apresentarei nas variantes a) e b).

O que me surpreende é que sendo Fischer conhecido pela clareza do seu jogo posicional, pelo gosto das posições claras e simples que permitiam a crescente solidificação da vantagem até ao ataque, ou destruição da defesa do adversário, repito, surpreende-me que não tenha visto, ou pelo menos posto de lado variantes que lhe poderiam trazer vantagem clara.

A ideia que Fischer teria da própria fraqueza da variante Dragão perante a variante Yugoslava, o acreditar piamente que o ataque correria por si, até porque o seu adversário era um não tiitulado e o facto de Fischer não ser ainda o Fischer que explodirá em pleno na sua genialidade a partir de 61, tudo isto pode explicar o lance, ou se quiserem a sucessão de lances que se incia com o lance 14. Bh6?! e a persistência num plano completamente equivocado.

Então o que poderia ter sido jogado aqui? Bem primeiro uma variante que todos os comentadores se limitaram a indicar, sem uma ou outra curiosidade, depois uma outra, também de valor duvidoso, mas novamente com outra subvariante curiosa que não é referida em nenhum livro.


A) 17.Bf4 De6 18.Cd4? Para quê e porquê? Haveria algum problema em jogar 18.De3, ou 18.Df2 ? 18...Cxe4! 19.Cxe6 Cxd2+ 20.Bxd2 fxe6 (20...Bxe6 21.Ce2 Tfc8 22.Bc3 T4c5 23.The1 Bd5 24.Bxg7 Rxg7 25.Td3 Bc4 26.Tdd1 b6 27.a3 e apesar da vantagem negra a posição branca joga-se) 21.Thf1 Bc6 22.f4 Tc8 Vantagem negra


B) 17.f4 Bxh6! (17...De6?! 18.f5? Porquê? (18.Bxg7! Rxg7 19.e5 Ce4 20.Cxe4 Txe4 21.exd6 exd6 22.f5 De5 23.Dxd6 Bc8 ligeira vantagem branca) 18...De5 19.Bf4 Dxc3 20.bxc3 Cxe4 21.De3 Cxc3+ 22.Rc1 Txf4 23.Dxe7 Cxa2+ 24.Rb1 Cc3+ 25.Rc1 Cxd1 26.Dxd7 Ce3: Soloviev, termina esta análise no lance 20, dando jogo confuso. Um bocadinho de Frtiz e a vantagem negra é clara!) 18.fxe5 Bxd2 19.Cxd2 Txc3 20.bxc3 Cxg4 21.exd6 Cf2 22.Cb3 Cxd1 23.Txd1 exd6 24.Txd6 Bc6 com ligeira vantagem negra



C) 17.Be3!? Jogada interessante de reconhecimento do impasse do ataque branco e que recoloca o bispo na possibilidade de "incomodar" a Dama negra


D) Esta variante é espantosa e deixa-me completamente abismado que não tenha sido considerada por Fischer, ou mesmo por qualquer comentador da partida. Vai para anos no meu livro de Mednis, a lápis, tinha escrito porque não " trocar os bispos , expulsar o cavalo negro do controlo da casa d5 e tentar jogar nessa casa com excelente domínio central do cavalo branco de c3?"

Bastou colocar a posição, e imediatamente o Fritz 11 dá esta variante como a principal e sempre vantajosa para as brancas.Porque razão os comentadores, Mednis, Soloviev, Wade e O'Connell, nem a mencionem, mas se aprestem todos a referir os fogos de artíficio da variante A, ou B?

Simples, ou talvez não. Nesta variante da Dragão, são, eram aos milhares as partidas que decorriam sob o signo do ataque ao Rei negro nos moldes clássicos, abertura da coluna h, ataque violento ao Rei com mate ao fuga deste pelo tabuleiro até à capitulação, por isso seria pouco cordato procurar uma vitória por meios posicionais numa variante de ataque puro! Por isso, por influência de um conhecimento ainda pouco aprofundado dos meandros da Dragão, muitos comentadores nem se preocupavam em verificar variantes que não passassem por jogar os peões g e h. Aqui talvez tenha a dizer que conhecedor de livros soviéticos e das suas excelentes análises, este tipo de subtilezas não costumavam escapar na análise de partidas.

Assim o plano de ocupação da casa d5, e as ideias escrevi acima, são aquelas que surgiriam no tabuleiro a um jogador "amador" na casa dos 1700–2000 (por exemplo), ou mesmo numa hipotética explicação de um treinador a um míudo que tivesse esta posição perante si. Vejamos então, sem pretensões de verdade absoluta, mas com lances "quase forçados":

17.Bxg7 Rxg7 18.g5 Ch5 19.Cd5 Te8 que melhor poderão jogar as negras? 20.The1 Rh8 21.f4 Dg7 22.f5! (22.e5!?) e as Brancas dominam clara
mente.

Claro que poderia pôr Rybka ou outro módulo a trabalhar horas nesta posição depois de 19.Cd5, poderia aumentar os ramos de variantes, e talvez até modificar para vantagem ligeira a vantagem Branca, de qualquer forma, é surpreendente que esta variante, sendo simples, de lances naturais, ofereça pelo menos um jogo muito mais claro e pressionante ao jogador das peças Brancas!)


17...Tfc8 18.Bf4?

Surpresa neste "descalabro" posicional de Bobby. Parece que o jogador Norte-americano perdeu nitidamente o "feeling" da posição e, pior ainda, o sentido de perigo. [18.Bxg7! Rxg7 19.h5 g5 20.h6+ Rh8 21.Cd4 com posição jogável e até de certa complexidade, com chances para ambos os lados.]

18...De6 19.h5 [19.Cd4? Cxe4!]


19...b5! 20.hxg6 fxg6 21.Bh6?!

eram bem melhores: [21.e5 dxe5 22.Bh6; 21.a3]

21...Bh8 22.e5?

escreve Mednis: " Este lance de café, é o factor definitivo da derrota das brancas. Fischer nem se deveria ter preocupado em analisar a respos
ta negra, por isso deveria ter equacionado os lances já citados 22. Tc1, ou 22.Th2.

Esperia Fischer que um jogador como Muñoz não visse o óbvio, ou seja duas armadilhas de um lance?

22...b4!

[22...dxe5?? 23.g5+-; 22...Dxe5 23.The1‚]

23.exf6

[23.Ce2 Dxe5 Esta era a melhor possiblidade para Bobby, apes
ar da vantagem negra. O lance do texto foi "suícida" escreveu Mednis]

23...bxc3 24.Dh2 Dxf6! As Brancas não têm absolutamente nada no flanco de Rei, enquanto o seu flanco de Dama está em "frangalhos", O jogo negro joga-se "sózinho" - um situação raríssima contra Bobby! " , escreveu e bem Edmar Mednis.

25.Bg5 Df7 26.De2 cxb2 27.Dxe7 Dxe7 28.Bxe7 Txc2 29.Txd6 Ba4 30.Bg5 Tf2! 31.Be3

[31.Txa6 Bc6!]

31...Txf3 32.Bd4 Bxb3 33.axb3 Bxd4 34.Txd4 Txb3 35.Td2 Tcb8 36.Td7 Ta3 0:1



poderia seguir-se :

37.Rc2 Ta2 38.Tb1 a5 39.Td2 a4 40.Rc3 a3 41.Tdd1 h5 42.gxh5 gxh5 43.Th1 Tb5 44.Rc2 Rf7