XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

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23/04/18

GUICHARD, RAUL



Tornamo-nos mais altos, mais à frente do que ela

Antecipamo-nos ao seu negro gadanho,

Queremos vencê-la mesmo vencidos

Surpreendemo-la de antanho

Ela ri-se, penteia-nos desprevenidos.



Assim seja, mas o que desponta em flor

Ninguém, nem ela consegue colher…

Morte alguma consegue depois da dor

A semente da memória arborescer.

                                   Foto tirada do seu blogue ( trabalhada)

Guichard, tinhas um feitiosinho pior que Gambito de Rei

Mas a tua gargalhada franca, aberta de 64 casas

Promovia na última fila de nós empate de simpatia

Não era preciso, não era necessário o abandono

Antes do xeque-mate,

Podias ter tentado um final e um perpétuo, ou

Rei contra Rei, mas pronto…quem mandava no teu tabuleiro-vida?



Assim Guichard, mais um para o tal torneio

Que queria fechado, restrito a muito poucos

Mas que a negra ceifeira quer tornar num “open”

Sem convidados ou grandes-mestres.

Nunca fomos amigos, xadrez rápido, por vezes relâmpago

De olá, estás bom e segue…

Mas morreste-me e cada colega de xadrez que parte

Obriga-me a nova partida cá dentro.

Caro amigo Guichard, não posso já rodar o mecanismo do tempo

E atrasar a tua partida , mas…

Prefiro perder por tempo e não acionar o botão do meu lado,

Assim ficarás mais tempo em mim, que dizes?



Do Arlindo, tão cabeçudo e terno escondido como Tu. Já agora sei que eras Professor-Doutor, mas sabes que entre a malta do xadrez, isso não conta muito: eras e serás sempre o Guichard, assim uma espécie de D'Artagnan do Tabuleiro.

05/04/10

DAGOBERTO MARKL

(Foto de Luís Costa - ex Infoxadrez)

Um SENHOR do Xadrez Português..


O Homem que em Portugal mais sabia sobre O XADREZ, um xadrez de coisa amada como paixão.

Conhecia algum do seu legado multifacetado na Historiografia , conhecia os seus escritos sobre xadrez... e que escrita! De paixão, de arqueologia, de comunicação afectiva, de “arejo” cultural, depois de horas, meses , anos de pesquisa! Sem o conhecer pessoalmente, conhecia-o naquilo que caracterizava a sua universalidade , o seu “Nada do que é Humano me é estranho” de Terêncio.

Por “descruzamento” de caminhos, nunca nos encontramos, nunca comunicamos, mas para mim o Dagoberto foi sempre uma figura tutelar no Xadrez Português, na história do xadrez Português, daquele tipo que para mim seria e será o “ SENHOR” Dagoberto Markl (que se calhar ele nem gostaria, pelo que se conta da sua humildade)!

Assim, sem saber o que dizer, que outros que o conheceram o farão melhor, e o que escreveu o R no Xadrezismo é de uma comovida, bela e dolorosa homenagem, como só é possível pelo ferrete cravado em nós pela personalidade de uma Grande Homem, como foi o Dagoberto Markl


Para a família e para esse grande e venerável clube que é o GX Alekhine, da minha parte e do meu Clube, o Grupo de Xadrez do Porto, a tristeza mais sincera pelo desaparecimento de uma dos grandes nomes do xadrez nacional.


No seu sono descansa a noite,
Mais tranquila a sua presença

Dádiva de não nos pertencer
Calma clarividência de morada
No interior dos nossos olhos.


Na sua imobilidade,

O caminho do nosso regresso

Respiração sincopada
Em cada linha até à casa oitava
Coroação, recolhido aceno...devagar.

Arlindo Vieira