Era um dos meus jogadores preferidos da antiga Jugoslávia. Era Croata e morreu no passado dia 12 enquanto jogava xadrez no seu Clube. 83 anos, muitos de xadrez e de um xadrez que eu adorava, de espírito de iniciativa, de ataque, de risco, aqui e ali, quase de "café". Digo era, porque em 2006 deixei de ver as suas partidas, até perceber porquê-banido pela FIDE, porque...misérias de que o Xadrez Internacional é fértil. Um "escriba" no Chess Vibes lá explica porquê, e abre um debate interessante sobre se a morte deve apagar certas "filhas-da-putice"da vida , usando a expressão do Pacheco? Será que daqui a uns anos se vai louvar um "Crisan", ou um Georghiu , ou...ou... A partir daí, Mato Damjanovic, para mim deixou de ser um dos meus de heróis secretos do tabuleiro! Faleceu um grande jogador de xadrez, pena que...
Retirado do Livro " Yugoslav Chess Triumphs" e em Inglês, um texto sobre este jogador, com o presente à altura como pano de fundo.
“Twenty-four hours playing unofficial games without showing any signs of fatigue — this is what they say about Mato Damjanovic. Practice being his forte, he usually says: I’ve never had enough time to study chess theory", which is characteristic of his enormous hunger for chess as well as of his disclination to sped solitary hours in study.
His success is based exclusively on his experience exclusively on his experience playing at numerous tournaments and the thousands of unofficial games between them, sometimes between two rounds of a tournament.
Mato Damjanovic was born in Djeletovci on March 23rd 1927. His profession is chess journalism. He is one of the few foreign players to win their grandmaster's title in the Soviet Union. This was at a tournament in Soci in 1964. However, his best tournaments were in Zagreb where he lives. He was winner in 1969, and three years later he was second. His tournaments successes include second place in the international tournament in Salgotarjan (Hungary) and the fourth place he shared with grandmaster Stein in Amsterdam 1969. He was a member of the Yugoslav Olympic team in Leipzig 1960.
Playing chess he has travelled all over the world, but it has not changed him; he has remain simple and modest as ever. For example, his greatest and only hobby is collecting all kinds of cigarette lighters. Sometimes he walks for hours from shop to shop looking for some new lighter that is missing in his collection. But none of them stay with him very long; sometimes it simply does not work any more, or Mato loses it somewhere or has to give it as a present to some good friend -— ,”has to" because he could never refuse a friend.
Chess is the most important thing in the world for him, something almost sacred. He is always ready to participate in any tournament, whether in some big city or a remote village. Just as Bora Kostic once did, he also makes a distinction between people who play chess and others who do not.
Understandably, all his attention and interest are devoted to chess players with Mato frequently playing host to some player from foreign parts.
Though according to the medical experts he should be long past his zenith, he continues to play chess very well indeed — one might even. say that he plays better as the years go by.”
Desde os meus inícios no Xadrez que o seu nome não me foi estranho, e as suas partidas eram presença constante nas revistas que ia folheando, primeiro no F. C. Porto, depois no G X Porto. Depois, deixei de lhe seguir o rasto, porque ele também não o permitia, porque as suas partidas publicadas tornaram-se raras. A partir dos inícios dos anos 90, deixou o Xadrez de competição, embora nunca abandonasse a modalidade, noutros campos.
Jogou uma partida que sempre me fascinou , desde que nos anos 70 comprei o livro da Escaques “ La defensa Paulsen” de Cherta, e ela aparecia como o exemplo típico de conduzir um contra-ataque negro nesta Variante da Siciliana que era a minha nos torneios que jogava. È a célebre partida jogada em Couracao 62, em que Tal foi derrotado como raramente o era!
Depois graças ao meu querido e velho Amigo, Mestre Álvaro Machado, fiquei a conhecer melhor este jogador, porque participante no Zonal da Praia da Rocha de 1969 (que ganhou juntamente com Minic e Gligoric) e sendo Mestre Machado um dos árbitros dessa competição, melhor do que ninguém para me dar algumas informações sobre a força de jogo e um pouco da personalidade deste GM Checo.
Com os seus para cima de 2 metros de altura, Miroslav Filip impunha-se pela sua presença em qualquer sala de Torneio. As fotografias mostram-no cuidadoso a debruçar-se sobre o tabuleiro, não fosse parte do seu corpo ocupar a metade destinada ao seu adversário. Não era uma personalidade muito expansiva, mas era de uma correcção e de uma simpatia apreciável. Profissional do Xadrez, levava o xadrez a sério.
Jogador típico da Inglesa, levava frequentemente o seu jogo por caminhos posicionais e o seu forte sentido de posição, permitia-lhe vitórias “fáceis” com adversários menos cotados. Não era um jogador táctico por excelência, como se pode comprovar pelas suas partidas e claramente não era um jogador de “Negras” , tendo alguns reveses importantes contra jogadores da elite da época, com a sua Siciliana. O seu reportório com Negras, principalmente contra 1.e4, não era o mais apropriado, variando algumas vezes de defesa, sem grande resultado.
Seguro, difícil de bater na batalha prática do tabuleiro, Filip, conseguiu muitos empates contra fortes jogadores. Digamos que MIroslav Filip se enquadrou naquele grupo fortíssimo de GM da antiga Europa de Leste, uma espécie de “força de 2ª linha”dos quais destaco, Vlastimil Hort, Wolfgang Ullmann, Ludek Pachman, Jan Smejkal, Istvan Csom, Istvan Bilek, Laszlo Szabo, Vorislav Ivkov, entre outros. Nesta lista não refiro, Lajos Portisch, nem Svetozar Gligoric, porque na minha modesta opinião, jogadores de topo do Xadrez mundial, ouseja, de 1ª linha.
Faleceu aos 80 anos Miroslav Filip, no pretérito dia 27 de Abril. Não conheço livro das suas partidas para o poder adquirir, mas valha-nos que alguns sites de xadrez noticiaram a sua morte e homenagearam-no com breves biografias, ou mesmo a publicação da sua célebre vitória sobre Tal. Assim seria uma redundância repetir aqui o que está ainda nas primeiras páginas dos ditos sites ou blogues.
Assim... a minha homenagem a este forte GM Checo , que muito honrou a tradição do Xadrez Checo, há quem lhe chame “escola de Praga” numa linha que começou com esse Grande Jogador, e meu ídolo , inserido na imagem de apresentação do meu blogue: Oldrich DURAS ( isto sem entrar em debates histórico-particulares sobre Steinitz, ou Reti) !
Homenagem com 3 partidas que Miroslav Filip Ganhou a jogadores Portugueses( ganhou mais uma em 63 a Durão- conhecem mais alguma partida de Filip contra jogadores portugueses?) : Joaquim Durão, João Cordovil (estas duas no Zonal da Praia da Rocha em 69) e nas Olímpiadas de Siegen 1970 contra o meu conterrâneo do GXP prematuramente falecido, Jaime Gilbert, e uma outra belissimamente jogada em que derrota o “ Botvinnik Húngaro”, Portisch, esta comentada pelo GM russo Chekhov, em estilo figurativo.
Por último fotos de Miroslav Filip. Uma ou outra conhecida, outras raras, principalmente duas que por serem do boletim do Zt da Praia da Rocha, ou fotos particulares, aqui vão dar a “world premiére” . Nunca fui invesojo!
Razão tem o Alexandre Monteiro: que benefícios trariam para o Xadrez Porrtuguês, a História, as memórias, se o Durão e o Cordovil resolvessem “abrir o livro” e escrever sobre acontecimentos e personalidades que conheceram! Querem um exemplo? Na Olimpíada de Leipzig-1960 , a tal de Fischer-Muñoz, Portugal jogou com a URSS: Durão jogou com Tal, o João Mário Ribeiro jogou com Keres ( bela resistência) ; António Cardoso perde com Petrosian e Daniel Oliveira consegue um sensacional empate com Korchnoi. Reparem a minha ignorância: Quem foi este jogador Português que ofereceu resistência apreciável a Petrosian, António Cardoso? Quem foi Daniel Oliveira que pela partida com Korchnoi, mostra uma força de jogo apreciável ? Não, não basta ir às Revistas portuguesas da época!
Filip,Miroslav - Portisch,Lajos [E14] Alekhine mem Moscow (3), 1959 [Chekhov]
Zonal da Praia da Rocha 1969 - Filip concentrado perante o olhar atento do árbitro e meu Grande Amigo, Mestre Álvaro Machado ( a ele devo várias fotos aqui colocados-Cordovil, Gligoric, e estas duas últimas, todas desse Torneio Internacional no Algarve-desfeito o mistério)
Outra foto curiosissima e histórica desse Zonal. Não digo quem é Miroslav Filip, porque se estiveram atentos ao que escrevi,os seus 2,05 m traem-no! Reparem nos presentes nas mãos do Gligoric! Não , não era o "Champomix" passe a publicidade!