XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

Mostrar mensagens com a etiqueta Textos meus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Textos meus. Mostrar todas as mensagens

28/08/13

Requiem por um Xadrez







Desaprender, voltar ao núcleo fundamental do fascínio.

Ao inocente olhar primeiro
da selvagem imaginação,
ao mistério a desvendar,

Àqueles brancos quadrados, voz do silêncio
aos  negros quadrados, voz do assombro

sonho impossível de regresso
à casa primeira de olhar embevecido, atónito
de incompreendidos e geométricos movimentos
bailados no silêncio e assombro da mesa do xadrez. 

Impossível sonho agora
morto pela evidência, pela determinação, pelo saber
pela cegueira da lucidez.

No branco tempo dos relógios
perdido o arco vazio do segredo
do inominado, da ignorância celeste
que é a inocência

Caíssa tatuou-me  nas mãos cerradas portas,
difícil abrir janelas para o vazio.
Procura desesperada e perpendicular
da luz antiquíssima dos meus olhos
de ver claro.

Desaprender o Xadrez, desamar o Xadrez
nesse vazio que ficou... porque alguma coisa estava lá,
para o reamar de novo, reaprender a ver,

Neste mar cavalo branco de fim de tarde
em que o dia reclamando outro 
veste a sua nudez.

Arlindo Vieira