Desaprender, voltar ao núcleo fundamental do fascínio.
Ao inocente olhar primeiro
da selvagem imaginação,
ao mistério a desvendar,
Àqueles brancos quadrados, voz do silêncio
aos negros quadrados, voz do assombro
sonho impossível de regresso
à casa primeira de olhar embevecido, atónito
de incompreendidos e geométricos movimentos
bailados no silêncio e assombro da mesa do xadrez.
Impossível sonho agora
morto pela evidência, pela determinação, pelo saber
pela cegueira da lucidez.
No branco tempo dos relógios
perdido o arco vazio do segredo
do inominado, da ignorância celeste
que é a inocência
Caíssa tatuou-me nas mãos cerradas portas,
difícil abrir janelas para o vazio.
Procura desesperada e perpendicular
da luz antiquíssima dos meus olhos
de ver claro.
Desaprender o Xadrez, desamar o Xadrez
nesse vazio que ficou... porque alguma coisa estava lá,
para o reamar de novo, reaprender a ver,
Neste mar cavalo branco de fim de tarde
em que o dia reclamando outro
veste a sua nudez.
Arlindo Vieira