XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

31/12/13

CAMPEONATO EUROPEU VETERANOS...ECU







Até estava recetivo a pagar 80 d’ele para mostrar a minha “vetranice”, agora também com um torneio para mais de 50 anos. Até estava mais ou menos convencido a nova dentadura postiça para o melhor sorriso “Pepsodent” nesta grandiosa competição, onde pela idade não faltarão sorrisos com “ameias dentares” a menos, até me sacrificava na compra de um masculino DG (não, não é… “Dá-me Gozo”!) , ou Loris Azzaro, porque aquilo é em hotel cheiroso, mas qualquer coisa morreu em mim quando li o Regulamento.

Um “títalo” que faltava na minha carreira de mais de quarenta anos de xadrez, que ambicionava desde “criançaquejamaispensavaserveterano”, um troféu europeu e logo numa modalidade com uma “pujança” com uma imagem preciosa a nível internacional, um torneio organizado por qualquer coisa chamada ECU, que tem à sua frente uma das personagens mais sérias e honestas do xadrez internacional (um ov qualquer) e nomes de calibre e estatura como um Moingt , um Tsorbatzoglou, Dobronauteanu, Sielicki , ou uma Stoisavljevic e sobra tudo, um torneio realizado na minha cidade do Porto carago!


E nada, não vou poder ser campeão europeu de "cotachess", ou sequer dar uma “muletada” num daqueles GM entradotes que são atraídos  a estes torneios mais pela “food”, “wine” “beautiful girls”, ou como a minha querida lembrança do Alexey Suetin que repetidamente dizia de saco plástico na mão: “Filma, filma, Sá da Bandeira” ! Impossível, e querem saber porquê? Querem mesmo?

Os Jogos são às 10 h da manhã! No início até pensei que aquilo era à moda do Porto, que dez horas dá para tudo, tarde ou noite : “ Que horas são?” – Dez , porque sendo noite qualquer burro vez que são dez da noite-  para o portuense típico 22, são as mijadelas que encopado já deu pelas esquinas.

Mas não, dez da manhã! E porquê? Como? Quantas aves depenadas? Quando corolas despeletadas? Quanta pomba assassinada? De quem esta decisão? Regulamentos da tal ECU ( Ai, ai, home do Porto, já me está a subir a rima ao teclado!) ? Decisão da FPX? Imposição do Hotel cheiroso?

Vai daí, pus-me a matutar. Seria o Turismo? Seria aquela muito típica do estilo…estes cromos já deram o que tinham a dar no xadrez, principalmente os GM, e por isso vamos transformar tal torneio europeu da ECU numa festa. Jogam às dez, almoçam à fartazana, daquele estilo buffet hoteleiro, depois de tarde visitinhas turísticas às caves do Porto Wine , ao Dragão, ao museu do FCP, a Serralves, para terminar à noite depois de outra “bufetada” no “Mal Cozinhado”,  em Cândido dos Reis, Piolho, ou na íngreme “Alferes Malheiro”  ou na mais plana “Gonçalo Cristovão”?

Mas isto é para levar a sério, ou não é? Querem bom xadrez com isto, ou transformar o tal Europeu num evento turístico?

Mas querem matar os velhotes? Levar-lhes algum dinheiro? Coitados, para alguns o prémio vai-lhes dar mesmo para o pão na mesa!

Ou…num arremedo de P Coelho, acham que toda a ternurenta velhada a partir dos 50, ou está reformada antecipadamente, ou desempregada, ou em depressão profunda, ou mesmo de baixa-atestado.? Se calhar até chegaremos lá, por este andar!

Vá lá, expliquem-me lá devagarinho, mesmo muito devagarinho, como é possível a um trabalhador, a um português xadrezista de mais de 50 anos que esteja a trabalhar, jogar este ECU Europeu?  Bem…só dando o tal ECU ao manifesto!

A ideia do torneio para os mais de 50 e depois os veteranos até não era uma má ideia, e teríamos a malta do Porto em peso se os jogos fossem às 20h. Assim, tenho dúvidas.

Paciência…Para mim fica para um próximo dos 100 anos com jogos às 7h.30!

E para aqueles mais esquecidos, em algumas imagens: um dos Europeus ECU mais espetaculares que se realizaram  Coitado do Hotel cheiroso à beira disto! Vejam esta dignidade, esta categoria de bem servir a veterania e o xadrez: Rogasa 2012!

 
 
 

 



26/12/13

XADREZ ...ÍNTIMO


Pois...já estou a ver dezenas e dezenas de cliques para ver a minha ...intimidade, mas azar o vosso! Sei o que vos passou pela cabeça, mas dessas "intimidades" publica e bem o amigo Kevin Spraggett no seu magnífico "On Chess"! ( ah! ah! ah! ).

O meu canto íntimo do xadrez! Uma MESA e DUAS CADEIRAS. Com cerca de 70-80 anos e do espólio de um antigo café do Porto (talvez do Luso!).

Frequentemente este espaço torna-se um local romântico e assombrado de grandes batalhas xadrezistas do passado, raras de hoje (para essas basta os diagramazinhos animados do Site da Santa Casa da Misericórdia do Xadrez Internacional - ChessBase, ou afins). Por vezes, Spielmann , Duras, Teichmann, Zukertort, Blackburne, Janowsky, Maroczy, Breyer, Tartakower, Rubinstein, Anderssen, Chigorin, Pillsbury, Marshall, Charousek, Bernstein, Reti, Mieses, Winawer, Weiss, Bogatirchuk,Platonov, Averkhin, Kupreichik,ou Vitolinsh andam por aqui como fantasmas em passeio e medo deles não tenho.


Bem...vai para anos fascinei-me com uma mesa e cadeiras de uma foto de Filadélfia (sala de análises) do Campeonato do Mundo entre Steinitz e Lasker, vai daí não descansei enquanto não tivesse algo similar e substancialmente diferente das mesas e cadeiras lambisgóias que desfeiam os clubes de xadrez ( excepto o meu GX Porto), ou que se vende de articulado e frágil para jogos de cartas e afins! Assim, o meu canto de xadrez.

E porquê um post como este? Sei lá! Já coloquei parte das minhas peças, parte dos meus livros, porque não algo mais sólido, mais madeira maciça mas mais de intimidade de espaço no xadrez?

Depois, talvez esteja a ter um ataque inexorável de romantismo xadrezístico, ou , a passar por algo que caracterizo de melancolia escaquística, que só quem vai descendo o plano inclinado e AMA o xadrez, sente!


Tenham paciência de mim, que dó de vocês tenho eu, aqueles que só conseguem ver uma vertente do xadrez! Para esses, talvez escreva um artigo sobre o milionésimo livro sobre a Sveshnikov, ou sobre a Megabase qualquer coisa, ou como o último mundial foi de uma emoção e de um xadrez profundo como raramente se viu!


Bem podem esperar sentados....mas não nas minhas cadeiras.


Ah! Esquecia-me, ainda encontraria 20 ou 30 pessoas ( Mestre Machado, Curado, Castanheira, Alexandre Monteiro, Russo,  Sirgado, Fernando o Silva e o Cleto, Marques,  os Antónios Fernandes, Santos e Silva, o Américo, o Durão, o Cordovil, Fróis , Malta da Casa do Xadrez, O Gomes da Silva, etc, etc,deixem guardar alguns no segredo que eles nem sabem!) ligadas ao xadrez que daria o privilégio de comigo se sentarem ali ( até colocava almofada e tudo!) e jogarmos umas partidas "comme il faut" !


Outros, "cadeirinha de realizador" na porta da garagem e sem romantismo.











O meu velho, velho gato, aprovou!





09/12/13

XADREZ HIPPIE ou...HIPPIE CHESS?

Penso ser um Jogo Holandês dos anos 60.
Na minha coleção, um jogo dos mais estranhos que possuo. Estranho, mas que não deixa de ser belo. Fora de comum e de uma raridade mesmo rara.
As peças são "patelas" octogonais de madeira com o desenho das figuras de xadrez gravadas a fogo. E curioso é ser um jogo "DOIS EM UM", isto é, podemos virar a madeira e jogar com um estilo de design, ou escolher do outro lado outro estilo de desenho, conforme o gosto..
Se numa face temos um estilo de desenho clássico de peças de xadrez, estilo figurino de diagramas ou livros, do outro, a verdadeira surpresa: o design é estranho, com caraterísticas entre o hippie, o gótico, ou o infantil como lhe queiram chamar. Esta face é surpreendente:

- Rei e a Dama aparecem assim estilo "carnaval" ou mais concretamente estilo sexualizado: o Rei com uma barbicha parecida com a minha, fecha os olhos de desejo, enquanto a Dama, os abre quase a olhar para trás numa espécie de "ver quem me persegue, deus queira que me persiga"!

-  Cavalo, não é bem um cavalo, assim uma espécie de Pégaso-aburrado que me encanta! Depois o nariz do jaleco parece o  de quem snifou qualquer papoila em campo indevido.

 -  Torre tanto pode ser um castelo do drácula, como castelo da imaginação de uma rave party depois de uma  trip de...

- Bispo : Fantástico! Cabelo à Hippie, orelha furada, que tanto pode ser bispo, como Okupa, como vocalista de hard-rock!

Penso que há uma "Estória", um elo de ligação nisto tudo que me escapa, juro! Mas escapando-me, não deixa de ser interessante imaginar histórias fantásticas com estes desenhos. Principalmente o BISPO surpreende! Qual andar em diagonal??? Qual quê?? Um Bispo assim, das duas uma, ou anda aos ziguezagues, ou "achantra"  num "Ya man" sem remissão.

Adoro estas peças! Aliás até o título do jogo é uma coisa fenomenal " TODDY BOX" "Grogue", "Ponche" ou "Ganza Box"?!?

Apreciem



























07/12/13

XADREZ EM MATCH OU...XADREZ COM "MATCHES"?

Para além de interessante, raro e muito bonito.
No tempo dos cigarros no xadrez, não arriscaria colocá-lo perto de um Lasker, de Tal, ou de um Saemisch. Até os fumavam por engano!
Divirtam-se com as fotos!











28/08/13

Requiem por um Xadrez







Desaprender, voltar ao núcleo fundamental do fascínio.

Ao inocente olhar primeiro
da selvagem imaginação,
ao mistério a desvendar,

Àqueles brancos quadrados, voz do silêncio
aos  negros quadrados, voz do assombro

sonho impossível de regresso
à casa primeira de olhar embevecido, atónito
de incompreendidos e geométricos movimentos
bailados no silêncio e assombro da mesa do xadrez. 

Impossível sonho agora
morto pela evidência, pela determinação, pelo saber
pela cegueira da lucidez.

No branco tempo dos relógios
perdido o arco vazio do segredo
do inominado, da ignorância celeste
que é a inocência

Caíssa tatuou-me  nas mãos cerradas portas,
difícil abrir janelas para o vazio.
Procura desesperada e perpendicular
da luz antiquíssima dos meus olhos
de ver claro.

Desaprender o Xadrez, desamar o Xadrez
nesse vazio que ficou... porque alguma coisa estava lá,
para o reamar de novo, reaprender a ver,

Neste mar cavalo branco de fim de tarde
em que o dia reclamando outro 
veste a sua nudez.

Arlindo Vieira






15/08/13

A MINHA BIBLIOTECA DE XADREZ

Antes das férias.

A minha humilde biblioteca de xadrez (faltam umas coisas que já não cabiam nas estantes). O vídeo é fraquinho, "tremelicas", mas é o que se pode arranjar. Se não gostarem fiquem com um bocadinho de Bach do Scott Ross. 
PS : engraçado que enquanto jogador era acusado de "teórico" de aberturas - nota-se, basta ver os livros que tenho desta fase de jogo: perto de 20 livros e alguns nem os abri! Tenho 4 iInformator, nunca tive Enciclopédia de aberturas, e alegria!

Organização? Sim : Campeões dos Mundo, Grandes jogadores da História (alguns, antes dos anos 40, meus verdadeiros heróis), Torneios, Xadrez Soviético, Coleções de partidas, etc.

Ah! Nunca façam a pergunta entre o disparatada e ridícula se li os livros todos da minha biblioteca, primeiro porque essa questão nunca se deve pôr, e em segundo lugar porque arriscam-se a uma resposta de proporção estatistica muito elevada de Sim, para a maioria deles: Os da McFarland, aqueles de capa de percalina vermelha ou azul (Morphy, Zukertort, Chigorin, Schlechter, Marshall, and so on) os dos Grandes Torneios, as biografias dos grandes jogadores- Sim, todos, e alguns com ajuda do scanner e ocr, então como iria ler o extraordinário livro do Duras em Checo em , ou o do Voronkov sobre os Campeonatos da URSS em Russo? A paixão tem coisas destas!
"adivirtam-se" pois.



12/08/13

FILOSOFIA, CRIANÇAS E...XADREZ


 



Não, não vem de agora, esta “moda” pedagógica de empanturrar escolarmente os meninos com carradas e carradas de horas vitamínicas de Português (não Literatura, da verdadeira, que essa não existe a bem dizer nos currículos) de Matemática, ou Inglês, deixando as outras à míngua famélica de uma carga horária exígua, de 100 minutos ou mesmo 50 deles por semana. Também não será de admirar que determinadas disciplinas tenham sofrido o ataque, o opróbrio, a chacota de nada servirem para o PIB, o deficit, as finanças públicas e há que as ostracizar, desprestigiar, acabar com elas se possível. 


Um “cratino” ou uma “lulufrufru” conseguiriam lá vislumbrar a mínima importância da Educação Visual, da Educação Musical, da Educação Tecnológica, entre outras para a formação de um jovem? Mas não só estas disciplinas que têm levado no “lombo” pela estupidez governativa no que diz respeito a Educação. A Filosofia é outro exemplo carismático de uma área do saber cada vez mais arredia dos interesses do poder dominante em relação ao Ensino e nem vou perder tempo a explicar as razões tão simples elas são.
Acontece que cá por casa somos adeptos da introdução da Filosofia no ensino básico e logo no 1º Ciclo, fosse nas AEC, fosse agora na Oferta complementar, mas podemos tirar o cavalinho da chuva, porque….


E quando se fala de filosofia para crianças e jovens tem de se referir  Oscar Brenifier e já gora o seu companheiro de ilustração, Jacques Desprès. “L’Aprenti-Philosophe”, “Les Petits albums de philosophie” , “PhiloZenfants” entre outras, bem como “O Livro dos Grandes Opostos Filosóficos”, que lhes ganjeou o “Prix de la Presse des Jeunes” em 2008, o prémio Jeunesse France Télévision” no mesmo ano, e em 2009 o prémio “La Science se Livre”, bastavam para colocar Brenifier e Després como dois belíssimos lutadores da Filosofia como ideário comum na vida em geral e na Educação em particular, mesmo dos mais jovens.


E todo este “relambório” para quê? Para comprarem os livros? E porque não? Eles estão traduzidos da Nathan e  em Português nas EdiCare Editora.  Porque tem alguma relação com o Xadrez? Claro! No capítulo dos Opostos, relacionado com a Razão e a Paixão, O Xadrez aparece como ilustração da razão, para duas páginas à frente Benifier nos confrontar com a possibilidade de a inovação, a genialidade ser uma combinação “subtil dessas duas facetas da nossa personalidade, que nem sempre se dão bem”.
E talvez o Xadrez seja isso, uma enorme possibilidade de criatividade humana entre “paixão e razão”.