XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

22/01/13

PEÇAS XADREZ PLÁSTICAS PORTUGUESAS 5









Estas peças são as mais recentes e plastificadas do xadrez nacional. Se não estou enganado, fruto de um acordo entre a AXP e a Majora no âmbito do projeto XEQUE MATE, e por lembrança minha a este organismo do xadrez portuense que talvez a referida empresa possuísse o molde para fabrico deste jogo que foi imagem da Majora nos idos anos 70-80 e mesmo 90. Assim assistiu-se ao renascimento de um jogo plástico com um tamanho de Rei generoso, de base larga e proporções razoáveis entre as diversas peças e umas peças-molde que foram a marca do desenvolvimento do xadrez britânico nos anos 80. Ainda hoje em qualquer torneio americano ou inglês de grande participação de jogadores estas peças são utilizadas, como em qualquer site internacional de venda de material de xadrez, elas aparecem a preços muito competitivos. Aliás, repetindo-me, não sabendo se a Majora tem, qualquer catálogo racionalizado e arquivado das peças que comercializou ( e se não tem, é pena, mas deveria ter!), não tenho dúvidas que o molde não é genuíno desta empresa , mas sim de origem britânica.


Mas… o que vim a descobrir, utilizando uma simples balança, é que as peças da Majora originais dos anos 70-80 / e tenho umas) eram pesadas, isto é, não eram chumbadas, mas a qualidade do plástico e o peso da base eram de tal forma que as peças tinham o tal equilíbrio necessário ao jogo de rápidas, tão contrário às peças atuais (as tais do projeto Xeque Mate) em que a qualidade não é a mesma e por isso , são mais leves, levando à irritação de vários jogadores que as  sentem voar do tabuleiro em apuros de tempo ou rápidas.
As da Majora de anos atrás eram pesadas e até tinham uma particularidade interessante ou ridícula, conforme o entendam: eram oferecidas em três “formatos” Brancas-Pretas ; Branco madrepérola-Negras e  Brancas transparentes (tipo vidro)-Negras ( Juro!) este talvez para decoração! Acreditem ou não, muita gente ainda tem estes jogos em casa, e não raro aparecem a preços da "uva mijona" em leilões Web. Também não será por acaso que nos sites internacionais de venda de peças de xadrez – americanos, ingleses ou alemães, estas peças, ou muito parecidas, apareçam em duas versões " chumabadas"  ( mais caras) e leves.

 
Claro que houve outras versões de peças plásticas usadas no xadrez português, mas de utilização mais restrita, usadas em circunstâncias particulares, por exemplo, as peças plásticas usadas num zonal do Algarve ( vide Revista Portuguesa de Xadrez) que depois tornei a ver num Campeonato Nacional Individual em Ílhavo e nunca mais – Aliás a única falta na minha coleção, pois nunca consegui arranjar este jogo que é de molde espanhol ( aliás tenho uma versão pequena, mas de má qualidade) e com um  dos Cavalos mais bonitos que vi em peças plásticas, todavia nunca foram peças de “massificação” como as que tentei retratar noutros artigos.  








 Agora uma curiosidade da fábrica portuguesa Karto, ou Carto.













Pronto, acabei o "plástico" e é natural que me volte para a "madeira" e aqui o panorama é qualquer coisa de confrangedor. Todos sabemos o que significou Regency, Lardy ou Chavet em França, British Chess Company, Ayres ou Jaques em Inglaterra,  Biedermeier ou  Vienna Coffeehouse no centro da Europa, ou peças Checas,  as Dubrovnik , ou as Deutsche Bundesform ou Bohemia na Alemanha, ou mesmo o Staunton espanhol tão caraterístico da Indajesa, mas em Portugal" Zero", ou quase zero, excetuando um período em que parecia que iriamos ter um jogo de madeira nacional e que não foi mais que um arremedo. A Fábrica Victória foi um Oásis na material muito bom de xadrez português, o resto, cópias, cópias e cópias, mas muitas vezes do menos interessante para copiar,  e aqui, Majora e Karto lá foram tomando conta do recado, mas  Isso são contas de outro rosário.

20/12/12

PEÇAS XADREZ PLÁSTICAS PORTUGUESAS 4





Gostos não se discutem. Pronto, está bem! Mas eu discuto. De todas as peças de plástico usadas em competição no xadrez Português, estas são na minha opinião as piores. Feias, pequenas,  de enorme instabilidade no tabuleiro ( então em rápidas nem se fala), dão a sensação de raquitismo e anemia xadrezista nas 64 casas. Não consigo explicar porque razão cairam no "goto" de muitos jogadores e ainda compreendo menos que se continuem a utilizar em grande profusão - talvez só a explicação de serem fabricadas em Portugal (estarei enganado?). 
Ah! A caixa plástica em que são vendidas é gira e já a uilizei para levar umas sandes para a praia. Mesmo um jogo " sandeiro" à maneira nacional.

 Ah! Outra vez! Os Cavalos são a coisa mais extraordinária que conheço: assim uma mistura entre o "Little Poney", Cavalo acabado de sair de "cabeleireiro" e se olharmos bem bem o seu focinho, vemos laivos de "Castelo-bronco" .

Ah! Uma e outra vez! Sem poder afirmar com cem por cento de certeza, o meu GXP não tem nenhum jogo destes, ou se tiver, tem um ou dois que nunca ganharam direito a poluir as nossas mesas com tabuleiros imbutidos. Aquela crina "entrançadinha-penteadinha" dos "jecos" é suspeita. Nós somos mais por mustang, puros sangues árabes, ou belos alazões lusitanos.




























04/12/12

PEÇAS XADREZ PLÁSTICAS PORTUGUESAS 3






Do plástico nacional, talvez as peças mais equilibradas de todas. Claramente de berço inspiracional francês Lardy , ou Pré do mesmo. Sem serem chumbadas, com uma generosa base de 3 vírgula "qualquer coisita",  e um rei de 8 cm "e um bocadinho", estas peças eram razoavelmente aceitáveis para jogar rápidas, ou equilibrar-se em denodados e apertados apuros de tempo. Mostram um bocadinho a sua raça num tabuleiro de 5,5cm de casa e não no claustrofóbico vinil de 5 cm. 



O plástico é do mais rijo, do mais duro que conheço e podem atirar as peças ao chão, à parede, ( nunca à cabeça do adversário – perigo de morte) que elas não partem. Este jogo se tinha sido idealizado com um esticado 1 a 2 cm a mais, poderia ter sido o ex-libris dos jogos de xadrez portugueses. 

 
É dos jogos que muitos Clubes ainda possuem em ativo, ou arrecadados. Não é raro vê-lo ainda em ação em acirrados jogos de rápidas, embora branco mais branco já não há, ou seja, as peças brancas estão surradas entre um sujo-amarelado sem remissão. Um bom banho pode fazer maravilhas, mas não constipem os cavalos. Se tentarem fazer uma "freutrage" com pano verde de bilhar, ou mesmo papel veludo, então começam a ter umas peças simpáticas que ainda aguentam umas meias-solas!