XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

16/11/12

SHIT CHESS OU...XADREZ DE M...




Conheço vários formas/variantes de xadrez: "classical chess tournament" "Correspondence chess", "blitz chess", "bullet chess", "ICC chess", etc., etc., mas nos últimos tempos tem-se imposto na comunidade de xadrez internacional um tipo de xadrez curioso, clássico na sua idiotia, que vai da vigarice mais pegada, a outra vigarice mais disfarçada, esse xadrez é o natural : SHIT CHESS e que é jogado desde o bimbo do menino –fedelho até ao GM  de doismilsetencentos e qualquer coisa.


Só nos faltava isto para tornar o Xadrez mundial de topo uma farsa continua, uma xadrez pobre, confuso, onde ninguém se entende, onde o Campeão Mundial claramente não é o melhor jogador do mundo - neste momento, nem de longe nem de perto, onde um mundial de xadrez , o último, pode ser tão mal jogado, tão pouco interessante que só um  otário é que perderá tempo a estudar as suas partidas.

Um Xadrez mundial dominada por  uma ou duas Santas casas da Misericórdia editoriais que vendem a bom vender a felicidade xadrezistica, as substânciass mágicas do tabuleiro que vão transformar um simples jogador num MI ou GM, pela inalação de um Fritz ou Rybka, ou Houdini, ou pela compra (Temos Pena-desculpem, queria dizer "PEIN"-só para quem entende) do HOW TO, seja "smash ou beat you oponent", ou, ou How To Build qualquer coisa para the Rest of Your Life, ou o que escreve "How To Win with d4" e  meses depois "How To Win Against d4", ou um  site endinheirado que para uma reportagem de um torneio em vez de falar de xadrez põe fotos turísticas, ainda por cima miseráveis. Torneio internacional em qualquer lado e temos uma Ana qualquer coisa a tirar umas "pics" entre o parolo e o atolambado-azeiteiro, ou um Tiviakov armado em fotógrafo-veraneante a massacrar o nosso olhar com dezenas e dezenas de fotos, algumas deles com a beleza do gajo plasmada na foto, ou mulheres xadrezistas-lindas como ele, e de xadrez nada de nada! Quando muito, umas análises merdelosas de uma ou outra partida com ajuda do "friend" informático. De Xadrez pouco, "base" de muita merda, muito! Estes gajos andam a enganar quem? Infelizmente, uns otários que somos nós, aqueles que gostam de xadrez e entram pela madeira dentro na compra dos tais produtos xadrezisticos alucinogénios!


Um Xadrez Mundial que pariu um Alexandru Crisan ( chegou a 2635 e 33º lugar do Mundo-era rico e uns criminosos GM e MI entraram neste jogo, neste farsa-vejam o seu final em 90 com Mohr  - Crisan não sabe a oposição, e depois, a posição de Philidor, vejam a vergonha da partida com esse borrado MI Maksimovic e por aí fora), o Sharma da India o , MOUN MOUN LATT do  MYANMAR,  dos Feller, Marzolo e Hauchard deste mundo, mas também os Bindrich-Toiletten, embora alguém me possa objetar que se gosto dos clássicos também poderia por aqui o "Azma" volta atrás, os velhinhos GM romeno ou Checo - compra e vende partidas, ou os falecidos Gufeld ou Mato Damjanovic , ou que vai para anos os "Saturday" na Hungria serviam muito mais do que "fever" ou fevra,  para muitos xadrezistas arranjarem uma normazita, e por aí fora. Pois podia e sei, e depois? Tudo isso me enoja  e náusea pelo que tira de nobreza ao xadrez. 


E não se façam de anjinhos em relação ao xadrez português, porque de anjolas está ele cheio: existem alguns bindrich de sanita agarrados não ao material mas ao telemóvel  fritzado,  o que para o adversário é uma "cagada" .  Ah! Aviso: Não experimentem fazer isso no meu GXPorto  porque ou arraial de pancada ou a sanita bem larga para enfiar a cabeça de um gajo! 

Pois, anjinhos. Então não se dizia à boca cheia que uma certa equipa foi Campeã Nacional com ajuda de quarto de hotel (não, não estou a falar de meninas do mesmo!!)! 


Então num certo nacional por equipas aqui no Porto ( Galeria do JN)  eu jovem mancebo ainda de cueiros xadrezísticos, não vi jogadores consagrados em alegada conversa informal  a dizerem os lances e de uma forma sistemática a outros jogadores mais fracos da equipa? 


Então um artista numa preliminar de um Nacional perante um empate não me faz proposta sexual-xadrezista-indecente de irmos a uma "rapidinha" para o andar de cima? 


Então não vi tabuleiros a saírem da mesa de jogo e perante o empate combinado para distribuição da "massa", irem para Piscina de Hotel para gáudio de muita gente? 


Então num Nacional de rápidas e quando ainda se podiam comer Reis, um artista com o meu Rei em g8, um peão em h7 , não pega num bispo em c2 e não me come o Rei ? 


Então eu e o Meu amigo Américo Moreira não descobrimos numa preliminar do Nacional em Lisboa que se disputava num Hotel, que uns chavalitos imberbes iam ao quarto estudar a posição no computador? Então não é que empato com o Cristiano Amaro e quando vou descansar para o meu quarto, no quarto ao lado discutia-se alegremente como fo... meu colega Américo Moreira através do computador-claro que falei ao árbitro que "cagou uma pescada", apesar de ver que os putos abandonavam em bando de pardais os tabuleiros para irem ou à casa de banho ou ao bar- - então não iam corações!


E num Torneio em Gaia que um GM búlgaro, talvez preferindo ser equídeo (Coitado do Chigorin!)  do que Bispo, atirou com tabuleiro e peças ao adversário, e a organização num gesto de cobardia inenarrável não teve a coragem de o expulsar do Torneio e, mesmo da sala de jogo? Ah! Ainda vi colegas portugueses noutro ato que define como o rei vai nu, a desculpar, ou mesmo defender este espécimen, pela simpatia! Paixões insondáveis!


E o "xadrez de bancada" em que me quiseram sentar num Nacional de Jovens em Aveiro, porque não se pode circular entre os tabuleiros, porque os papás de tão "talentolosos" rebentos (eles próprios que não vêm um "boi" de xadrez lhes sopram os lances, ou fazem gestos de alerta para isto e aquilo – ah! Disseram-me que também alguns treinadores ( não devem ser de certeza, porque conhecendo e estimando um Vítor Guerra, um Chemeris, ou um Fróis, só para dar alguns exemplos) só podiam ser ou massagistas, ou parvos. Assim de binóculos, ou teleobetiva de 600 para cima para ver xadrez?! Jamais!


Mas também putos malcriados, que nem a mão estendiam no fim da partida, putos que perdiam em 15 lances mas que no fim entre a arrogância da ignorância gritavam "pitos histéricos" como solteirona em Toni Carreira, que tinham a partida ganha, ou jovenzinhos adolescentes com posturas no próprio tabuleiro de quase gozo, de quase espatifarem o relógio com a "marrada" que lhe davam e por aí fora. Então sou Professor, raramente me chateei com um aluno meu, e ia ser no xadrez que ia pregar uma bufarinhada no focinho de um puto mal educado, ou num pai de tão sebento rebento?! Cruzes!




Não, não abandonei o Xadrez de competição só devido às razões que apontei noutro post. Este estado de miséria ética num jogo que sempre associei a certa nobreza de caráter começou a mexer comigo e a desapontar-me fortemente. Pois, mas riam-se: certo dia como dirigente do GXPorto, quase que tive que separar ( e ameaçar de expulsão) dois velhotes  (mais de 70 anos!!) e com cuidado da própria pele  pelas muletas de um que eram ameaçadoras, porque um acusava o outro (realmente especialista) de com a mão por trás do relógio mexer no ponteiro, embora a técnica mais formidável de um ou outro jogador de idade era a de meter em jogo peça ou peão que já estava de lado do tabuleiro sem o outro perceber e, quando percebia tínhamos o que sim, o outro que não, as caras e carecas vermelhas e o meu medo de uma apoplexia súbita que enlutasse o meu querido clube! Riam-se pois!



Razão tínhamos, eu e o meu colega de clube o Diniz Ribeiro, quando no recente e excelente Congresso sobre Xadrez e Ensino realizado na FPUP, através de uma "boutade"  e no meio de todas as maravilhas do xadrez, afirmamos que qualquer dia iriamos organizar um congresso sobre o lado negro do xadrez, o lado mais sinistro e perigoso do Xadrez (e que os bons treinadores não devem sonegar aos seus estudantes, nunca!)


Bem, mas vai longo este post, pois SHIT CHESS o que vou assistindo! Partidas de merda em torneios merdelosos. Por medo, por quase acordo tácito de não perderem Elo, ou tacho, muitos GM atuais de topo "metem nojo". Os empates são quase uma "irmandade" escondida, um pacto de não agressão, exceptuando se houver outro colega "pazter" a ser comido de cebolada. Olhem para esta tabela classificativa:



 

Elisabeta Polihroniade a excelente jogadora romena não merecia isto! Não acredito que um torneio em sua homenagem possa ser desta índole, quase fantochada! Só uma organização vesga pode achar que o que se passou aqui foi xadrez. Isto foi...Merda! E não vale a pena a Santa Casa da Misericórdia alemã do Xadrez tentar dizer no seu site que houve empates interessantes, ( que escrever, quando tudo é tão exíguo e mau!) porque foi tudo muito mau de evidente! GM calaceiros, pouco profissionais, pensando apenas no "bolo" que os esperava, o resto, uma vergonha para quem gosta de xadrez e para os amadores de xadrez. Se aquilo foi xadrez, eu e muitos amantes do xadrez preferimos a bisca lambida. Estes indivíduos "secam" o xadrez e se fosse em linguagem futebolística, diríamos "arrastram-se pelo tabuleiro"


Olhem agora para o ainda relativamente recente campeonato da Rússia : Vejam a quantidade de empates impressionantes! Tenham a coragem e vejam algumas partidas: uma vergonha! Vejam a classificação do vencedor! Isto é xadrez? É , mas de Merda! Mas também sejamos justos na história do xadrez, o que vai representar um Yakovenko, um Andreykin, um Vitiugov e por aí fora?


Realmente Magnus Carlsen está a léguas disto, mas a léguas mesmo. Talvez seja preciso um título diferente para este tipo de jogadores Super GM, para os diferenciar dos de aviário que vão assentando cu nos tops da FIDE ( e não me estou a referir aos GM que têm que esmifrar em torneiozinhos, em Opens, em Campeonatos de Equipas de segunda linha para sobreviver! – esses respeito-os eu  e,  coloco mais depressa as peças no tabuleiro para ver as suas partidas do que para ver o insípido, o inodoro, o anti-xadrez de muitos bimbos instalados que nem fazem, nem saem de cima - são os empata f...do xadrez!

E ainda parece existir um movimento de alguns bimbos para as partidas serem propriedade dos jogadores e serem pagas para serem publicadas?! Estão doidos? Algumas partidas de xadrez do topo são tão insultuosas que os tais GM de cátedra que as jogam até deviam pagar aos amadores para estes as verem. É que até se perde o amor ao xadrez, caros bimbos!

XADREZ DE MERDA este em que vivemos!

Bem , vou ao verdadeiro Xadrez : o Campeonato Mundial da Juventude que se está a disputar  em Maribor na Eslovénia e onde joga o Jorge Ferreira entre outros jovens jogadores (as)  portugueses. Algumas partidas estão cheias de xadrez, de luta, de jogo no tabuleiro, tão diferentes das tais categorias técnicas dos GM de topo. 


Ah! Não me venham com a conversa de os jogadores serem muito iguais, de hoje isto e aquilo. Tretas! Algumas partidas nem começam…já estão agendadas, não estou a dizer combinadas, mas sim quase feitas, e ninguém quer arriscar, tem-se medo, tacitamente não se quer mostrar o talento que se calhar não existe, ou a fraqueza gritante no conhecimento de finais. Heresia, dirão alguns, estes GM conhecem bem os finais! Acham? Como, se eles nem chegam lá para nos mostrar essa sabedoria?!


MERDA DE XADREZ! 
Talvez por isso, cada vez mais paixão pelo PERFUME DOS CLÁSSICOS!







14/11/12

PLÁSTICO NACIONAL ...PEÇAS




Um artigo escrito em 2002. Cáustico, mas com algum humor. Sobre Peças de Xadrez, sobre Plástico no Xadrez Nacional. Hoje, tudo mais matizado e refletido.

A- Percebo o contexto em que as alguns peças foram realizados, principalmente o 1º modelo - nos idos finais dos anos 70 e princípios do anos 80, a enorme massificação e a necessidade de milhares e milhares de jogos e tabuleiros, bem como o preço elevado que era pedido por um molde original por onde eram realizadas as peças.

B- Hoje com outra atenção e porque também coleciono jogos de Xadrez Stauton de plástico, consigo descortinar alguma beleza ( as fotos provam-no) em algumas peças, o seu recorte, a junção moldada, a robustez, a quase indestrutibilidade de um um ou outro modelo, a quase aproximação a modelos clássicos de madeira como o modelo Lardy francês ou Pré-Lardy.Apenas e só o tamanho rídiculo que sempre caraterizou os jogos de peças plásticas usadas em Portugal me continua a intrigar...é que podíamos ao menos ser grandes nas peças de xadrez!

C- No meu GX Porto um ou dois anos depois de escrever este artigo, e, ainda antes de ser dirigente, consegui de forma que não interessa referir, acabar de vez com o plástico naquelas mesas. Depois, eu e o Rogério, encarregamo-nos de trazer dignidade na modernidade-antiguidade do G. X. Porto quer nos tabuleiros, quer nas peças.

D- Nesta luta da dignidade do material de Xadrez muito fez a Luso Xadrez,  o António Russo, o Dinis Furtado, o pessoal da Casa do Xadrez, embora outros clubes e depois a própria FPX, a A X Porto mostrassem alguma preocupação com tabuleiros e peças.

E- Continua a jogar-se com plástico? Continua! A idiotice é que muitas vezes em vez das peças generosas da Majora com um Rei de 10 cm de altura - as últimas da gravura   (que deveriam usar-se com tabuleiros de 5,5 a 5,8 de quadrado!!!) continua-se a preferir umas peças raquíticas com um Rei de 7cm de altura, o penúltimo Rei da gravura. Gostava de entender, mas não consigo! Mais... hoje na Web conseguem-se peças de plástico com  moldes/design lindissimos  "Jaques Staunton" a preços da chuva, mas isso é para quem sabe e gosta!

F- Por acaso, na minha coleção, falta-me esse Staunton plástico usado no Zonal do Algarve de 1978, e salvo erro, num Campeonato Nacional Individual disputado em Ilhavo (ganho pelo Fernandes?)!

G- Falo de plástico, e 5º Feira recebo da Eslovénia uma encomenda com  umas peças de plástico! Uma réplica perfeita das Dubrovnik 1950, aquelas que eram amadas por ...Bobby Fischer, as suas peças pessoais. Claro que gostava de ter a réplica em Madeira, mas salário "encoelhado" não dá para mais.

H - Qualquer informação sobre os primeiros quatro jogos era bem vinda e ficava eternamente grato ao leitor: Onde foram feitos os jogos? Os moldes eram Portugueses? Quem esteve por detrás da aquisição das peças? Alguém se lembra do preço dos primeiros jogos em...escudos? 

Então aí vai o escrevinhado em 1982.


O que vou escrever neste artigo, talvez vá parecer estupidez a muito boa gente! Paciência! Temos pena! Gostem, ou não, podem ter a certeza que o escrevo com uma grande raiva, uma imensa e dolorosa pena dos jogadores de xadrez! Sim porque quando penso nisto, acreditem é das raras coisas que me consegue irritar no xadrez! Podem também considerar este artigo como uma breve história do plástico xadrezistico em Portugal!


Para começar, a primeira farpa: Os Jogadores de Xadrez, principalmente em Portugal, são de um desleixo, de uma "faltinha de gosto" impressionante! Não, não estou a referir-me à roupa, aos tiques, às atitudes, estou-me sim a referir a uma coisa muito simples, sem a qual não existe xadrez: O MATERIAL!!

Sabem uma coisa? Badminton, Ténis-de-Mesa , Bilhar, Pesca Desportiva, Canoagem, Ténis, etc.etc.etc,  Nunca vi uma modalidade desportiva, onde os atletas, ou  praticantes, não se preocupassem com o material que usam!! Só no Xadrez!!  Conversa fiada! Não é! Jogador federado que fui durante anos de Ténis-de-Mesa no CDUP, e Badminton no Águas Santas, posso testemunhar, o cuidado com as raquetes, os volantes, as Varna ou as Joola,  da maioria dos jogadores! Sim, caros leitores! Aprendíamos à nossa custa que uma raquete de alumínio, não era a mesma coisa que uma de Carbono ou Boro, que determinado encordoamento e tensão na raquete, podia  fazer a diferença entre andar a "apanhar bonés", ou não ter ao fim de um set toneladas nos braços!
No Ténis-de - Mesa era ver o cuidado com as borrachas Sriver, Tackiness, ou com as madeiras e colas das borrachas. E os avanços na cor das bolas, ou na cor das mesas, para melhorar as performances, segundo estudos científicos? E os sujeitos do Bilhar de competição, o cuidado, o amor que tem pelo taco, pelo estojo? Como se poupa para arranjar um taco de  madeira nobre, etc, etc. E a variedade e complexidade do material de Ténis?


E os xadrezistas? Bem, os Xadrezistas têm tão mau gosto, que até dizem que "empurram a madeira", quando sabem que a maioria das vezes empurram o plástico! Não, nós  devemos ser os praticantes da única modalidade, em que vale tudo, jogar com tudo, empurrar tudo e, com a alegre convicção que isso não interessa! Ainda nos recentes nacionais de Jovens na Amadora, pega-se nos jovens e "pegai lá plástico", ainda por cima péssimo plástico! Mesas e cadeiras do mesmo, tabuleiros de algo parecido, e não querem jovens plastificados! É das maiores indignidades que conheço, hoje em pleno século XXI, um Campeonato Nacional , seja de que escalão for, ser jogado com as miseráveis, anãs e mal feitas chamadas " peças da Federação ". Não dá bom nome à Federação, nem felicidade ao jogador que as tem de manusear!

Claro que toda a minha vida Xadrezística de competição foi realizada com as tais peças referidas, que se não estou enganado já tiveram três versões! Será aquilo a que chamo " burrice ao cubo " ! Mas não, nós jogadores habituamo-nos a elas, quase que sentimos falta delas, quase sentimos raiva se não as vemos " tortinhas" "sujinhas", " amarelinhas " se possível em cima de tabuleiros ainda mais sujos de verde derrota em vez de verde esperança! Certa vez, num defunto Fórum dirigindo-me aos jovens,  descrevi as condições de jogo que muitas vezes fui obrigado a suportar. Querem rever o que escrevi? Aí vai!

 " Vamos às peças e tabuleiros! As vossas mesas e cadeiras são cadeirões e mesas do palácio real de Sintra! Comparado às condições de jogo que tenho  encontrado ao longo dos meus trinta anos de xadrez, a vossa situação...Um  Luxo! Provas? Olhem lá "terna chavalada", já joguei em tabuleiros engraçadíssimos ...eram de platex ( contraplacado) da Direcção Geral dos Desportos e sabem o que acontecia? Não querem saber? Pronto então eu conto! Os tabuleiros com a humidade ficavam ovais e acontecia uma coisa extraordinária, bastava tocar e jogar uma peça e o tabuleiro "dançava" e se o lance era feito de forma mais apressada, o tabuleiro rodava, ou seja, o "gajo" que estava de brancas passava subitamente a jogar de negras!! Pensem
bem, numa época em que não havia Fritz, ou Chess Base, ou Rebel, nem sequer computadores de xadrez, tínhamos o hoje moderno FLIP BOARD, dos programas de xadrez!


Sabem que já joguei em tabuleiros atuais verdes e brancos de vinil, em que a sujidade, as marcas do verde tinto, do café e bagaço, era tanta, tanta, tanta...que Oh fenómeno da natureza, os quadrados eram "verdes-porco" e "branco-ordinariamente sujo"! E sabem que os tabuleiros do meu próprio clube durante anos, o glorioso F.C.Porto eram azuis mas feios? Mas que cheguei a jogar com peças vermelhas e tabuleiros vermelhos? 

E que jogos houve, ao longo da minha vida de xadrez, que para surpresa minha a diferença entre REI e DAMA era quase nenhuma, porque a cruz do rei tinha desaparecido, e a coroa da dama estava tão gasta, que para distinguir as  peças só havia uma solução " espreitar por debaixo da cuequinha da dama"? E cavalos desdentados, esventrados, desorelhados, desafocinhados, coxos, etc, etc? E torres, tão sem ameias, que pareciam sanitas públicas? E peças com defeito em que o plástico estava tão torto, tão torto, deformado, que a  peça pendia para um dos lados, o que me obrigava a atacar no flanco, para onde o plástico estivesse virado? E "peões cabrões" uns ou dois centímetros mais pequenos do que outros, e que se perdiam escondidos no meio das peças! Se calhar eram os peões para dar de gambito! Às vezes dava-os de borla, só
para não ver os "raquíticos", que para "caga-tacos", basto eu Arlindo Vieira!

E sabem que joguei em bares, com mesas daquelas do "tipo" bar do Cais do Sodré?, mesas redondas de 50 cm de alturas com bancos tipo "puf", próprios para o engate, mas...porra, eram gajos os meus adversários!

E mesas em que  não havia espaço para colocar os cotovelos, o que me obrigava a pôr as mãos  no " Abono de família ", vulgo órgãos sexuais, e a escrever os lances na  folha de partida, junta a uma tabuinha nos joelhos! Imaginam os apuros de tempo? E se eu me enganava com a caneta? Olhem poderia não ter mais crianças, o que significava, dar cabo do tal abono de família!

Mas há mais! Joguei xadrez não em mesas, mas em tábuas de madeira de todas as qualidades e feitios! Sou um especialista de carpintaria, devido ao xadrez, juro!!! Joguei em tábuas tão grossas que se no final da partida desse um murro na mesa depois de uma derrota, lá iria a mão para  o "caraças", mas também em tábuas tão finas, que um pequeno toque de um joelho
fazia as peças e tabuleiro elevar-se qual "Space Shutlle" na atmosfera?

E salas com jogos de bilhar snooker ou livre a decorrer, durante os jogos?

 E  salas tão velhas, tão degradadas, que se via o andar de baixo pelos buracos no soalho? E salas em que chovia lá dentro? E salas "alpinistas" em que se tinham de subir para aí 200 escadas? E jogar em cozinhas?

E jogar em condições "esquimóticas" em que o simples levantar a peça levava  ao congelamento imediato da mãozinha que o fazia? E salas de sauna, em que a falta de ar, a transpiração era tanta, que até as peças suavam? "

Foi isto que escrevi! Hoje, continuo a dizer que pouco mudou! A FIDE tem recomendações para a utilização das peças de xadrez e tabuleiros,  aconselhando As peças Staunton nº 5 ou 6 e tabuleiros de 5, 5 de quadrado! Continuamos com as peças pseudo-Stauton 4 feias, minúsculas, sem graça, "pau para toda a colher" e que até Clubes de xadrez prestigiados como o meu G.X.Porto se converteu, vai para anos! É uma luta que tenho perdido! No meu saudoso F.C.Porto, tínhamos os tais tabuleiros azuis e cinzentos, mas  recebíamos em nossa casa, as equipas com as nossas peças Staunton espanholas de madeira,!

Estas peças de plástico, principalmente as primeiras, tenho uma vaga ideia como apareceram, agora o que é incompreensível e continua a sê-lo, é o molde miserável em que estas peças foram e são moldadas! Já nos finais dos anos 70 a Majora tinha modelos de peças lindíssimas, de madeira-modelo alemão, ( tenho um! ) e plásticas , modelo inglês, ( também tenho ) igualzinho aquele com que se fez a massificação do xadrez nos anos 70 e 80 nas Ilhas Britânicas, peças grandes, quase um Stauton 6 .

Mas não , depois de uma primeiras peças anémicas, esguias, com peões raquíticos, surge uma 2ª versão, sempre pequenina, enfezada, com peças amareladas com cavalos desconfiados quase a relinchar de medo, depois uma versão em que as peças estavam melhor alimentadas, o Cavalo tinha melhor cara, e a um bispo esquelético das primeiras, sucedeu, um bispo, gorducho, bem encarapuçado! Agora existe uma versão, novamente anã, das peças plásticas em Portugal, esta "políticamente correcta" do estilo " não comprometer", nem são como as primeiras, nem como as segundas, são digamos "intermédio da tal ponte de tédio" que sinto a olhar para elas! Então os cavalos senhores, têm um focinho baixo, envergonhado, quase que a assumirem a sua inferioridade em relação ao par de bispos! Feias! Feias! Feias a valer! Quem compra disto, devia ir para " a plastificação que o plastificou" !


E depois, que tem isso a ver? Isso interessa alguma coisa? Ouçam lá ! Vocês julgam que um Grande Mestre, ou mesmo um MI, jogam com uma "merdaça" destas num torneio Internacional? Provem-me! Mostrem-me revistas, imagens onde: A- GM joguem com plástico B- Torneios Internacionais onde se jogue com peças Staunton 4.


Uma história verdadeira: Vai para anos num Zonal no Algarve, onde estavam  vários Gm da ex-Jugoslávia como o Ljubojevic, o Ivkov, o Velimirovic, entre outros, estes recusaram-se terminantemente a jogar com as peças plásticas da Federação, e o Ljubojevic, segundo parece, até quis atirar com  um tabuleiro e peças pela janela fora! Nesse Torneio a Federação teve de se desunhar e ir a Espanha comprar umas peças de plástico a imitar madeira, mas um Staunton enorme e bonito tamanho 6 ! Hoje nos nacionais e em torneios internacionais a Federação já vai apresentando tabuleiros e peças modelo espanhol.

E já agora uma pergunta: Com que material recebem nas vossas Salas as equipas adversárias? Certamente com plástico? Não acham que é tempo de receber os adversários com umas belas peças e tabuleiros de madeira? Estou louco? São caríssimas! Resposta: É MENTIRA! Sabem o que me apetecia escrever aqui - e vou escrever : " diz-me que peças de xadrez tens na tua sala, dir-te-ei que Clube és! " !


Algum dia posso conceber ou imaginar, um Clube como o G.X.Alekhine, ou Um Ateneu Comercial de Lisboa, ou o meu G.X.Porto com peças da Federação em cima das mesas?

Não me venham falar de progresso, na inevitabilidade das coisas! Jogar num bom tabuleiro de madeira com peças de madeira, não é a mesma coisa do que jogar naquela "mixórdia" das peças plásticas e tabuleiros plásticos! Quando estiverem num torneio, façam a experiência: sentem-se em frente de dois destes tabuleiros e digam-me que é a mesma coisa: não é!

Abaixo o plástico xadrezistico. Pela dignidade da madeira e do "empurrar madeira"!