XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

10/09/12

SPIELMANN, Rudolf "Melodia Inacabada" 2



Resolvera encerrar-se no quarto. Estava tudo terminado. Tinha desistido do mundo, como o mundo tinha desistido dele. 

Só! Completa e irremediavelmente só! Sem ninguém e abandonado por todos. Todos os seus planos de salvação por água abaixo. Não seria eliminado pela bestialidade nazi, tal como o foram as suas amadas irmãs Jenny e Irma! Tinha perdido tudo, menos a sua dignidade. Fora um campeão no tabuleiro de xadrez, seria-o agora no tabuleiro adverso da vida! Não seria essa náusea abjecta que galgava a Europa, que lhe daria xeque-mate! Abandonaria, isso sim! Mas com dignidade, senhor de si até ao fim! Quebravam-no, mas nunca o torceriam!


Só...caninamente só, na bela e amena cidade de Estocolmo, nesses dias de Agosto. Um quarto simples, estreito, de mobiliário sóbrio: uma cama, um guarda-fatos, uma mesa, uma cadeira e uma poltrona velha e descorada. Em cima da mesa, o inevitável tabuleiro de xadrez com as suas peças companheiras, que o acompanhavam desde a sua Viena natal.
Afundado na poltrona, uma caricatura daquele homem redondo, rosado, forte que tinha sido. Agora, um rosto magro, macilento, barba de dias, olhos enevoados e mortiços.



Olhou com olhar cansado e enfastiado as peças de xadrez na mesa à sua frente. Lembranças variadas afloraram-lhe ao espírito. Não! Não e não! Xadrez não! Que fosse para o inferno este maldito jogo! Tanto lhe tinha dado, tantas horas perdidas na dedicação louca àquelas pequenas e mágicas peças de madeira e aos seus encantatórios movimentos! Xadrez, não!
Mas como, se, uma catadupa de memórias cálidas, quase calmantes  começava a invadi-lo, contrapondo-se ao seu ódio repentino?


Xadrez, não! De que valeriam agora as memórias vãs de êxitos passados? Que tinha tido, a sua vida xadrezística de extraordinário? Tinha sido um campeão, um jogador reputado e respeitado, sim, mas...no deve e haver da vida, que peso na balança para o xadrez? Talvez pesado, demasiado pesado, uma espécie de cruz de um calvário nunca atingido! Apesar de tudo, algo dentro de si o fazia sentir redimido: a paixão louca que tinha tido por aquele jogo encantatório! Mas...que tinha ganho na prática?

Estava ali a paga de lhe ter dado o tempo, a vida, os sonhos! Ele, Rudolf SPIELMANN, só e abandonado num quarto minúsculo de Estocolmo estival.
Que tinha sido a sua vida pessoal? Xadrez, xadrez e mais xadrez! Por este feitiço, tinha sacrificado a comodidade de um lar, a alegria de ter filhos, o amparo de uma velhice reconfortada. O xadrez! Que estabilidade, que presença de afectos poderia ter dado a uma companheira, aos filhos, se o xadrez o tinha obrigado a viajar, a partir sistematicamente depois de chegar, a partidas de roupas limpas de ida e roupas sujas de chegada?
Não, nunca o quis fazer! Tinha-se sacrificado a uma deusa, não tinha o direito de obrigar outros ao mesmo sacrifício! O xadrez era para "lobos solitários" e ele, Spielmann, tinha escolhido como profissão de fé, o vaguear incessante, esfaimado e estonteado pelas mesas de xadrez dos grandes torneios, ao calor acolhedor da lareira e ao sorriso matinal das crianças.



Mas não! Xadrez não! Preferia recordar-se do belo rosto de sua mãe. Schlaf...schlaf...mein kinder! Uma longínqua cantilena de embalar, trouxe-lhe uma paz passageira. A voz cristalina da sua mãe Cacillie apaziguava-o menino, pacificava-o agora no seu sofrimento sem fim.
O rosto do seu querido pai Moriz Spielmann, visitava-o agora, trazendo mais alguma paz, à paz que ia sentindo! Em frente a um tabuleiro de xadrez, movia as peças serenamente, enquanto os olhos ávidos de menino fascinado procuravam perceber os objectivos dos movimentos paternos. Fora, ele, seu pai, que lhe metera o feitiço no corpo! O seu querido pai, o seu herói, mesmo quando já menino-prodígio lhe ganhava com facilidade! O seu querido pai, como bom judeu que era, que o queria como banqueiro ou matemático e, que sem saber, lhe instigou uma paixão e uma forma de vida para para sempre!



Agora, numa sucessão de imagens, qual animatógrafo, passeavam-se pelo quarto, num quadro estranho, os seus irmãos queridos. Leopold, grande pianista de mãos aveludadas, tocava um prelúdio de Bach, enquanto Jenny, Mellanie e Irma dançavam suavemente, perante o olhar zombateiro do Edgar, seu outro irmão!
Não, não fujam queridos irmãos! Demorem-se mais uns tempos! Preciso de Vós, dos vossos ancoradouros de ternura. Mas...



De súbito o rosto crispado, hirto, como se a imagem se desvanecesse, substituída por horrenda recordação. Toda aquela felicidade ceifada ao longo dos anos! A dor lancinante de ver a sua mãe desaparecer, o seu pai envelhecer na doença, até à despedida, o suicídio de Edgar, atacado por esquizofrenia, a morte súbita de Mellanie, o assassínio da sua querida Irma, num campo de concentração e o não saber de Jenny, também ela deportada!
Tanto tinha sofrido , para tentar salvar o que restava da sua família das garras da besta nazi! Tantas noites em claro, tantas depressões, algumas partidas perdidas, por impossibilidade de concentração e serenidade de espírito!



Em 1938, tivera a certeza que morrera para o xadrez! Tinha sentido a força de jogo abandoná-lo. Mas precisava do xadrez, já não pelo xadrez, pelo respirar do xadrez, mas para sobreviver e tentar salvar os cacos desfeitos de uma família. Nem isso tinha conseguido! Todos os planos falhados! Todos os contactos de costas voltadas! Todos os amigos Suecos a dizerem que sim, fazendo pela indiferença, que não! As esperanças da Federação Sueca, as palavras de Carl Levin, Erik Lundin e Olson, a não se concretizarem! Negaram-lhe uma simples comissão do "Larobok", tinha passado estes dois últimos anos da sua vida, a juntar notas e análises das suas partidas, a escrever a sua autobiografia, que teria o belo título de "Rudolf Spielmann, Memoirs of a Chess Master" , porque lhe tinham prometido publicação e dinheiro suficiente para emigrar para os Estados Unidos...mas nada! Tinham-lhe ficado com os manuscritos e entre evasivas e adiamentos , a sua esperança foi morrendo! Sabia que era Judeu, e numa Suécia ameaçada pelas botas hitlerianas, era um perigo potencial para quem o acolhesse, ou lhe mostrasse simpatia! Por isso, compreendia os silêncios compungidos, os afastamentos disfarçados, as amizades esquecidas dos xadrezistas suecos! Não lhes tinha rancor! A sua desgraça, não podia acolher rancor pelos outros.



Magoado, sim! Tantas injustiças! Que razões de queixa tinham dele, Spielmann? Alguma vez tinha cometido um acto de descortesia, de egoísmo, de vedetismo, em relação a algum colega de profissão e Mestre de xadrez? Porque o deixavam agora ali, “cão abandonado” os seus amigos suecos? Porque se perdiam as suas angustiadas missivas para amigos europeus, em silêncios de deserto?
Tinha dado tanto, que era quase tudo ao xadrez, e o xadrez correspondia-lhe com a total indiferença? Sim, sabia que o Mundo estava em Guerra, mas não era na mais terrível adversidade, que se devia mostrar a solidariedade mais profunda? Mas não! Sabia do egoísmo lendário, da celebérrima solidão do jogador de xadrez profissional!

Entregue a si próprio e ao que o destino lhe tinha reservado!
De nada valeram os mais de 100 torneios que tinha jogado, os mais de 50 "matchs" que tinha disputado, os milhares de simultâneas realizadas! Passado e memória curta dos homens e dos xadrezistas!



Mas não! Xadrez não!


Que o feitiço o abandonasse, mesmo agora, no seu abandono final! Como uma doença...nem agora, nem nunca, tal como as derrotas o obrigavam a noites em claro, nos seus momentos de glória!
Impossível! A sua memória alucinada, revia numa rapidez de relâmpago, os momentos marcantes da sua carreira: as belas partidas dos seus 6 prémios de beleza, as vitórias sobre os génios Capablanca e Alekhine, as batalhas titânicas com o seu amigo Rubinstein, a alegria das suas grandes vitórias em Teplitz-Schonau 1922 e em Semmering 1926, aqui à frente do grande Alekhine, por um ponto, o excelente 2.º lugar de Carlsbad 1929, empatado com o sublime Capablanca e... e...


Recordações vãs! De que tinham valido triunfos, honras, epítetos de  "rei dos gambitos", "último cavaleiro do Gambito de Rei", "último romântico" com que fora mimoseado? Na mais completa solidão! No mais soturno abandono!

 
Que lhe interessava viver? Tinha perdido tudo que mais amava! A Suécia, perto da conquista nazi, e, talvez quase como certeza, o mesmo destino para si, das suas queridas irmãs Jenny e Irma! Arruinado, a viver de réstias de caridade e compaixão de muito poucos, aprisionado, sem possibilidades de fugir para a pátria da esperança e liberdade, os E.U.A o que lhe restava?


Tanto se tinha humilhado! Ele Rudolf Spielmann, um dos maiores jogadores de ataque de todos os tempos, obrigado a jogar à defesa, dobrado pela necessidade de mendigar apoio e segurança ao seu amigo Collijn, para fugir de Praga, e receber abrigo na Suécia em 1938, já depois de ter sido escorraçado da sua Austria Natal!

"Espero que AINDA OCUPE ALGUM APREÇO EM SI; PARA SE DIGNAR ACEITAR um curto relato da minha situação. Fui exilado para sempre da minha pátria, estou privado da liberdade de viajar. Nenhum dos países europeus me deixará entrar com o meu passaporte austríaco. A única coisa que ainda me vai agarrando à vida é a esperança de arranjar um refúgio seguro e um trabalho relacionado com o xadrez. Não será possível ajudar-me como me ajudou em 1919 (Primeira Guerra) arranjando-me algum trabalho de xadrez em Estocolmo, ou em qualquer outro lugar na Suécia? A Suécia será para mim um trampolim para ir para a Inglaterra ou os Estados Unidos da América.
IMPLORO-LHE QUE NÃO ME DEIXE NA MISÉRIA E ME AJUDE A ENCONTRAR UMA FORMA DECENTE DE VIDA. Posso viver na mais humilde das condições, se puder encontrar alguma ocupação. O anti-semitismo sente-se fortemente em Praga e faz com que VIVA NA MISÉRIA".

(Stoltz, Lundin e Spielmann Estocolmo 1930)

O seu amigo e patrono Collijn , ouviu o seu apelo desesperado de Praga e ajudou-o! Mas o seu falecimento, deixou Spielmann em "terra incógnita". O que se passou a partir daí, prefere esquecer.


Estaria a pagar por pecados que não cometeu? Tinha ao longo dos seus 59 anos de idade, procurado ser justo, parcimonioso, equilibrado nos seus juízos, nas suas apreciações, nas suas referências. Que lhe censuravam? Que se lembrasse, nunca tinha tido uma palavra menos elogiosa, para quem sentia que lhe era superior ou não, no tabuleiro! Lembrava-se claramente de um artigo que tinha escrito sobre o gigantesco Lasker para uma revista de xadrez:

"As partidas de Lasker são uma fonte de prazer. As suas partidas são mais profundas do que as de qualquer outro jogador. Joga sem medo, sempre preparado para a luta e, isto, é um sinal de verdadeira grandeza.
Lasker! Os seus olhos de águia, os seus pensamentos, estão em toda a parte. Falo por experiência própria. Frequentemente analisei com ele, mas o resultado era desencorajador. Sempre que descobria uma bela ideia, ou combinação, Lasker imediatamente a recusava, porque no seu pensamento, na sua análise, já há muito tinha entrevisto variantes e sub-variantes, e como tal optado por outra alternativa.
Espero sinceramente que mantenha o seu poder e grandeza por muito tempo e, que tenha a possibilidade de coleccionar mais triunfos aos muitos que lhe honram o passado!".


Também se lembrava do que tinha escrito em 1935, sobre o novo campeão do mundo Max Euwe, quando sobre este se levantavam as mais infames insinuações, sobre a justeza do seu título:

" Em primeiro lugar , quero expressar a minha alegria e admiração pelo facto de o trono de xadrez, passar a ser ocupado não só a um admirável  Mestre, mas também a uma personagem íntegra e empreendedora no xadrez. Não interessa discutir se a força do novo campeão do mundo se compara ou ultrapassa a dos seus antecessores, Lasker, Capablanca, ou Alekhine! O que interessa é sabermos que Euwe é um verdadeiro, cavalheiro, gentelman do tabuleiro e de espírito, de bom coração, que sempre lutou honestamente para alcançar a mais alta posição no mundo do xadrez".

(Spielmann-Gilg 1926)

De que o acusavam? Que lhe censuravam? De que se lembrava ele próprio, que o tivesse envergonhado? Nada! Não se arrependia de nada! Nem sequer da inteligente e dura carta pública a Alekhine! Sim! Num mundo do xadrez em que Alekhine tinha o poder de boicotar qualquer jogador, em que se recusava a pôr o seu título em jogo contra adversários que ele sabia em momentos de forma suprema e, como tal, perigosos para a sua hegemonia, ele o simples , humilde e pacato Spielmann, tivera a suprema ousadia de afrontar educada, mas ironicamente o grande Alexandre Alekhine!
Os comentários, os remoques maldosos, a inveja escondida ou declarada, ou os apoios envergonhados e medrosos de outros mestres, conhecera-os bem, mas a verdade é que só ele o fez! E fá-lo-ia outra vez ! Tinha um sentido inato de justiça, de solidariedade, de noção de bem comum, de pertença a uma comunidade xadrezística, que não podia viver na dependência da vontade, dos temores, dos complexos de superioridade de um Alekhine, mesmo sendo este, o Campeão do Mundo, e, um dos jogadores mais extraordinários que o jogo tinha conhecido!


Não tinha sido por ele, Spielmann, a carta, como maldosamente alguns sugeriram! Ele sabia o seu lugar na hierarquia do xadrez! Sabia combinar maravilhosamente, tão bem como Alekhine, mas não tinha a capacidade de levar as posições até essas possibilidades combinatórias, como o tinha o extraordinário Alekhine! Estava a léguas da profundidade estratégica e de visão posicional de um Capablanca! Não tinha nem um décimo da arte da defesa e força psicológica de um Lasker, jamais conseguiria a mestria artística e de arte de relojoaria do seu amigo Rubinstein! Mas do seu pai, aprendera o sentido de justiça, de equilíbrio, de visão multiplural dos problemas, do sentido de pertença a um grupo, a uma arte, a uma comunidade! Não tinha sido por ele! Mas a recusa da desforra a Capablanca, como antes, as exigências dolorosas a Rubinstein, ou os boicotes a jogadores como Nimzowitsch, ou mesmo ele, Spielmann, tinham-lhe criado um estado de indignação, que se consubstanciou no referido documento! Embora Alekhine, nunca lhe tivesse respondido pessoalmente ou em artigo de imprensa, sabia que pelos olhares, pela frieza do trato, que este jamais lhe perdoaria, todavia, tinha por si a serenidade da razão, o espírito livre do justo. Recordava agora o que tinha escrito, a ousadia que tinha posto o mundo xadrezístico boquiaberto, pela coragem, audácia, para uns, desplante, azedume para outros:


"EU ACUSO!"

Talvez, seja uma grande surpresa para si, senhor "CAMPEÃO DO MUNDO”, o meu descaramento, que nem sequer tem em consideração as alturas do seu trono. Todavia, “ EU ACUSO”.

Obviamente, não ao seu jogo genial, ao qual como apaixonado do xadrez, só me pode maravilhar. Não. A minha acusação não é dirigida ao CAMPEÃO DO MUNDO, doutor Alekhine, mas ao colega doutor Alekhine. Porque, apesar dos seus prodígios xadrezísticos, acabamos por ser seus colegas de profissão, que ao fim e ao cabo, vossa excelência precisa para realizar as suas proezas imortais.

Um provérbio antigo diz “ A RIQUEZA É UM PUNHAL PRECIOSO, NECESSÁRIO PARA CORTAR PÃO, MAS DISPENSÁVEL PARA FERIR”. Os seus antecessores: Steinitz, Lasker, Capablanca, acreditavam neste provérbio e exigiam nos grandes torneios magistrais, as melhores condições para todos os jogadores. Certamente não se ofenderá se eu examinar os fins com que vossa excelência tem usado as suas armas cortantes de CAMPEÃO DO MUNDO. Tente compreender que não é a inveja que me move. Seria o último a opor-me ao seu legítimo direito, conquistado com grande trabalho. Em todos os domínios da vida, as melhores prestações são amplamente recompensadas: Porque não há-de ser assim no xadrez?

Todavia , tanto em San Remo 1930 como em Bled 1931, para além dos honorários extraordinários, vossa excelência impôs condições especiais e assim “praticamente” conseguiu eliminar Capablanca destes torneios. Naturalmente não o eliminou directamente, mas escolheu um procedimento mais fino, oculto, que não muda absolutamente nada a essência dos factos, e, que eu como perito, não quero deixar de analisar. Deverá Capablanca expiar tão duramente a sua vitória em Nova Iorque 1927?

Mas esqueçamos o passado, já enterrado, e, falemos de Nimzowitsch, que deverá ser, depois de você e de Capablanca, o mestre mais cotado na actualidade. Não acha estranho que ele não tenha recebido convite para o torneio de Londres, nem para o de Berna? Pelo menos para si, seria fácil, estabelecer as condições mínimas para que os convites lhes fossem dirigidos. Como licenciado em leis, não lhe será estranho, o “dolus eventualis” , tenho a certeza.

Não chega. Até eu, pobre jogador de xadrez, parece que me tornei em adversário “indesejável”. Não existe outra forma de explicar o meu súbito afastamento de Berna, para além, de há dois meses para cá, deixar de receber com regularidade convites para torneios, e, os que recebo, não o serem espontâneos e de boa vontade.

O comité de Berna decidiu surpreendentemente e depois da sua confirmação tardia de presença, que um mestre internacional se converteria automaticamente em “supranumerário”.

OS MEUS PARABÉNS PELA SUA EXTRAORDINÁRIA INFLUÊNCIA. Que poder mundial, para além daquele que lhe advém de ser CAMPEÃO DO MUNDO, pode impedir a Federação Suiça de Xadrez de convidar sete em vez de seis mestres de xadrez? Já agora, meu caro CAMPEÃO DO MUNDO, convide os seus adversários com frequência, já que assim poderá obter triunfos mais reluzentes, pois se não o fizer os seus triunfos serão confundidos com a DESVALORIZAÇÃO DO MUNDO DO XADREZ; baixe o seu ceptro, de contrário terei de lhe lembrar a palavra bíblica do Profeta Isaías, retomada por S. Marcos: “ QUEM SEMEIA VENTOS; COLHE TEMPESTADES”.

O recipiente está cheio. De um lado e outro do Oceano, vozes indignadas de protesto levantam-se contra a DITADURA DO CAMPEÃO DO MUNDO”

Assinado: Rudolf Spielmann
Mas não! Xadrez não!
Xadrez Sim! 



Que saudades do louco silencioso e genial Rubinstein! Que admiração por esse amigo e portento de sabedoria Tartakower, que respeito por esse checo tranquilo, Oldrich Duras, que fascínio por esse "pirata" boémio Teichmann, que recordação maravilhada de jovem, por esse destino gémeo do seu, Carl Schlechter!

(Teplitz Schonau 1922-Spielmann-Rubinstein-Tartakower-Grunfeld-Reti)

Xadrez não!


Volta, volta, longa e lenta melopeia infantil na voz cristalina da mãe Cacillie! Estou só! Como nos terrores nocturnos de infância, preciso de Ti! Aparece meu Pai Moriz, para jogarmos uma última partida, como jogávamos antes do adormecer! Com o fascínio de não sabermos os segredos que os segredos do xadrez escondem! Com a pureza, o fascínio infantil de nada sabermos de xadrez, para tudo descobrirmos do xadrez! Apareçam meus irmãos e irmãs! Toca uma valsa de Chopin, Leopold, sorriam maravilhadas Mellanie, Jenny e Irma! Não ultrapasses a tristeza da tristeza que te invade Edgar!



Xadrez Não! Xadrez Não!


Duas grossas lágrimas sulcavam-lhe o rosto magro, quando adormeceu...


Encontraram-no assim, quatro dias depois, no dia 20 de Agosto do ano de 1942. Sereno, afundado na poltrona velha e descorada, em estado de coma. Morreu poucas horas depois no hospital de Aso de Estocolmo.
Deixara-se morrer de fome e sede, fechado num quarto, de um pouco soalheiro Agosto da bela Estocolmo.
Na ficha clínica do hospital, a informação, seca, lapidar, "teórica" da causa da morte: "hipertensão" e "cardio-esclerose".



Estejas onde estiveres Rudolf Spielmann, tenho a certeza que:

A-    Nunca jogarás com Steinitz com um peão a mais! Desconfia se não é o tal peão sacrílego que ele dizia dar a Deus e ganhar-lhe!

B-  Respeitarás a loucura de Rubinstein! Continua a perceber o respeito que ele tinha pelo adversário, que o fazia fugir para longe depois de cada lance, para não lhe prejudicar a concentração!

C-    Terás cuidado com o único olho de Richard Teichmann, porque ele via mais xadrez com um único, do que muitos mestres com os dois!

D-    Jogarás rápidas com Tartakower, mais para falarem da essência de Deus, ou da História do xadrez, menos para ganhar partidas!

E-   Encontrarás outro louco genial de ataque como Tu, chamado Tal! Mas recuso-me a saber as vossas partidas! Queimar-me-iam os olhos!

F-   Saberás, que no actual mundo do xadrez , onde  abundam os mafiosos tonitruantes, os pavões titulados, os analfaxadrezistas militantes, um portuguesito amador  tem-te  como "herói secreto", pelo exemplo de verticalidade, de humildade, de paixão pelo xadrez , de tragicidade de vida , que deste ao mundo!

G-    Quem te conhecerá? Quem te continuará a conhecer? Quem te passará a conhecer? Quem depois destas minhas paupérrimas palavras, procurará sofregamente o teu "Arte do Sacrífico no Xadrez", ou jogará maravilhado as tuas maravilhosas partidas? Não me interessa!

As tuas partidas, a beleza da tua concepção do jogo do xadrez, constituem parte da minha cultura xadrezística, da minha educação no xadrez, do alimento constante desta paixão inextinguível que é o jogo de xadrez!
Não serás o meu único herói secreto de xadrez, mas de certeza "primus inter pares" entre outros Senhores do Tabuleiro. Imagino-te no meio deles qual "Xadrezistas da Távola Redonda" no reino de Caissa! 


© Arlindo Vieira


08/09/12

SPIELMANN, Rudolf -Melodia Inacabada 1

Qualquer semelhança com a realidade pode ser verdade. Um romance verdadeiro a história deste meu ídolo do tabuleiro , o Grande Rudolf Spielmann. Em dois capítulos e para espíritos amantes da leitura, da História do Xadrez, de um passado que o sendo não volta mais. Quanto deve o moderno xadrez a Spielmann?!


 

Fecho os olhos e relembro com nitidez o passado...


Existe uma bela fotografia dos jogadores do Torneio de Noordwijk 1938. Ele está lá, com ar abatido, olhar cabisbaixo, envelhecido, limpo, mas o seu rosto não esconde os traços do tempo e as rugas da alma, causadas pela tempestade que se aproximava.
Não preciso de olhar a fotografia. Eu estive lá, na sala do torneio...


Perante ele, um jovem de 22 anos, alto, esbelto, com um magnífico fato de bom corte, sereno, confiante, mas também ambicioso, quase conquistador, se consigo interpretar as belas linhas do seu rosto e o seu expressivo olhar. Um homem de óptima aparência, aspecto encantador, sem dúvida!

O contraste absoluto...


Ele, sem ser velho, afinal tinha só 53 anos, parecia velho, ou talvez esta impressão fosse dada pelo ar de fadiga que aparentava. Pequeno, gordo, barriga algo saliente, face oval, calva luzidia, todo ele transmitia uma imagem de peso, de tal forma que a mesa de jogo arriscava não conseguir acolher a sua massa corporal. Toda a aparência de solidez, mas...mascarada de fragilidade...


Ele esperava o início da sessão, na sua posição típica no tabuleiro: as mãos pendentes cruzadas debaixo do tabuleiro. Essas mãos, que várias vezes vi lançarem-se como um raio sobre uma peça, para depois a jogar com doçura num quadrado do tabuleiro. Essas mãos que não estão em consonância com o seu corpo, oblongas, magras, elegantes...


Ele esperava. O seu rosto. Olho-o fixamente. Entre o redondo e o oval, pele lisa, mas aqui e ali com as marcas do tempo, nomeadamente com a queda de alguns músculos faciais e duas rugas bem definidas no canto da boca. Este rosto tinha ainda réstias de uma certa dignidade, mesmo beleza. Conheço fotos da sua infância e Juventude, e alguma coisa da beleza desses anos subsistia. Mas os olhos...os olhos, veementes, profundos, sem dúvida, mas também amigáveis, doces eram os mesmos da sua juventude.


A arqueologia do meu olhar sobre o seu distraído olhar, assustou-me! Sem perceber porquê, entrevi nuvens nos seus olhos, agora concentrados no tabuleiro. Direi olhos inquietos, profundamente perturbados! O que o afecta?


Medo do adversário? Jamais! Medo? No tabuleiro de xadrez nunca temeu ninguém. Desde 1903 que jogava xadrez de alto nível! Tinha jogado com gigantes da talha de um Emanuel Lasker, de um José Raul Capablanca, de um Alekhine, de um Akiba Rubinstein, de um Marshall e, medo do jovem postado à sua frente?


Nervosismo? Talvez. Não era um optimista por natureza. Várias vezes duvidou do seu talento e do seu poder xadrezístico. Sabia por experiência própria, que o seu temperamento nervoso o tinha traído em momentos importantes da sua carreira, roubando-lhe prémios e lugares honrosos. Detestava empates e, quando a posição, não era apelativa, não raras vezes perdia a concentração necessária para a manter igualada, deteriorando-a paulatinamente. Ainda se lembrava com nitidez absoluta do terrível torneio de Carlsbad de 1923, em que em 17 sessões, conseguiu 5 vitórias e encaixou 12 derrotas, mas empates não, nem um!
Mas hoje...hoje não! A experiência da idade e do tabuleiro, tinha-lhe dado a serenidade necessária para domar o pouco nervoso miudinho que o pudesse afectar. Agora sabia o seu lugar no mundo e hierarquia do xadrez. Não, decididamente, não eram os nervos que o afectavam.


Inquietação, preocupação, sim! Olhar turvo que passava despercebido num primeiro olhar de qualquer um, mas nunca a mim, que o considerava o "meu herói secreto" do xadrez.
Desprendia-se dos seus olhos uma tristeza, um abatimento, um desespero, que o corpo acentuava. Porquê?
No meu espírito, iam-se multiplicando as conjecturas...mas só mais tarde vim a descobrir a terrível verdade.




Feitos os cumprimentos institucionais, Ele escreveu lenta e cuidadosamente o seu lance na folha de partida, com notação descritiva, como gostava de fazer e, com suave energia, avançou o seu peão de rei para a quarta casa. O seu jovem adversário respondeu deslocando o peão negro à terceira casa do rei e, os primeiros sete lances decorreram logicamente segundo a teoria da época. O velho jogador parecia estar à vontade na variante desenhada no tabuleiro, pois com ela, tinha derrotado no ano anterior em Hastings, Vera Menchik e, neste mesmo torneio Schmidt!
Sem ser um teórico de aberturas, conhecia bem certas linhas e variantes e, para este torneio, tinha vindo acompanhado dos seus blocos de notas, onde ia catalogando as recentes partidas, que iam sendo publicados em  jornais e revistas. Sabia também que o seu jovem adversário era um estudante e um pesquisador intenso desta fase da partida e, por isso sabia que algo poderia surgir de novo. E chegou!


Ao oitavo lance negro...a novidade! Contra a teoria, as negras não fizeram o pequeno roque, mas o surpreendente e à primeira vista debilitador 8... g 6. A partida continuou, e à jogada 13, o jovem que conduzia as peças negras, erra no plano defensivo escolhido. No rosto do "meu herói secreto" esboçou-se um sorriso muito, muito tímido! Estava no seu elemento: O Ataque! Rapidamente joga 14. f 5! e, o jovem jogador mergulhou numa profunda reflexão. Atenção, sabia com quem jogava! O velho à sua frente, era um dos melhores jogadores de todos os tempos, naquele tipo de posições, e, os seus sacrifícios intuitivos, tinham-lhe valido inúmeros pontos. Sim, sabia-o, pois tinha estudado em profundidade as suas belas partidas!
A posição das negras ameaçava ruína em poucos lances, e, com a cabeça entre as mãos, numa concentração profunda, o cérebro do belo jovem trabalhava sem cessar, num emaranhado complexo de variantes e sub variantes, para resolver o problema do lance f 5 !
Passados uns bons 25 minutos, o rosto do jovem regressa do mergulho profundo no tabuleiro e, com elegância a sua mão move o seu miraculoso bispo para a casa do cavalo 14... Bb8!


Agora é a vez de o nosso homem se enredar nos meandros do cálculo de variantes. Ele sente a sua posição muito superior, quase ganhadora, mas o seu cérebro, não tem já a mesma frescura, a sua memória visual vai-lhe dando buracos e falhas aqui e ali. Por vezes dificuldade em ver a posição final nas análises e...ele hesita! Ou... destruir a posição dos peões na ala de rei, ou... reforçar o ataque com um lance simples de desenvolvimento do bispo de dama. Olha o relógio e, o tempo "esse grande escultor", do xadrez e da vida, avança inexoravelmente e a primeira hipótese é a escolhida 15. f x g 6 

Nesse mesmo momento o jovem sorri e com uma rapidez impressionante joga 15... Cd x e 5! O velho mantêm-se impassível, mas as suas orelhas ficam ligeiramente ruborizadas. Sente que o seu jovem adversário tem fibra de grande campeão! Mas se ele tinha fama e grande renome de atacante, tinha de fazer tudo para o manter! Era o que se passava naquela cabeça, quando jogou a sua torre a atacar a dama negra 18. Tf1, um lance "natural" de ataque.


Pela primeira vez em toda a partida, o jovem jogador agitou-se na cadeira, ajeitou uma pequena madeixa de cabelo que se tinha desprendido do seu penteado seguro a brilhantina, e durante breves minutos confirmou aquilo que já tinha descoberto nas complexas análises ao seu 15 lance, ou seja, as consequências do lance da torre branca a f 1 ! Tinha "rezado a todos os deuses" que o velho jogador o jogasse, em vez do simples 18.Bd2, que lhe daria ligeira vantagem e muita partida pela frente! A uma velocidade de raio, 18...Cg4! foi jogado, o lance anotado e com a convicção dos justos, o jovem reclinou-se na cadeira.
As brancas perderam-se numa reflexão intensa, para compreender que estavam perdidas! Sim a sua experiência, dizia-lhe que estava perdido! A sua posição iria ruir como um castelo de cartas. Jogou os restantes lances "à mão" e, ao jogar o seu 26.º , o velho parou o relógio e cumprimentou o seu adversário.


Na sala de análises, os dois jogadores mostravam o curso dos seus pensamentos, das suas concepções, da sua visão analítica da partida. O jovem conhecia bem quem ali estava...um dos melhores jogadores da História do Xadrez e , na despedida, o respeito por este extraordinário jogador tinha crescido dentro de si, sim, porque ele sabia quanto lhe devia, no seu desenvolvimento e seu crescimento artístico e estético do xadrez.


O Velho, não tinha dúvidas! Foram muitos anos de tabuleiro, para perceber que o jovem que se afastava tinha estofo de campeão...talvez mesmo de Campeão do Mundo!


Estava triste e angustiado. No Hotel, RUDOLF SPIELMANN retirou-se solitário para um canto de luz mortiça e afundou-se numa poltrona.
Não! Não estava incomodado com a derrota com o jovem estoniano PAUL KERES! Sabia que o seu tempo de cavaleiro do tabuleiro e grande campeão tinha passado. Era o tempo dos "jovens lobos" se afirmarem e adicionarem páginas novas a esse interminável livro da História do Jogo de Xadrez!


A sua depressão e o seu medo, tinham razões incontornáveis! Aqui sim, tinha medo...medo pela sua vida, pela vida dos seus familiares, de milhões de judeus, e centenas de jogadores xadrez, porque...ele sabia que a "grande , porca e desenvergonhada besta" do Nazismo se aproximava a toda a brida, para esmagar corpos e almas!

 

Spielmann R - Keres P [C11]
07, Noordwijk aan Zee 07, Noordwijk aan Zee, 1938
[Paul Keres]
1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Cf6 4.e5 Cfd7 5.f4 c5

Nesta época a e4 eu replicava quase sempre e5, todavia elegi a Defesa Francesa, por um motivo psicológico.Naquela altura Spielmann tinha publicado uns estudos sobre esta variante, concluindo que as brancas obtinham vantagem, aliás como demonstrou contra Vera Menchick em Hastings (1937-38) e contra Schmidt neste mesmo torneio.
6.dxc5 Cc6 7.a3 Bxc5 8.Qg4 g6
 Isto é uma novidade. O habitual era 8...0–0 9.Cf3 - Cd4 10.Bd3- f5 11.Dh3 -a6 com a ideia de b5 e se as negras parecem ter um jogo razoável, a verdade é que as brancas ficam com chances de ataque no flanco de rei, o que evita com o lance da partida
9.Cf3 a6 10.Bd3 b5 11.b4 Necessário, apesar de criar uma debilidade branca em c4, porque não se pode consentir o avanço b4 negro. 11...Ba7 12.h4 h5 13.Dg3 De7? Imprecisão, que permite a Spielmann iniciar um perigoso ataque. Como 14.B xg6 ainda não era uma ameaça, devido à resposta negra 14...Tg8, as negras deveriam ter jogado 13...Cd4, ou mesmo 13...Dc7, tendo em mira o peão de rei branco. 



14.f5! Esplêndido golpe táctico, com o qual se inicia um violento ataque, que se levado correctamente a cabo, dificilmente as negras se salvariam.  


14...Bb8! Única jogada! Lance defensivo, no qual as negras centram as suas esperanças. Contudo as coisas são mais complicadas do que parecem.




 [14...Ccxe5 15.Cxe5 Bd4 16.Cc6 Bxc3+ 17.Rd1 Df6 (17...Df8 18.Dc7) 18.Bg5+- Dg7 19.Dd6 vantagem decisiva-]

15.fxg6? Este lance mostra que Spielmann não se encontrava em forma, já que não aproveita a oportunidade para continuar o seu perigoso ataque:

A-  [15.fxe6? Cdxe5;
B-  15.f6? Dxf6;
C-  15.Bf4!! gxf5 (15...Cdxe5 16.Cxe5 Cxe5 17.fxg6 Cxd3+ 18.Dxd3 Bxf4 19.g7 Tg8 20.Dh7+-; 15...exf5 16.Bxf5 d4 17.Be4‚) 16.Bxf5 exf5 (16...Cdxe5 17.Cxe5 Cxe5 18.0–0–0!‚) 17.Cxd5 De6 18.0–0–0 Ce7 (18...Dg6 19.De1!) 19.Cxe7 (19.Cg5 Dxd5 20.Txd5 Cxd5 21.Te1‚) 19...Dxe7 20.Cd4 Cxe5 21.The1 f6 22.Cc6‚]

15...Cdxe5! O ataque branco fica como que desarticulado, pela ameaça de 16...Cxd3. Será que haverá maneira de as brancas se oporem ao contra jogo negro?
16.gxf7+ Dxf7 17.Cg5 [17.Df2 Dg7!] 17...Df6 


18.Tf1? Um colapso psicológico! Não é fácil passar a defender, depois do fracasso de um ataque. A jogada da partida perde uma peça, sem compensação. Ainda se podia opor alguma resistência às negras. Como? 



[18.Bd2! Cxd3+
a) 18...Cd4 19.0–0–0! Cc4 (19...Cg4 20.De1 Cf2 21.Tf1) 20.De1 Cxd2 21.Cxd5!÷ Confuso;
b) 18...Cg4 19.Df3 De5+ 20.Rd1! Tf8 21.Bg6+ Re7 22.Cf7÷ Confuso;
c)    18...Cc4 19.Df3 De5+ 20.Rd1 Cxd2 21.D7+ Rd8 22.Rxd2 Com boa posição;
d)   18...Cc4 19.Df3 Be5! 20.Dxf6 Bxf6 Esta a melhor variante para as negras, que conservam a sua vantagem, todavia, as brancas teriam chances de salvação.;
19.Dxd3 Ce5 20.Df1 E as negras têm de se conformar "apenas" com um final favorável]

18...Cg4! 



19.Df3 Dxc3+ 20.Rd1 Dg7 [20...Dxa1 21.Df7+ Rd8 22.Cxe6+ Bxe6 23.Dxe6 Ce7 vantagem decisiva–+ Também era possível jogar esta variante, mas as negras limitam-se a gerir a peça de vantagem.] 21.De2 Tf8 22.Txf8+ Rxf8 23.Cxe6+ Bxe6 24.Dxe6 Cf2+ 25.Re1 Cxd3+ 26.cxd3 E as brancas sem esperarem a resposta, abandonam. Uma partida interessante, mas não isenta de erros mútuos.(Comentários de Paul Keres) 0–1



( a continuar )

© Arlindo Vieira