XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

16/02/11

DAMJANOVIC, Mato




Era um dos meus jogadores preferidos da antiga Jugoslávia. Era Croata e morreu no passado dia 12 enquanto jogava xadrez no seu Clube. 83 anos, muitos de xadrez e de um xadrez que eu adorava, de espírito de iniciativa, de ataque, de risco, aqui e ali, quase de "café".

Digo era, porque em 2006 deixei de ver as suas partidas, até perceber porquê-banido pela FIDE, porque...misérias de que o Xadrez Internacional é fértil. Um "escriba" no Chess Vibes lá explica porquê, e abre um debate interessante sobre se a morte deve apagar certas "filhas-da-putice"da vida , usando a expressão do Pacheco?
Será que daqui a uns anos se vai louvar um "Crisan", ou um Georghiu , ou...ou...

A partir daí, Mato Damjanovic, para mim deixou de ser um dos meus de heróis secretos do tabuleiro!


Faleceu um grande jogador de xadrez, pena que...



Retirado do Livro " Yugoslav Chess Triumphs" e em Inglês, um texto sobre este jogador, com o presente à altura como pano de fundo.



“Twenty-four hours playing unofficial games without showing any signs of fatigue — this is what they say about Mato Damjanovic. Practice being his forte, he usually says: I’ve never had enough time to study chess theory", which is characteristic of his enormous hunger for chess as well as of his disclination to sped solitary hours in study.

His success is based exclusively on his experience exclusively on his experience playing at numerous tournaments and the thousands of unofficial games between them, sometimes between two rounds of a tournament.

Mato Damjanovic was born in Djeletovci on March 23rd 1927. His profession is chess journalism. He is one of the few foreign players to win their grandmaster's title in the Soviet Union. This was at a tournament in Soci in 1964. However, his best tournaments were in Zagreb where he lives. He was winner in 1969, and three years later he was second. His tournaments successes include second place in the international tournament in Salgotarjan (Hungary) and the fourth place he shared with grandmaster Stein in Amsterdam 1969. He was a member of the Yugoslav Olympic team in Leipzig 1960.

Playing chess he has travelled all over the world, but it has not changed him; he has remain simple and modest as ever. For example, his greatest and only hobby is collecting all kinds of cigarette lighters. Sometimes he walks for hours from shop to shop looking for some new lighter that is missing in his collection. But none of them stay with him very long; sometimes it simply does not work any more, or Mato loses it somewhere or has to give it as a present to some good friend -— ,”has to" because he could never refuse a friend.

Chess is the most important thing in the world for him, something almost sacred. He is always ready to participate in any tournament, whether in some big city or a remote village. Just as Bora Kostic once did, he also makes a distinction between people who play chess and others who do not.

Understandably, all his attention and interest are devoted to chess players with Mato frequently playing host to some player from foreign parts.

Though according to the medical experts he should be long past his zenith, he continues to play chess very well indeed — one might even. say that he plays better as the years go by.”

08/02/11

EBAY...XADREZ...CURIOSIDADES






Regressei às compras…de Xadrez evidentemente e no Ebay. E quando digo Ebay digo Worldwide : Ebay Fr; Ebay de; Ebay Uk Ebay com.

Muito haveria para escrever sobre este mercado mundial de leilões ou do Buy It Now, quer do seu lado positivo, quer negativo. Mas, não estou para aí fadado.

Regressei, é um facto, mas vai para quatro anos deixei pura e simplesmente de gastar dinheiro no Ebay, de licitar fosse o que fosse, de sequer passar os olhos pelos sítios leiloeiros.

Porquê?

Apesar de tudo, consegui um ou outro belo jogo de xadrez , ou livro raro um ou outro artigo ligado ao xadrez que procurava, então porquê esse cansaço, esse “desebayar” durante anos?

Problemas monetários?

Não sou louco, tenho autocontrolo e sempre soube até onde podia ir numa licitação, numa compra (essencial no Ebay, para evitar o vício e a “desgraça”!), apesar de vos confessar que por vezes ao perder um jogo de peças, ou um livro que queria mesmo, ou ao contrário, ao ganhar um determinado artigo, sentia uma adrenalina fora de comum em mim que sou calmo, e o coração num ritmo tão acelerado, que me comecei a surpreender e a assustar. Mas não foi por aí!

Problemas de Segurança?

Não! Para um consumidor Web minimamente informado e que saiba o que é o “Pishing”, que pague com Paypal, que saiba sem dificuldade descodificar o que lê, utilizando um tradutor como o Power Translator ( passe a publicidade), por aí a “porca não torce o rabo”. Posso-vos confessar que das quase uma centena de compras na Ebay e em sítios bem remotos, nunca tive um problema, nunca fui aldrabado, e o que comprei sempre correspondeu ao que pensava que tinha comprado.

Então o que aconteceu, se um determinado livro de xadrez só o pude adquirir via Ebay? Se determinadas peças Staunton procuradas há anos, só na Ebay as pude adquirir? Se consegui materiais de xadrez inacreditáveis a preços incríveis, de que me queixava? Ou melhor dizendo, de que me queixo agora, porque com ligeiras melhorias, o panorama é o mesmo?


Não me queixo da Ebay, que mercado mundial não consegue por muito esforço controlar o que se vai relatando aqui e ali! E o que se relata é o óbvio: Há muita gente a viver da Ebay,, mas utilizando a “Chico-espertice” há muito “truque”, muito jogo oculto e, até ouso dizer, uma certa “máfia comercialeira” , ligada ao negócio da venda da Ebay, e neste caso que me interessa aos produtos ligados ao xadrez!

Não me estou a referir ao palavreado envernizado para descrever um item, tabuleiro, peças, relógio, como “gorgeous”, “marvellous”, “ Very old”, e por aí fora, que é o papel do vendedor que quer vender o produto, que ele seja licitado por um preço mais alto, ou porque pura e simplesmente desconhece o que vende ao não perceber ”um boi de xadrez” e na sua ingenuidade tenta encantar o possível comprador! Nem sequer me estou a referir à qualidade das fotos ( ou só uma foto!) que por vezes só podem dar vontade de rir de tão más, ou porque o vendedor é mesmo assim, tem “máquina fotográfica que é cega”, ou porque é um indigente e julga que os compradores são todos parvos e comerão daquela papinha mal amanhada! Percebem porquê! Para esconder as mazelas do produto, para colocar a peça “estragada” escondida no lote, para vender um gato, que nem lebre é!

Nem sequer aos produtos de xadrez indianos baratíssimos, principalmente peças, que apesar das excelentes fotos, e portes muito acessíveis, têm alguns pés de barros, com “chumbos” colocados à pressão e indevidamente nas cavidades da base das peças (às vezes pesadíssimos) e que com o uso ou tempo, acabam por rachar implacavelmente a peça. Depois o que já uma vez expliquei: Punjab- xadrez -trabalho infantil.

Nem sequer ainda ao logro dos portes para o mesmo produto e a mesma forma de envio: para um vendedor italiano com o mesmo envio, os portes eram de 12 Euros, para outros 3, 5 Euros! Igualzinho em tudo, só que um queria “pagamento napolitano”

Não! Estou a referir-me a outro tipo de “truques”, de vigaristas profissionais, que vivem disto, e sobretudo, surpreendam-se, sabem de xadrez, de coleccionismo de xadrez, do que estão a vender e a tentar impingir!

Estou a falar daqueles que colocam peças de xadrez com o título de “Jaques” sabendo que não são! Algumas são parecidas, e num ou outro caso” até tem o “Jaques of London” gravado a fogo na base do Rei, e os símbolos vermelhos no Cavalo e Torre, todavia, uma só foto, ou duas, por vezes de muito má qualidade, mostram umas peças de uma perfeição notável, de uma pintura “patinada” que de antigo só deve ter o estilo, porque sentimos por ali varnish “sotinco” ou “dyrup”, para além de "Alves dos Reis"! Mas fazem isto com Jaques como o fazem com Ayres, ou British Chess Company!


Ou aqueles sacripantas que usando boas máquinas, sabem dominar a luz e o fundo, para transformar umas peças de xadrez dos anos 60, 70, em peças impressão de antigas, estilo anos 20-30! Alguns chegam mesmo a dar o “tinto” de patine antiga às peças! O mesmo para tabuleiros que são tão tão antigos que nem um risco têm e até brilham!


Ou aqueles que têm o desplante de escrever para umas “Regence”, ou um simples Staunton britânico relativamente recentes, o título de “Late XIX Century” ou “ Early XX”. Outros ainda utilizam com uma arrogância caganeira, nomes pomposos para dizer o indizível, “bakelite” quando é plástico, Ebony, quando são pintadas e como tal “nyed”, “mamouth bone”” para osso de qualquer coisa!


Mas há mais! Há em alguns casos exemplos típicos do estilo de “dumping” na venda de determinados artigos, ou seja, umas determinadas peças ao serem leiloadas, são em conluio de amigos, que vão fazendo falsas licitações no intuito de o preço do leilão inflacionar, ou não o conseguindo, “ a coisa” ficar sempre em casa para melhor oportunidade. Vai para semanas fui assistindo encantado a licitação de um simples British Chess Company que não vale 150 Euros, mesmo bem tratado; estava a 5 minutos do fim do Leilão nos 100, pois chegou aos 450! Claro que não foi a excitação dos últimos minutos, foi um jogo bem jogado por três “artistas” que fazendo um estudo dos “bids” se percebe ao interesse de quem estavam. Se calhar um patego caiu!


Mais ainda, e isto aconteceu comigo! Perante uma questão do comprador, o Vendedor tenta-lhe fazer uma proposta extra-Ebay, ou seja, uma forma de “Snipping” Ebay, proposta essa muito bem elaborada, parola, mas muito bem elaborada, numa linguagem sub-reptícia para não se ser denunciado.

Assim a Ebay!

Mas façamos uma reflexão: Então um artista que sabe o que tem e quer vender, por exemplo, Uma peças Jaques Staunton” Cook ou Zukertort, que valem bom dinheiro em leiloeiras internacionais, ou mesmo em encontro de coleccionadores, arrisca um leilão na Ebay, sem segurança? Qualquer avaliador de meia tigela, conforme o estado das peças (bom estado) e o tamanho, digamos “Club” por exemplo, avaliará entre 2000-2500 Euros no mínimo este jogo e o "Benfeitor-vendedor" arrisca-se a uns míseros ebayescos mil ou mil e quinhentos? Milagres só no tempo de Cristo e para quem acredita!


Um Fattorini maravilhoso ( como dizia o vendedor) sem mostrar a marca e com uma foto pouco mais que aceitável foi vendido a preço acessível de menos de mil dólares ainda há semanas na Ebay! Porque não lhe tocou um grande coleccionador, um ”tubarão” cheio de dinheiro, desses escafandristas da Ebay cheios de nota? Por esse preço um Fattorini, ou uma coisa “fattor” de época mas não inni? Foi um negócio que me cheirava a esquisito, confesso!

Ah! E as assinaturas do Fischer? E as “cuecas” do Fischer, (brinco) e a Biblioteca pessoal do Fischer? E o relógio argentino do match Alekhine-Capablanca? E as fotos originais de ?

Bem… fora da Ebay querem-se rir? E a mesa (com tabuleiro castanho!) e peças do Fischer –Spassky no Hall of Fame, quando os “aldubras” sabem que estão em Reiquiavique!?


Assim regressei à Ebay e durante três meses, de tudo tenho assistido, mas alguma coisa tenho comprado. Tudo raso, tudo baratinho, tudo quase aos mesmos vendedores de que sou quase “amigo”. Nenhum item ultrapassou os 150 Euros! Uma coisas que comprei no “Buy it Now”, outras que ganhei, sendo o único licitador, porque aquilo não interessa aos endinheirados, aos coleccionadores profissionais, aos “escafandristas” . Eram peças pobrezinhas, algumas cheias de feridas por anos e anos de uso, outras, não chumbadas, mas… que foi amor à primeira vista! Peças distantes de distantes países como a Letónia e Lituânia, ou cidades como S. Petersburgo,-Russia ou mais perto, de Munique, ou do Reino Unido. Foi um outro Livro completamente indisponível nos maiores alfarrabistas do Mundo, sejam na Allbooks ou Alibris!

Um ou outro jogo, quase que dei pulos de emoção! Era mesmo aquilo que queria, que ansiava vai para anos! Portes sempre acessíveis, num caso portes grátis em dois ou três jogos, e sobretudo gente de enorme honestidade, que existe muito neste mercado! Nenhum dos meus vendedores era desses artistas! Tudo à vista, excelentes fotos, descrição do material “come il faut”


Assim, regressei à Ebay! Professor português, ministerialmente “maltratadozinho”, sem grandes posses para cavalgadas leiloeiras, não - coleccionador, mas sim armazenador de paixão xadrezista!

Até quando? Não sei!

Faltam-me uma meia dúzia de jogos de Xadrez! Um Russo, um Checo (igual ou parecido com as peças do Match Lasker-Schlcechter), um Portoroz 1958 (sei onde existem - reprodução fabulosa-mas cara!), um sonhado: As peças extraordinárias do “Second Piatigorsky Cup” de 1966, um Jaques que até podia ser de reprodução do Sr. Camaratta da House of Staunton, se este não tivesse uns portes inacreditáveis, se não praticasse preços exorbitantes e se não me tivesse tentado aldrabar vai para anos quando lhe comprei vários e bons jogos, ao afirmar num mail particular que os Indianos sim era tudo mau, mas as que as peças dele não, que não eram fabricadas na India (pois não, talvez ao lado!). O Camaratta, não a faz barata! Depois porque chama nome errados aos “bois” numa comercial! As peças Zagreb 59 são bonitas mas “fake” e “is a stunningly chess accurate reproduction of one of the most popular chess sets used in the major International tournaments during the 1950s and 1960s”, nem sequer é musica, é ruído mentiroso! Bem na NET a estupidez é tanta que lhe chamam “Russian chess Set” ! Irra que é burro!

Pronto embirrações minhas, como tenho-tive com um agora “pobre” Bob Long, ou com M Pein da LCC. Só falta mesmo os Danailov (s) e os Azmaparashivili , os Crisan deste mundo dedicarem-se ao negócio do xadrez ( mas...não se dedicam?) para eu ficar radiante! É que os "Pandolfos", os Schiller e afins já lá andam!

Vejam a cena do próximo episódio sobre um negócio falhado por mim na Ebay, com Capablanca, Fidel, Havana e Tudo!

Bem...vai para minutos que tinha postado e fechado o artigo, todavia como estou bem disposto, aconselho os meus leitores a verem o que aqui vou colocar, só por causa das coisas e alicercar o que escrevi!

A- 19th C. JAQUES BOXWOOD CHESS PIECES

(Diga lá outra vez? -Jaques Quê? Podem ser Ayres, ou mesmo uma versão da British Chess Company! Em que é que este vendedor se baseia para dizer que são Jaques ( apesar de serem peças soltas e não um jogo completo)? Pelo Rei estampado a encarnado na cabeça do Cavalo? Mas isso acontecia noutras peças sem ser Jaques!

B- BAYERWALD JOHN JAQUES WEIGHTED CHESS SET AND BOARD


( Extraordinário! O "homem" sem querer diz a verdade: é uma mistura de Bayern de Munique com Jaques! Jaques "a ponta dum corno" - Este jogo é uma versão de madeira de um conjunto Staunton Alemão, muito utilizado nos Opens alemães na versão plática! Tenho um igualzinho, pois a Majora Vai para anos comercializou este jogo! Tem a lata ou a ignorância de dizer que o jogo está na caixa original! Pedia quase $150 ! Nem metade vale!)


C- John JAQUES London Weighted Staunton Chess Pieces & Box



( Diga lá? Talvez a única coisa Jaques seja a Lata...perdão a caixa! As peças são claramente umas Pré-Lardy, ou mesmo Lardy, ou quando muito, um Staunton Britânico baratucho! Mas pronto, há que atirar o barro à parede! Jaques está a dar e tenta-se que cole!

Já agora para que saiba, por vezes informa-se o vendedor do equívoco e este responde agressivamente ou manda-nos à real m... pelo silêncio! Claro, iamos estragar a marosca!

Ainda há dias, vi uma foto fabulosa de um jogador Português de xadrez nas Olímpiadas-Leipzig 60- com um conhecido jogador soviético. O "gajo" dizia no site que a foto era original, muito antiga, mas mesmo sendo coleccionador - presidente da COSSU (Chess on Stamps Study Unit) e tendo um museu em casa, não sabia a data da foto! Okay, escrevi-lhe, disse-lhe a data da foto, o nome do jogador Português. a ronda, o resultado. O "artistão" agradeceu, elogiou o meu conhecimento, e passado 4 dias tudo na mesma, nem a ombridade teve, de corrigir o que tinha escrito! Claro, um patego pagou $50 por uma foto que até duvido da originalidade!


05/02/11

Mestre JOÃO CORDOVIL





Tem um Blogue “Jogo Real”.

Tal como esperava, humor fino, alguma contida ironia, mas sobretudo, uma belíssima escrita, uma prosa de quem já muito palmilhou nas escritas estradas do xadrez português.

A temática do seu primeiro post, para além do espírito crítico, de uma riqueza prática assinalável e cujo conteúdo deveria ser impresso mentalmente por qualquer jovem jogador que se preze a ter aspirações, por treinador de que não nos envergonhemos, por amante de xadrez que queira iniciar ou completar biblioteca. Chamou-lhe “Biblioteca de Mestre-Aprendiz”, chamar-lhe-ia antes, “Biblioteca Inicial da Nossa Xadrezística Paixão”, pela diversidade, pela temática, pela qualidade das propostas apresentadas. Digo inicial, porque Mestre Cordovil só “dispunha “ de cerca de 600 de Euros para a sugestão. Meteria a foice em “seara alheia” se na sugestão e por mais uns cobres, se pudesse encaixar um tabuleiro de madeira com casa obrigatória entre 5,5 e 6 centímetros e umas peças Staunton 5-6 de qualidade.


Muito haveria a dizer de Mestre João Cordovil, do seu papel no xadrez português, da sua qualidade invulgar de lutador de competição, do seu amor à modalidade, da sua cultura xadrezista, da sua qualidade de divulgador da modalidade nos meios de comunicação social e, sem despeito para ninguém, até hoje sem paralelo, do seu empenho em melhorar a modalidade através de propostas credíveis, fortemente exequíveis, que devido às cabeças ocas, aos cérebros lâmpadas de filamento que vão (des) governando o xadrez português vai para anos, nunca, ou quase nunca foram tidas em conta.


O que tenho a dizer de Mestre João Cordovil (sempre o tratei assim, e sempre o tratarei assim, porque na minha categorização interior do xadrez português, não é Mestre quem quer, mesmo com “fidescas” letrinhas maiúsculas), disse-lho através de um diálogo travado no antigo Blogue Ala-de-Rei do amigo Francisco Vieira, no seguimento de um comentário do Mestre, ao pouco reconhecimento da sua entrega e trabalho ao xadrez que os xadrezistas portugueses demonstravam. Talvez seja verdade, sim senhor, ou pelo menos semi – verdade, porque mais do que não reconhecimento, em determinados círculos (mais “capitaleiros”), houve sim, despeito, lugar-comum, inveja, ou como mais frequentemente apelidamos: “dor-de-corno” em relação a Mestre João Cordovil. Malhas que o Xadrez português tece!

Neste meu blogue Já dediquei um artigo a Mestre João Cordovil intitulado " Um Livro ... e João Cordovil", agora junto-lhe duas partidas de que gosto particularmente. São duas partidas que definem um pouco o seu estilo. Duas partidas de ataque, expeditas, de uma grande elegância conceptual na forma simples e directa de conjugar espaço-tempo, melhor disposição das peças e forma de ataque ao Roque negro. Curiosidade: em ambas as partidas: os seus adversários parecem não ter cometido erros graves, ou seja, não existe um lance, ou sucessão de lances que dite o triste destino do Rei negro, ou talvez exista…as Negras terem realizado o lance universal aconselhado - o Roque.
Depois, uma terceira partida em que Mestre Cordovil, através de belom labor posicional, obtém uma magnífica vitória contra Vega Holm

Cordovil,Joao Maria - Garcia Martinez,Silvino [B80]

Siegen ol (Men) qual-E Siegen (6), 10.09.1970

B80: Defensa Siciliana (variante Scheveningen)

[Arlindo Vieira]

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 d6 6.Bg5 Be7 7.f4 h6 8.Bxf6 Bxf6

A mesma variante que irá utilizar muitos anos depois na partida com Luís Galego

9.Dd2 a6 10.0–0–0 0–0 11.Rb1

[11.g4 Cc6 12.Cb3 Db6=]

11...b5

[11...Db6 12.Cf3=; 11...Db6 talvez não fosse de desprezar]

12.g4! Bb7 13.Bg2 Cd7


(13...b4)

14.e5 Bxg2 15.Dxg2 dxe5 16.fxe5 Bh4 17.Cf3 Ta7?
[17...Be7 18.Thg1;
17...Be7 18.h4 Tc8 19.g5 h5 20.Ce4 Tc4 21.De2 Dc7 22.b3 e as Brancas mantêm a superioridade]

18.Ce4 De7


[18...b4!?±]

19.g5+-


[19.Cxh4?! Dxh4 20.Td4 Cxe5=]

19...Bxg5 20.Cfxg5 hxg5?

[¹20...Cxe5 21.Cf3 Cc4+- e as negras devem tentar sobreviver ao ataque Branco com uma peça por dois peões, o que se tornará quase impossível devido à excelente coordenação das peças brancas e às linhas abertas sobre o Rei negro]

21.h4 g4

[21...f5 22.exf6 gxf6 23.hxg5 Dg7 24.g6]

22.Txd7!

Elimina praticamente o único defensor do Rei

22...Txd7 23.Cf6+ Rh8

[23...gxf6 24.Dxg4+]

24.Dxg4 g6

[24...gxf6?? refuta-se com mate em 2- 25.Dh5+ Rg7 26.Tg1#]

25.h5

[25.Cxd7? Dxd7 26.h5 Dd5+-]

25...Rg7 26.hxg6

[26.hxg6 Td1+ 27.Dxd1 Dxf6 28.Th7+ Rg8 29.exf6 Te8 30.Tg7+ Rf8 31.Dd6+ Te7 32.Dxe7#]

1–0




Cordovil,Joao Maria (2300) - Galego,Luis (2405) [B98]

Lisboa-chB (6), 1992
[Arlindo Vieira]

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 d6 6.Bg5 a6 7.f4 Be7 8.Dd2 h6 9.Bxf6
receita de Mestre Cordovil que já havia aplicado em várias partidas, nomeadamente contra o GM Silvino Garcia-partida acima. Cede-se um bispo, também não deixa de ser verdade que se elimina uma peça importante defensivamente num possível ataque no flanco de Rei, o Cavalo de Rei.

9...Bxf6 10.0–0–0 Dc7 11.Rb1 0–0

Talvez fosse preferível retardar o Roque e aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Ou iniciar uma acção no flanco de Dama, ou tentar um reagrupamento de peças com um plano à base de Cd7 (controlo da casa e5) e talvez um futuro retorno do Bispo à casa siciliana de origem e7

[11...Bd7 12.Be2 0–0 13.g4 b5 14.Bf3 b4 15.Cce2 Cc6 16.Cxc6 Dxc6 17.Dxd6 Tac8 ; 11...Cd7 12.g4 g5 13.f5 Ce5 14.Be2 b5]

12.g4 b5

[12...Cc6 13.Cb3 (13.Cxc6 Dxc6 14.Dxd6 Bxc3 15.Dxc6 bxc6 16.bxc3 c5 17.Bc4 Bb7) 13...Be7]

13.Bg2 Bb7

Novamente se coloca a questão se este Bispo não estaria melhor posicionado defensivamente na diagonal c8-h3, e se não seria sensato jogar a Torre a a7 [13...Ta7]
14.h4 Cc6

[14...e5?! era muito duvidoso, pelas casas f5 e e5 ficarem irremediavelmente enfraquecidas]

15.Cxc6 Dxc6 16.Ce2 Be7 17.g5

Começa o ataque no flanco de Rei. Olhando desapaixonadamente para a posição, o espaço controlado pelas Brancas é claramente superior, a possibilidade de manobra das peças Brancas mostra futuro e apesar do par de Bispos das Negras, sente-se que a dificuldade de coordenação das peças não é a melhor e que ao monarca Negro parece faltar defesa adequada

17...h5

[17...Dc4 18.Cd4 (18.gxh6 gxh6 19.Cd4 Rh7 20.e5 Bxg2 21.Dxg2) 18...h5 19.f5±]

18.f5 exf5

[18...Dc4!? 19.Thg1 Tfc8± 20.f6 Bd8 21.fxg7 Bxe4 22.Bxe4 Dxe4 23.Cf4 com clara vantagem]

19.Cd4+- Dc4 20.exf5 Bxg2

[20...d5 21.f6 Bc5 22.fxg7 Tfe8 23.Df4 Bxd4 24.Txd4 De2 25.g6]

21.Dxg2 Tfe8

[21...d5 22.Th3+-]

22.b3

[22.Df3 Tac8 23.Dxh5 b4+-]

22...Dc5

[22...Dc3 23.Thf1 Ta7 24.f6+-]

23.Df3

A posição Branca é tão favorável que outros lances dariam vantagem quase decisiva [23.The1 Dc7+-; 23.f6 Bf8 24.g6]

23...Bf8

[23...Tac8+-]

24.g6 Ta7

[24...Tac8 25.Dxh5 fxg6 26.Dxg6+-]



25.Dxh5

[25.Thg1!? também ganhava 25...Te5 26.Tg5 fxg6 27.fxg6 Txg5 28.hxg5 Dxg5+-]

25...fxg6 26.Dxg6 Tf7 27.Thf1

[27.f6 também ganha 27...Tc8 28.Thg1 De5+-; 27.f6 De5 28.Cf5 Txf6 29.Ch6+ Rh8 30.Cf7+ Txf7 31.Dxf7]

27...Be7??

Um erro numa posição desesperada [27...Dc3+- 28.f6 Te3 29.fxg7 Txg7 30.Dh5 Be7 31.De8+ Rh7 32.Tf5 Te5 33.Dh5+ Rg8 34.Txe5 dxe5 35.Ce6]

28.f6!

[28.f6 Bxf6 29.Txf6 Txf6 30.Dxe8+ Tf8 31.Dxf8+ Rxf8 32.Ce6+ Rf7 33.Cxc5 dxc5 34.Td6+-]


1–0


Cordovil,Joao Maria (2220) - Vega Holm,Fernando (2410) [C15]
Masters 6th Loures (6), 07.12.1998

1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Bb4 4.Cge2 dxe4 5.a3 Bxc3+ 6.Cxc3 Cc6 7.Bb5 Cge7 8.Bg5 f6 9.Be3 f5 10.Dh5+ g6 11.Dh6 Rf7 12.0–0–0 Cg8 13.Df4 Cce7 14.Cxe4 Cd5 15.Cg5+ Rg7 16.De5+ Cgf6 17.Bd2 a6 18.Be2 b5 19.Bf3 Te8 20.h4 Dd6 21.The1 Bd7 22.Dxd6 cxd6 23.Bb4 h6 24.Ch3 Ce4 25.Bxe4 fxe4 26.Bxd6 Bc6 27.Td2 Rf7 28.Bf4 Cxf4 29.Cxf4 a5 30.Te3 Tad8 31.Tc3 Td6 32.Tc5 Ted8 33.c3 Rf6 34.g3 g5 35.hxg5+ hxg5 36.Cg2 Th8 37.Ce3 Be8 38.Cg4+ Rg6 39.Te2 Td5 40.Txe4 Td6 41.Tee5 Th5 42.Rd2 Bc6 43.Ce3 a4 44.Re2 Rf6 45.Cg4+ Re7 46.Txg5 Th1 47.Tg7+ Rd8 48.Ce5 Be8 49.Tcc7 Tb1 50.Ta7 1–0