XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

08/11/10

KUPREICHIK, Viktor 1

Mas para suavizar a entrada deste artigo, proponho agora colocaram as peças no tabuleiro e verificarem como Kupreichik consegue «parar» o jovem Kasparov, então jovem estrela em ascensão fulgurante, no 49.º Campeonato da URSS em Frunze, aliás ganho por Kasparov e Psakhis. Neste torneio, Kasparov, «levou ao tapete» 10 Grandes Mestres de renome, muitos deles de forma brilhante. Kupreichik não! Consegue conter todas as arremetidas de Kasparov e até o obriga no final a demonstrar todos os seus já extraordinários dotes técnicos. Antes como agora, não era qualquer jogador que se podia gabar de ganhar ou mesmo empatar como Kasparov e, isso só vem demonstrar a imensa categoria de Viktor Kupreichik.


Kasparov,Garry (2630) - Kupreichik,Viktor D (2580) [D18]

URS-ch49 Frunze (9), 12.1981

1.d4 d5 2.c4 c6 3.Cf3 Cf6 4.Cc3 dxc4 5.a4 Bf5 6.e3 e6 7.Bxc4 Bb4 8.0–0 Cbd7 9.Db3 a5 10.Ca2 Be7 11.Ch4 Be4 12.Cc3 Cb6 13.Be2 0–0 14.Cxe4 Cxe4 15.Cf3 Cd5 16.Ce5 Cb4 17.Bf3 Cg5 18.Bg4 Dd5 19.Bd1 Tfd8 20.Bd2 Ce4 21.Bc3 c5 22.Dxd5 Cxd5 23.Bf3 cxd4 24.Bxd4 Cd2 25.Tfd1 Cb3 26.Tab1 Bf6 27.Cc4 Bxd4 28.exd4 Cb4 29.Bxb7 Tab8 30.Bf3 g6 31.Rf1 Tbc8 32.Be2 Cc2 33.Cd2 Ccxd4 34.Cxb3 Cxb3 35.Txd8+ Txd8 36.Td1 Tc8 37.Re1 Rg7 38.Td3 Tc1+ 39.Bd1 Cc5 40.Td8 Tb1 41.b3 Cxb3 42.Tc8 Tc1 43.Txc1 Cxc1 44.Rd2 Ca2 45.Bb3 Cb4 46.Rc3 Rf6 47.Rc4 Re5 48.Rb5 Rd6 49.Rxa5 Rc5 50.f4 Cd5 51.Ra6 Rb4 52.Bd1 Ce3 53.Bf3 Rxa4 54.Rb6 Rb4 55.Rc6 Rc4 56.Rd6 Cd5 57.Re5 Rd3 58.Bxd5 exd5 59.Rxd5 Re3 60.Re5 ½–½




Viktor Davidovich KUPREICHIK, nasce em Minsk, na Bielorússia no dia 3 de Julho de 1949. A «Maravilha de Minsk» como é conhecido no mundo do xadrez, desde cedo revela aptidões inatas para o jogo. Apoiado por professores-treinadores competentes como Anatoly Bykovsky e sobretudo Isaac Boleslavsky, consegue uma progressão constante nos degraus do Olimpo xadrezístico, embora segundo os parâmetros actuais das titulações, lenta: Mestre Internacional em 1977 (28 anos ) e Grande-Mestre, três anos depois, em 1980.


A conjugação do talento natural, aliado ao treino intensivo na senda da escola soviética, supervisionado pelos tais treinadores referidos, teriam de dar necessariamente os seus frutos e Viktor KUPREICHIK aos 16 anos já era Mestre de Xadrez da URSS, para com 20, participar pela primeira vez numa fase final do Campeonato da URSS. O seu talento e o seu agudo estilo de jogo, nunca foi negado, quer pelos seus treinadores, quer por quem o conheceu jovem, embora a sua atitude perante o tabuleiro, lhe valessem muitas vezes, por parte de alguns «críticos», palavras como, indisciplinado, ou descuidado. Falta saber se referidas ao seu jogo, ou à sua natural fogosidade juvenil.


Bykovsky, seu treinador nos anos 60, enquanto júnior, traçou dele o seguinte perfil: «Muito bom tacticamente; só tem olhos para o rei adversário. Kupreichik joga rápido e sempre para o mate». Curioso, que mais ou menos 15 anos depois, a opinião de seu antigo treinador, mantinha-se na essência inalterada sobre o estilo do seu ex-pupilo, afirmando que : «Hoje, Kupreichik, ainda joga melhor, porque tornou o seu estilo de ataque mais refinado, embora aqui e ali algo errático, aventureiro, com altos e baixos». Querem verificar como jogava o jovem Kupreichik com 14, 15 anos?

A 1.ª partida, uma deliciosa miniatura, está nos manuais da Holandesa e particularmente nos capítulos «como não se deve jogar um Gambito Stauton, de brancas», ou se quiserem como «um caçador é caçado»! Vejamos se é ou não verdade que Kupreichik, «só tinha olhos para o rei adversário».

Malisov Boris - Kupreichik Viktor [A82/03] Minsk, 1963

1.d4 f5 2.e4 fxe4 3.Cc3 g6 4.h4 Bg7 5.h5 d5 6.f3 Cc6 7.Bb5 Dd6 8.fxe4 Dg3+ 9.Rf1 Ch6 10.Bxh6 0–0+ 11.Cf3 Bg4 12.De1 Txf3+ 13.Rg1 Bxd4+ 0–1





O mesmo poderemos fazer na 2.º partida em que o já então conceituado Bagirov, se vê alvo de um ataque terrível, ao cometer a imprudência de deixar o seu rei no centro.

Bagirov Vladimir - Kupreichik Viktor [D17]
Leningrad, 1965 [Kupreichik]

1.d4 d5 2.c4 c6 3.Cf3 Cf6 4.Cc3 dxc4 5.a4 Bf5 6.Ch4 Bg4 7.h3 Bh5 8.g4 Bg6 9.Cxg6 hxg6 10.g5 Cd5 11.e4 Cb4 12.Be3 e5 13.dxe5 Cd7 14.f4 Bc5 15.Bd2 Cxe5 16.fxe5 Dd4 17.De2
[17.Th2 Txh3!! 18.Bxh3 (18.Tg2 Cd3+ 19.Bxd3 cxd3–+) 18...Dg1+ 19.Bf1 Cd3+ 20.Re2 Dg4#]
17...Cc2+ 18.Rd1 Cxa1 19.Dxc4 0–0–0 20.Th2 Dxe5 21.Te2 Td4 22.Da2 Df4 (se 23.Bg2-Thd8 24.Cb1–Bb4) 0–1





Na terceira, contra o MI austríaco Danner, Kupreichik, demonstra com eloquência e mais uma vez, como castigar um rei centralizado, através de uma série de sacrifícios espectaculares.


Kupreichik Viktor - Danner Georg [B94/09]
Groningen, 1966

1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Bg5 Cbd7 7.Bc4 Da5 8.Dd2 e6 9.0–0–0 b5 10.Bb3 Cc5 11.e5 b4 12.exf6 bxc3 13.Df4 gxf6 14.Bxf6 Tg8 15.Rb1 Tg6 16.The1 Db6 17.Bh4 Ta7 18.Cf5 Td7 19.Dd4 cxb2 20.Dh8 Cxb3 21.Be7 Txe7 22.Cxd6+ Dxd6 23.Txd6 Ca5 24.Td8+ Rxd8 25.Dxf8+ Te8 26.Dd6+ Bd7 27.Td1 1–0







Mas se talento e força de vontade, não faltava ao jovem bielorusso, faltava-lhe a experiência, o traquejo de jogo, medir forças com aqueles que poderíamos apelidar de super Grande-Mestres de então, e, na URSS, eles não faltavam, ou não fosse a grande super-potência xadrezística que dominava o xadrez mundial desde os anos 40-50.


Verdes anos, para tanta «fartura xadrezística», aquela que se apresentou em Moscovo no dia 5 de Setembro de 1969, para disputar a final do 37º Campeonato da URSS. 22 competidores, alguns da talha de um Petrosian, Polugayevsky, Smyslov, Stein, Tal, Geller, Balashov, Kholmov, Gipslis, Taimanov, Furman entre outros e o jovem Kupreichik com os seus 20 anos.


Para muitos, o esperado, para Kupreichik, talvez não! O último lugar, o 23.º| Antes do Torneio, tinha afirmado da importância do evento e da experiência que poderia advir para a sua carreira, bem como da oportunidade que teria de jogar com jogadores de top do xadrez mundial, coisa que poderia ser difícil no futuro, todavia, a sua «performance», mais do que uma desilusão, foi um «regresso à terra» à consciência de que o xadrez de alto nível, exigia outro tipo de abordagem , de trabalho, de experiência.Com os nove primeiros classificados, consegui 7 empates, todavia no final encaixou 12 derrotas e só três vitórias.


Mas nem tudo se tinha perdido, pelo contrário, algo se tinha ganho! E se Kupreichik se tinha apresentado em Moscovo, decidido a lutar, a não abdicar do seu estilo combativo, táctico por excelência, com o gosto da criatividade e de assumir riscos no tabuleiro, apesar do desaire, conseguir marcar um estilo, uma forma de abordar o jogo, que lembrava grandes jogadores do passado antigo e recente. Muitas partidas que perdeu, perdeu-as porque arriscou em demasia, porque assumia as despesas do ataque, porque fiel a uma dinâmica de luta, violou muitas vezes as regras posicionais.


O nome de Viktor Kupreichik, não ficou indiferente no xadrez soviético. Sabiam agora, quem era Viktor Kupreichik, certamente não um candidato ao trono mundial do xadrez, mas um jogador extremamente perigoso para qualquer jogador, mesmo conceituado, e sempre disposto a agitar as águas calmas, por vezes demasiado calmas de um torneio, com partidas espectaculares, plenas de beleza combinatória, de audazes golpes tácticos.


A sua carreira, a partir daqui irá decorrer entremeada de altos e baixos, de excelentes resultados, alternados com zeros impiedosos nas classificações. A sua classe e fama, entretanto foram crescendo, bem como o gosto pelo seu estilo das suas partidas, e regalo dos espectadores!


Em mais Campeonatos soviéticos absolutos jogou Kupreichik, com resultados diferenciados, todavia para mostrar a inconsistência de resultados, de estabilização de um padrão de actuação com vista às tabelas classificativas, que sempre marcou a sua carreira até hoje ( e basta ver o resultado medíocre no Memorial Chigorin , para semanas depois ganhar o Torneio B da Aeroflot com um à vontade incrível!), refira-se que depois do pesado desaire do Campeonato Soviético, e à mistura com o seus estudos na Universidade Estatal da Bielo-Russia e jornalista de xadrez no Jornal Znamya Yunosti ( Bandeira da Juventude), foi incluído na Selecção de Jovens mestres, para um encontro no sistema Scheveningem, em Sochi, com uma reputada selecção de Grandes-Mestres como Tal, Korchnoi, Stein, Lutikov, Suetin, entre outros. Os jovens mestres ( Kuzmin, Tukmakov, Vaganian, Beliavsky...) deram boa conta de si, perdendo por uma margem mínima. E Kupreichik, que tinha ocupado o lugar referido um ano antes, agora consegue uns respeitosos 7,5 pontos de 14, contra a forte concorrência.



07/11/10

KUPREICHIK, Viktor


Um dos jogadores mais fascinantes do xadrez do século XX.

Um dos grandes jogadores de ataque da história do xadrez e infelizmente pouco conhecido. As suas partidas de ataque são jóias preciosas na arte da combinação e os sacrifícios intuitivos deveriam fazer parte do estudo de qualquer jogador que pretenda melhorar a visão combinatória.

Um jogador que se enquadra na linha histórica de um Anderssen, Charousek, de um Blasckburne, Marshall, Spielmann, Tolush, Nezhmetdinov, Shamkovich e mais recentemente de um Morozevich.

Uma pena que as suas partidas sejam tão pouco conhecidas e estudadas, e que muitas vezes apareçam só as suas derrotas. Algumas das suas partidas são impressionantes pelos sacrifícios e a visão combinatória, demonstrando um sentido de risco e gosto pelo ataque que as torna autênticas maravilhas.

Assim, para o inicio de vários artigos sobre Viktor Kupreichik ( Campeão Europeu de Veteranos-recentemente), aqui vai um vídeo que fiz e que coloquei no YouTube. No futuro, um pouco mais sobre este grande jogador ex-Urss , hoje Bielorusso.

29/10/10

TOPAS? ...LOVE!



Estou mesmo irritado...ou direi melhor, à maneira do Porto: Vão enganar a vossa tia! Estou farto de proxenetismo no tabuleiro top do xadrez mundial, bolas!

Topas? I love!
1500 de Elo, ou 2803? Ó Silvio, estou Danai...love! Um duplo!

Nanjing, uma VERGONHA para o xadrez mundial! Já não é só um gato escondido com rabo de fora...é um gatil!


E boa Noite, porque vou higienizar o meu cérebro com qualquer coisa como: KUPREICHIK-Gufeld URSS, 73

27/10/10

NANJING...CLÁSSICOS E AFINS 1

Estamos na 4ºsessão do Torneio citado. Do lado das Brancas o francês Etienne Bacrot e de Negras, o Campeão do Mundo, Anand. Uma diferença de 73 pontos de elo separa os dois jogadores, o que diga-se de passagem, a este nível é uma diferença bem acentuada:pelo menos pensamos nós, ou achamos, comuns mortais que somos.
Bacrot tem um Bispo por dois peões e acaba de jogar o seu 42ª lance. Anand depois de pensar reage avançando o peão g, para 3 jogadas depois abandonar. Afinal que se passou? Como Karsten Muller demonstra a partida está completamente empatada, devido a pormenores técnicos nem sequer muito complexos de descobrir para um jogador da craveira de um Campeão do Mundo.

42.Ae2

The wrong outside pawn. Normally an extra piece will win fairly easily in an endgame, but that may not be the case if the attacker has very few pawns. If one of them is, in addition, a "wrong colored outside pawn" then it can easily become impossible:

42...g5?



After this the path of the black king to the kingside is blocked and the extra pawn can repeatedly use the sharp endgame weapon of zugzwang to win the day. [42...e5+ on the other hand keeps all options open and draws: 43.Rd5 (43.Re3 g5 44.Aa6 (44.h3 e4 45.Rd4 g4 46.hxg4 fxg4 47.Axg4 Rg5 48.Ah3 Rf4= and the black counterplay is sufficient to draw.) 44...f4+ 45.Rf3 e4+ 46.Rxe4 h3 47.gxh3 Rg7=) 43...e4 (43...h3? would be premature: 44.g3 f4 45.g4 (45.Re4 Rg5 46.Af3+- wins prosaically) 45...Rg5 46.Rxe5 Rh4!? #Black sets a clever little stalemate trap, which can, however, be circumvented. 47.Af3 (47.Rxf4? g5+ 48.Rf5 patt) 47...g5 48.Ad1 f3 49.Re4 f2 (49...Rxg4 50.Axf3+ Rh4 51.Ae2 g4 52.Rf4 Rh5 53.Ab5+-) 50.Ae2 f1D 51.Axf1 Rxg4 52.Ab5 Rh5 53.Ae8+ Rh6 54.Rf5 #and in this constellation White can win in spite of the wrong colored bishop: 54...Rh7 55.Rf6 Rh8 56.Ag6 Rg8 57.Ad3 Rh8 58.Rf7 g4 59.Ae4 g3 60.hxg3+-) 44.Ad1 Rg5! #The king uses this route to either convert the white g-pawn into a wrong-colored h-pawn, or to eliminate it altogether: 45.Re5 f4 46.Rxe4 (Even after 46.h3 f3 47.gxf3 exf3 48.Axf3 Rh6 White cannot gain anything from his outside pawn, e.g. 49.Rf6 Rh7 50.Ad5 Rh8=) 46...h3 47.g3 (47.gxh3 Rh4 48.Ag4 f3 49.Rxf3 g5 50.Af5 Rh5=) 47...fxg3 48.hxg3 h2 49.Af3 h1D 50.Axh1 Rg4=]

43.Aa6! g4



[Now the white king can cut off Black's path after 43...e5+ 44.Rd5 e4 45.Af1 g4 rechtzeitig den Weg abschneiden: 46.Rd4 Rg5 47.Re3 h3 48.g3 f4+ 49.gxf4+ Rf5 50.Aa6 g3 51.Ac8+ Rf6 52.Axh3 gxh2 53.Ag2+-]

44.Ab7! e5+



[44...f4 45.Re4 f3 46.g3+-]

45.Rd5! f4

[45...e4 46.Rd4 h3 47.g3 f4 48.Rxe4+-]

46.Re4


and Anand resigned because in the end all of his pawns will fall, e.g.[46.Re4 h3 47.g3 fxg3 (47...f3 48.Ac8 f2 49.Aa6 Re6 50.Re3+-) 48.hxg3 h2 49.Re3+-] 1–0


( para a reprodução da partida em "flash" Vão ao site da Chessbase.


Aqui a minha completa e inaudita surpresa:

A- Como é isto possível num jogador de 2800 pontos de Elo e um Campeão do Mundo? Polémico ou não, aí vai: um Capablanca, um Lasker, Um Alekhine, um Rubistein, Botvinnik ou Fischer "and so on"...JAMAIS PERDERIAM ESTE FINAL! JAMAIS! E nem precisariam da experiência acumulada para com uma análise relativamente simples descobrir o lance salvador 42...e5!
Com tantos séculos de xadrez acumulados, com tanto xadrez de tabuleiro, como é possível a Anand não percepcionar este final como empatado e não avançar o Peão de e? Não entendo! Cansaço, dirão alguns, "distracção momentânea de tabuleiro, outros, todavia este erro incrível de Anand mereceria uma análise mais detalhada dos porquês de perder a mão a uma posição, que um jogador mesmo não do topo, conseguiria segurar.


Lá está: Se isto fosse jogado nos anos 10, 20, ou 30, por um Amos Burn, por um Speelman, ou Marshall, ou Teichman, ou Duras, dir-se-ia com toda a prosódia costumeira: "aí está um dos males dos clássicos e das partidas de jogadores do passado: uma fraca e incipiente compreensão dos segredos do jogo, nomeadamente da arte dos finais. Impossível um jogador hoje do topo cometer um erro tão básico na condução deste final".

Claro que se fosse um jogador MI ou GM na casa dos 2500, a realizar o lance, dir-se-ia o evidente: "fraco jogador, aqui se nota a diferença entre um jogador do topo mundial e um GM dos comuns!"
Pois é...mas como foi Anand, nota-se um silêncio comprometido aliado a uma reverência compreensiva que me incomoda. Duvidam? Ora expliquem-me lá isto, até porque eu sou muito burro:

B- Então Anand faz um lance horrível que perde de imediato três lances depois e o "bom" do Karsten Muller dá a 42...g5 só um ponto de interrogação? Brinca-se em serviço? o lance 42...g5 é ?? o resto é conversa, ou cabeça demasiado inclinada de quem quer manutenção com "deus e o diabo"!

Pronto, lá virá o costumeiro: as exigências físicas e psicologicas durissimas de um moderno torneio de xadrez do topo, a inexistência hoje de adiamentos, o cansaço de longa luta ( pois, a este nível até aos vinte lances ou mais é teoria e se calhar depois ("Rybka work"), uma "cegueira" momentânea, a complexidade e aproximação de força de jogadores...tudo, talvez exceptuando : Anand não sabia empatar este final, pura e simplesmente, não conseguiu vislumbrar nas tais centenas e centenas de posições que parecem guardar no cérebro os GM de topo (diz-se), esta!

Aliás caros e parcos leitores deste blogue, querem mais exemplos de torneios relativamente recentes onde jogadores de topo cometem erros inacreditáveis, ou mostram uma carência confrangedora de técnica de finais? Ia pesar no blogue acreditem!

Porque razão estes erros eram tão raros num Capablanca, num Alekhine, Lasker, num Botvinnik, Petrosian, Fischer ou Kasparov, e agora se estão a tornar comuns e mais grave, os decisórios de partidas, porque os empates vão abundando nestes torneios (pronto, eu sei, já conheço o que alguns estão a pensar-a enorme evolução do nosso jogo! Pois, mas um Fischer, Karpov, Kasparov, lá iam quebrando o mito, não é? Ou... estou a falar de jogadores, os que citei, de outra galáxia xadrezistica?).


Vamos continuar?

Estamos na 5ª sessão e de brancas está o jogador chinês com um Elo incrível de 2732, e de negras, novamente Etienne Bacrot. O jogador francês, acaba de jogar ao 29ºlance f6 com a ideia clara de ganhar uma peça. Que joga o GM chinês? Um lance inacreditável que pura e simplesmente dá uma peça "de borla"! Depois, em vez de manter a calma e por problemas técnicos e resistir ao seu adversários com a retirada do seu Bispo a e3, joga um 31.Ce5, para abandonar poucos lances depois.


28...Td7 29.Af4 f6 # 30.Rh2??


A terrible mistake! White loses a piece! [30.Axd6 Tad8 31.Af4 Txd2 32.Txd2 Txd2 33.Axd2 Ad3 34.a3 Axc4 35.Rh2 e5 36.Rh3 Ae6 37.Rh4 In spite of practical difficulties the position is about even.]

30...e5 31.Cxe5



A disastrous try. White is hopeless and Bacrot has not difficulty converting his advantage.

(31.Ae3 Tg7 32.Txd6 Txg4 33.Txb6 Txa2 34.Td7+ Tg7 A.V )

Af4 Cxc4 38.g4 Axg4 39.h6 Ae6 40.Rg3 Ad5 41.Rg4 Cb2 42.a3 Cd1 43.c4 Cxf2+

A fine victory for the French warrior and a very bad day for the Chinese GM. 0–1


Uma curiosidade malandra da minha parte: o comentador da partida da ChessBasse é o GM Elshan Moradiabadi e não tem problemas em colocar no lance de Yue 30.Rh2 dois pontos de interrogação (??). É engraçado comparar com o exemplo anterior do Karten Muller: Dois pesos e duas medidas, conforme um péssimo lance do Anand ou de um Yue! Se fosse o Yue a jogar o g5 do Anand, se calhar o Muller até lhe dava três pontos de interrogação! (talvez por aqui percebam porque deixei de assinar algumas revistas de xadrez consagradas-isso mesmo, demasiado consagradas e subjugadas a interesses e mestrias!)

Então explicação para o que viram? Não, não era o Arlindo Vieira, nem o Sirgado,nem o Castanheira , foi um GM com qualquer coisa de assustadores 2732 de Elo. Então, onde a máquina poderosa de cálculo destes tais GM de 2700 para cima?

Rio-me a pensar se esta partida fosse jogada de Brancas por um Zukertort, por um Maroczy, por um Mieses, um Blackburne -a festa que seria para os tais bimbos que querem fazer bombos dos clássicos! Repito as vezes que quiserem: estes erros incríveis estão a acontecer em Torneios de alto nível com jogadores de alto nível, certamente como aconteciam com jogadores fortes do passado ( raramente com os Grandes, é certo), por isso é tão engraçada a parábola biblíca do argueiro na vista do outro...
Que quero demonstrar com isto? Nada! Pura e simplesmente nada! Apenas não posso com uns idiotas que a reboque da modernidade e sobretudo de uma ignorância exacerbada da História do Xadrez, querem apoucar a herança do passado, e rebaixar as jóias que grandes jogadores do passado nos deixaram!

Bem podem lutar Edward Winter, Richard Forster, Sosonko, Dvoretsky, entre outros contra estes ignorantes, porque eles vão-se desenvolvendo como cogumelos nos meios mediáticos do Xadrez , seja nas entrevistazinhas indigentes de fim-de-capa da New-In-Chess ( talvez perceba porque "despediram" vai para anos o Winter!) a alguns GM , seja em livros com laudatórias cruzadas-"ora agora digo-bem-eu de ti, ora agora dizes tu bem de mim" em revistas de especialidade ou críticas ( isso existe em relação à literatura xadrezista?) mais ou menos de livro entregue de graça (como eu gostava de os ter à borla já que vou alimentando um certo sector que infelizmente crítico-hoje menos, confesso)) e por isso sempre com quatro ou cinco "trelinhas" !

Assim, nestes postes, "chinesices" da minha parte, ou se quiserem para ser mais fino, idiossincrasias de um piço do xadrez, Eu, Je, I, Arlindo Vieira, Português e Tudo!

Ah! Quentinho: Carlsen, com a partida ganha por todos os lados, deixou escapar Anand com um empate depois de um lance muito mau! Comentários sibilinos e a merecer estudo psicanalítico na ChesBase, e para bom-entendedor meia-palavra-basta: que os "amadores-observadores do PlayChess" descobriram com as suas potentes máquinas informáticas o lance Tf6 que ganhava com facilidade!! Repararam bem: Os piços que não vêm um "boi" de xadrez, só chegam a Tf6 com potentes máquinas, por isso Carlsen estás desculpado!
Ai, ai, o que me apetecia dizer da ChessBase...mas não posso, porque a dita cuja dá de comer a tanta gente! Uma Misericórdia do Xadrez aquela empresa!

Qurem mais provocação? Porque perdeu Carlsen três partidas de forma estrondosa nas Olímpiadas? As "gajas" ? A moda, as sessões fotográficas, ou...que chatice jogar "torneios assim", com artistas que não pertencem ao círculo restrito de uma élite que se teme e reverencia, e ainda por cima sabem jogar xadrez e bem!
Ui...que isto dava uma tese!