XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

19/04/09

FISCHER - BIBLIOFISCHERMANIA

A minha, claro.

Este artigo é para quem tem muita paciência e talvez tempo...um pouco que seja!

E continuando a escrever de Bobby Fischer... passado mais de um ano da sua morte, continuo a afirmar que as melhores homenagens que lhe foram prestadas foram aquelas realizadas por todos aqueles que apelido de “AMADORES” do xadrez, aqueles que considero a verdadeira alma do xadrez, os “piços”, os sem qualquer título. Em sites, no YouTube, em blogues, apareceram verdadeiras “jóias” sentidas, de memória, sobre Fischer, bem diferentes da conveniência, da inépcia, do cinzento articulado numa Chessbase, ou TWIC, ou ChessCafe. E apareceram, focando sobretudo aquele Fischer que interessa a um verdadeiro amante do Xadrez: o génio das 64 casas que nos deixou obras primas inegualáveis de arte xadrezística, ou seja, não misturando “alhos com bugalhos”, o Fischer neurótico, psicótico, ou outro “ótico” qualquer, com as suas partidas magistrais de um beleza apolínia e singularidade como poucas.

Brady, Frank, Bobby Fischer, Profile of a Prodigy, Dover Publications, 1989



Apesar de aqui e ali desactualizado (Ex: aspectos agora revelados sobre Regina, sua mãe), este livro, continua impávido e sereno a ser a única biografia de categoria de Fischer. Lê-se como um romance e apesar de Brady ter conhecido e admirado o fenómeno americano, consegue um distanciamento necessário para nos dar belíssimas páginas. 26 bonitas fotos a P/B, 15 páginas de “crosstables” e 90 partidas comentadas (muito ligeiramente, nem tudo pode ser perfeito), dão a este livro o lugar que ele merece actualmente: ser a única biografia respeitada pela comunidade xadrezística. Talvez daqui a uns anos, com certo distanciamento, alguém se aventure a escrever outra, mais ampla, mais documentada, mais explícita, particularmente da vida de Bobby a partir de 1972. para esta biografia. Ah! Na Amazon uk, ou alemã, este livro tem o preço de 7 libras, ou 12 EUR, embora nos alfarrabistas europeus de confiança , ou via Alibris, ou Abebooks, se possa comprar ao preço da “uva mijona” por 1.200 mil reis (4 libras). Notação descritiva. Como o Carsten Hansen , no Checkpoint : 5 “trelinhas”

Moran, Pablo , Bobby Fischer , Su Vida Y Partidas, Coleccion Escaques, nº 37 Ediciones Martinez Roca, Barcelona, 1972

Que saudades desta colecção! Que grandes livros, pedras preciosas de Koblenz, de Muller, de Romanovsky, para não falar dos Maizeles dos Pachman e por aí fora! Muitos destes livros hoje valem bom dinheiro e este de Fischer do Moran, já o encontrei em alfarrábios espanhóis entre 50 e 80 Euros! Livro simples, despretensioso, com uma b oa biografia (sintética e claramente inspirada em Brady) , tabelas classificativas, estórias sobre Fischer, e 100 partidas com comentários leves, a nível de texto e variantes. Notação descritiva (1.P4R-P4BD 2. Cf3-d6). Como estou velho! Quando o Carlos Dantas, apareceu miúdito no meu FC Porto, ofereci-lhe umas peças e imaginem o quê? Este livro. Eu lembro-me, se calhar ele não!


Edmonds, David, Eidinow, John , A Guerra de Bobby Fischer , Temas e Debates,2007

Já o conhecia da versão americana. Um livro interessante, abrangente , mas nada mais do que isso. Nada, ou muito pouco, traz de novo ao conhecimento de Fischer, ou aos meandros já conhecidos da Guerra – Fria, e das picardias do Match Fischer – Spassky. Lê-se bem, mas no fim, pelo preço, merecíamos dois em um, e o outro não aparece. Um livro que se não fosse escrito, não morreriam aves!



WADE, Robert G , O’Connell, Kevin, J, Todas as Partidas de Bobby Fischer (desde 1955 Hasta 1973), Bruguera Ajedrez, Editorial Bruguera, Barcelona,1973


É a tradução espanhola do inglês “ The Games of Bobby Fischer” da Batsford. Esta versão é uma raridade e tenho a certeza que na ebay, poderia ir claramente aos 150, 200 Euros. Não sei se tem todas, todas as partidas, mas tem quase todas e as que interessam. Tenho este livro com a capa num estado miserável e escurinho de tanto o manusear, prova provada, que fui mesmo um predestinado, a “neca” do xadrez, pois tanto reproduzi as partidas do livro! E todas! Textos de Bisguier, alguma história dos Campeonatos dos EUA, um estudo de Keres, outro de Barden, um estudo do reportório de aberturas de Fischer, Indíce de aberturas, de adversários e 770 partidas, umas comentadas estilo Informador, outras com texto, tornaram este livro o ideal para uma visão global da obra genial de F ischer no tabuleiro. Foi na altura um “must” da Batsford, mas a versão espanhola que possuo, teve uma edição limitada, como limitada foi a vida da Bruguera Ajedrez. Cartonado, notação descritiva (parece que existe uma moderna versão em notação algébrica), um belo livro. Talvez só o “ Bobby Fischer: Complete Games of the American World Chess Champion” de Lou Hays, faça concorrência a Wade e Connell. Este livro praticamente só se arranja nos alfarrabistas Web e no mínimo quem quiser a versão inglesa terá de despender cerca de 20 libras!.


Smyslov, Tahl, Yudasin, Tukma
kov, Bobby Fi scher , 3 Vol , Edicio nes Eseuve, 1992


Dentro do estilo de anotação, tipo Informator, (simbólica sem texto, mas imensas variantes), estes três livros são a melhor abordagem às partidas de Fischer, digamos, num estilo moderno. Os comentadores são de categoria, e não excluindo o uso de computador, convenhamos que nos anos 90, estes eram ainda “primitivos”, o trabalho feito foi um acto de energia , de amor ao xadrez de Fischer. Claro que nem todas as partidas têm o contributo de Smyslov, Tahl, Yudasyn e Tukmakov, entende-se e percebe-se que grande parte do trabalho foi realizado pela “classe operária” de Mestres e Mestres Internacionais como Cherepkov, Andreev, Lukin, Polovodin, entre outros, mas o s livros são magníficos. O Volume 1 e 2 ainda se conseguem com facilidade e não muito caros em sites de xadrez espanhóis, o 3º volume, o das vitórias espantosas de Fischer de 1968 a 1972, as tais do 6:0, a Taimanov, 6:0 a Larsen , e a vitória sobre Petrosian, é impossível de encontrar . Já agora outra g rande editora de xadrez espanhola que durou muito pouco, mas que enquanto viveu, deu aos leitores hispânicos livros como este, ou a trilogia de Botvinnik! Para quem gostar de livros com este estilo de notação algébrico – simbólica, uma maravilha! ”.


Levy, David N. L. , How Fischer Plays Chess, Collins, Glasg o w and L ondon,1975

Um belo livro cartonado, com uma viagem sobre a carreira de Bobby, com comentários mesclando as variantes e o texto explicativo. Capítulos com introdução ao Torneio, ou à caminhada de Fischer, pe lo próprio Levy.Um livro não muito complexo, de leitura fácil, e aqui e ali, indo r epescar comentários de Tal, Panov, Suetin, Euwe, Botvinnik, Petrosian. Algumas boas fotos, uma ou outra rara, índice de aberturas, de adv ersários. Notação descritiva. Este livro pode ser adquirido nos alfarrabistas Web,( Alibris, Abebooks) a partir de 4 Euros!


Donaldson, John, Tangborn, Eric, The Unknown Bobby Fisch er, International Chess Enterprises,Sea tlle, 1999

Um livro fascinante com fotografias raríssimas, não só de Fischer, mas também de jogadores conterrâneos de Fischer,( Kalme, Pupols, Ramirez, etc.) da sua Juventude. Algumas partidas publicadas pela primeira vez, principalmente de simultâneas. Para além de Fischer, este livro dá-nos uma ideia de ambiente do xadrez americano ds anos 50 e da revolução que Fischer nele introduziu. Para quem quer ir mais além das partidas conhecidas de Fischer, para quem é um “arqueólogo” fischeriano, um livro imprescindível, imperdível. Ah! Mostra que segundo os padrões actuais, Fischer não foi um menino prodígio, e que a suas ascensão foi bem “lenta” e penosa. Ah! Ainda mais: O Fis cher de 53 a 57, foi de estudo, estudo, estudo, trabalho, trabalho, jogos, jogos! Notação algébrica, encontra-se esgotado e nos alfarrabistas consegue-se a partir de 14 dólares, ou a partir de 11 Euros.


Mednis, Edmar, How To Beat Bobby Fischer, Bantam Chess Books, EUA, 1975




Num simples volume as 61 derrotas de Bobby Fischer, até ao Match com Spassky em 72. Curioso Livro que nunca mereceu a fúria acirrada de Fischer, Acho que até achou piada. Com introdução de Robert Byrne, aqui se encontra a única vitória do próprio Mednis, sobre Fischer no Campeonato dos EUA de 1962. Mas…não quero acreditar que o livro nascesse de uma catarse, de uma necessidade de expulsar o fantasma de Fischer na vida de Mednis ( até porque ao lo ngo do livro, este mostra um respeito e clara compreensão da força hercúlea de Bobby), porque o resultado entre eles foi como soi dizer-se “aplastante” : 7 vitórias para F ischer 1empate e uma derrota.

Entre as 61 derrotas de Fischer existem três que ainda hoje me fascinam, porque uma foi com um jogador, que salvo erro na altura nem MI era, e a outra com um “Não classificado”, digamos, um jogador de 1ª categoria eq uatoriano, e outra com um jogador que sempre apreciei e um dos mestres da arte do xadrez. Em todas as três partidas, Fischer nem jogou mal, simplesmente, foi transbordado do tabuleiro, através de conta-ataques notáveis dos seus adversário s, digamos no estilo de “ nem água bebes” : Fischer-Kovaceviv ( Rovinj Zagreb, 1970) ; Fischer – Munõz, (Ol Leipzig 1960) ; Fischer – Kholmov ( Havana, 1965). Vejam estas partidas, que não deixam de ser homenagens a Fischer!

Mas então a que conclusão chegou Mednis, sobre a forma de ganhar a Fischer? Mais ou menos do estilo irónico:

A- Não tentar surpreender Fscher com aberturas ou variantes rar
as ou duvidosas, porque, o génio conhecias todas, ou refutava implacavelm ente no tabuleiro!


B- Não crie fraquezas estruturais na posição, para procurar compensações obscuras. Fischer aí nadará como peixe na água.

C- Jogue lances simples e nunca aqueles que sente não sere m os melhores, só para complicar, porque…

D- Nunca aceite com Bobby, uma posição ligeira (i
ssima) inferior, seja no meio-jogo ou final, para tentar resistir, porque Pet rosian e Spassky também tentaram com o resultado conhecido.

E- Jogue aberturas sólidas e sadias, quer de brancas,
quer de n egras.


F- Entre uma posição estratégica bem definida, e uma táct ica complicada, evite a todo o custo a estratégica. Fischer nunca gostou muito de tácticas obscuras e complexas.

G- Se puder, crie posições loucas no tabuleiro, posições s elvagens, porque Fischer gosta da claridade, da certeza.

Em resumo, um belo livro, com texto e variantes
(não muito complexas) que aborda as possíveis fraquezas deste grande jogador. Pode-se comprar na Web por 3, 4 Euros!


Bejelica, Dimitri, Bobby Fischer, Col.Reyes del Ajedrez,Zugarto Ediciones, 1992


Tem interesse pelas “estórias” de Bobby, contadas pelo Jornalista, que privou um tempo com o genial americano. Algumas são muito pouco conhecidas, embora de validade histórica duvidosa, um pouco no estiolo do “ Ele, Fischer, disse.me...”. Outro interesse do livro, é o facto de as partidas (mal co mentadas) terem sido escolhidas por Tal.


Soltis, Andy, Bobby Fischer Rediscovered, B.T. Batsford,2003



Um grande livro! Aliás, Soltis não costuma escrever maus livros! Para mim um dos maiores autores de xadrez dos últimos anos ( hei-de explicar porquê). Não , não está tudo dito sobre o xadrez de Bobby Fischer e a forma como Soltis, comenta determinadas partidas prova-o! Aliás algumas das pa rt idas que aborda, não são propriamente das mais conhecidas , o que torna aliciante percorrê-las com os “insights” sempre a preceito deste autor que conheceu Fischer. Basta dizer que 31 partidas analisadas foram jogadas depois de Fischer-Stein, Sousse 67, que é a partida que termina as 60 Memoráveis! Notável de sensibi lidade e nostalgia é a sua introdução ao livro, bem como algunmas das introduções às partidas. Um livro fabuloso, que John Watson não duvida em classificar como o melhor escrito em lingua inglesa , sobre o xadrez de Bobby Fischer ( eu acho que é o 2º, pronto!). Um aviso: este belo livro vai ficando esgotado em determinados sites Web de venda de livros de Xadrez.

Euwe, Max, Jan Timman, Fischer World Champion, New In Chess, 2009


Nova Edição, com prefácio de Kasparov, introdução ao match de 72 de Max Euwe e sobretudo os extraordinários comentários às partidas de Reijkiavik. Nada a dizer! Simplesmente o melhor livro escrito sobre o Fischer-Spassky 1972, e um clássico da literatura xadrezista, ao nível do Zurique 53 do Bronstein-Vainstein (qualquer dia explico!), ou do livro do Tal, sobre o seu 1ºmatch com Botvinnik! Obrigatório em qualquer biblioteca de xadrez que se preze.


Voronkov, Sergey , Dmitry Plisetsky , Russians versus Fischer, Everyman Chess, 2005



Um nova edição ampliada de um clássico. Nada que não soubessemos, ou pelo menos que não suspeitassemos sobre o trabalho da máquina soviética no intuito de impedir que Fischer atingiu o apogeu do xadrez mundial. Histórias fantásticas, confidências, secretismos, todo o trabalho de uma máquina poderosa contra o xadrez de um só homem. Depois, as partidas comentadas por GM soviéticos daqueles com que Fischer competiu. Sobre os autores: Excelentes! Plisetsky, já tinha escrito em 87, juntamente com Voronkov, um livro excelente sobre Janowsky na colecção russa “Black Series” e é sem dú vida, o homem por detrás da parte histórica dos Meus Grandes Predece ssores do Kasparov-disso nunguém tenha dúvidas! Voronko v, é um autor consagradíssimo na história do xadrez, e o seu último trabalho “Shedevry i dramy chempionatov SSSR 1920-1937” - “Obras Primas e Tragédias dos Campeonatos Soviéticos 1930-1937” ( infelizmente só em russo- é o livro que tenho na mão na imagem do meu perfil ) é um livro extraordinário de amor ao xadrez, pela pesquisa, pela arte, pelo respeito pelo passado!


Agur, Elie, Bobby Fischer, Une Étude de Son Aproche des Échecs, Grasset, 1994



Versão Inglesa “Bobby Fischer: His Approach to Chess”, Cadogan. Caros amigos xadrezistas, um dos livros da minha vida! Dos mais belos e profundos da História da literatura no xadrez! Jamais alguém pesquisou tão fundo e tão bem os pensamentos, as forças e as fragilidades do jogo de Bobby. Este livro é uma obra- prima, uma imersão em oceano azul e límpido de um estilo, de uma paixão! Trabalho de três anos, de convívio, com Fischer, sem falar com Fischer. Trabalho com o silêncio de Fischer, no único diálogo que interessou a Agur, aqueles movimentos que definem o génio, o momento supremo da beleza, ou a fragilidade da indecisão, da inevitável impossibilidade do recuo, da acutilância da vitória, ou sabor amargo da derrota. O tabuleiro, o pensamento e o substrato de um estilo, de um plano, de uma jogada, de um conjunto de movimentos.
Desde a forma como Fischer preferia as estruturas de peões, como planeava o jogo, pelo seu gosto de colocar as peças, a estratégia, a procura de clarividência, o estilo rectilíneo e vigilante, o poder de Fischer reduzir as opções do adversário, tudo Agur estudo, com exemplos maravilhosos tirados das partidas do Campeão. Mas também, a vontade férrea de jogar para ganhar, a maneira como Fischer raramente desaproveitava as chances práticas que determinadas posições proporcionavam, as armadilhas que criava, ou a sua enor me perspicácia táctica, bem como a sua técnica e jogo com o par de Bispos, ou finais de Torre com Bispos de cor contrária, tudo é estudado por Agur. Os erros de Fischer, aqui e ali alguma superficialidade, ou mesmo o desaproveitar de algumas p osições claramente ganhas, ou as gafes, também não deixam de passar no crivo de Elie Agur. É um estudo fascinante metódico, quase um tratado de xadrez a nível de meio-jogo e final, quase uma nova dimensão de escrever xadrez, sobre xadrez.

Agur, nascido em 1949, em Israel, Filósofo e jogador de x
adrez de horas vagas, nem sequer era titulado quando escreveu o livro, coisa que devia ter espantado o mundo, mas não: granjeou invejas, comentários idiotas de titulados, como Silman denuncia, quando analisou pela primeira vez o livro. Foram três anos, grande parte deles em Haye, com Fischer, com partidas de Fischer, com uma reflexa filosófica, sobre a filosofia de xadrez de Fischer. O que d aqui saiu é imperdível, e biblioteca de xadrez que não tenha esta obra magnífica, será antes um “caixotim” fuck you xadrezista, lamento!

Porque preferi a versão francesa? Pura e simplesmente, porque os idiotas da Cadogan, esqueceram-se de um pormenor: o livro analisa a partir de posições, mas é fascinante ir ver as partidas, para chegar a essas posições, ou mesmo ver como terminaram. A versa francesa tem as partidas completas das posições estudadas no final do livro. Nas primeiras da Cadogan, nada. Este livro é ouro puro, que nem precisa do toque de midas do xadrezist a. Lê-lo é uma dádiva! Ah! Deixem-me só escrever um pormenor: O Hubner no seu CD sobre Fischer para a Chessbase, mostra debaixo de uma pseudo admiração por este livro, uma inveja quase psicanalítica sobre o livro de Ag ur!


...Y Ahora Bobby Fischer Campéon D el Mundo, Jaque 1972


Meus senhores, uma peça de museu, em notação descritiva. Um livro dos tais para os quais não há palavras. São 300 páginas de encantamento. Centenas de fotos, entrevistas, tabelas, e sobretudo partidas comentadas. Colaboradores? Bem, o nosso Durão , mas também Botvinnik, Glogoric, Najdorf, Smyslov, Spassky, Tal, Tukmakov, Evans, etc. Tudo sobre o esse ciclo do Campeonato do Mundo de 1972, inclusive as partidas do Match. Uma preciosidade que hoje valerá para cima de cem euros, mas sobretudo, um livro como já não se faz. Um dos tais livros para os quais era preciso ter tempo, para olhar, folhear, deixar-se encantar!


Fischer, Bobby, My 60 Memorable Games, Faber and Faber, London, 1972

Pronto! A Jóia, o sumo, eu diria “ A PALAVRA”, o ” VERBO” e no princípio era o mesmo! Um dos livros mais extraordinários de toda a literatura do xadrez. Um modelo, inigualável ainda hoje, pelo estilo, pela verdade – honestidade, e sobretudo pela paixão nele vertida, tão diferente dos livros apressados, mal feitos, enxurradas de variantes ( que ninguém reproduz), só para mostrar que se é génio, ou o que poderia ter acontecido se, e se , e se, na tal idiota procura da verdade, como se isso existisse no xadrez de competição!

Um livro claro, puro, que se lê como o mais belo romance de xadrez, que se folheia com amor, que se reproduz as partidas como se fora a primeira vez, e sobretudo com jóias de brilho e cores refulgentes. Uma maravilha de lógica, de equílibrio, de contenção de variantes e texto, quase um tratado clássico! Triliões de “trelinhas”
Peço um favor: um treinador de Xadrez que não tenha aconselhado, digo, obrigado um seu pupilo na casa dos 1700-1900 a ler este livro , “Out”, Rua, Dar volta ao bilhar grande, com ele. Um jovem jogador promissor, ou não que queira progredir, e não tenha analisado estas partidas será sempre o tal JJPQNVLN (Jovem Jogador Português Que Não Vai a Lado Nenhum)

Outro aviso: Há três versões deste livro que não devem tocar, por perigo de contágio, virose, ou estupidez aguda:


A – A versão da Batsford, porque quem adultera o que Fischer escreveu, coisa que o enlouquecia. A minha é original, inglesa e aprovada pelo génio, a outra é a da Simon and Schuster! Burgess, Nunn, grandes autores, aqui borraram tudo e W.
Winter Mostra isso no célebre artigo (entre outros) “Fischer’s Fury” .

B- Uma versão que possuo, a célebre versão Russa das 60 , que para Fischer, não foram memoráveis , mas miseráveis. Um roubo, um escândalo à soviética, sem direitos de autor, sem nada! Que tributo de amor e ódio a Fischer desta gente! ( Bem, também roubaram o livro de Larsen!) . Engraçada a Fotografia da 1ª página deste livro russo é maravilhoso e único e metafóric
o: Fischer um bocado esgrouviado lança para a direita um olhar furibundo, quase a dizer “ Caros senhores Soviéticos, que é esta Mer…??!”. Vá lá surripiarem a versão original da Simon and Schuster de 1969.

C- O Fischer do Hübner, da Chessbase, ( CD ROM) que é um escarro na parte do Húbner! Claramente Fischer não é campeão de eleição para Hübner...mas quem será? O homem num acto de verdadeiro onanismo invejoso, faz das 60 memoráveis do Fischer, as 60 memoráveis do Hübner! Claro com computadores até dizer chega! Depois enumera dezenas de defeitos no Jogo de Fischer, depois de um estudo aturado do seu jogo. Não só faz isto, como ainda se agorra o direito de tentar desprestigiar o livro de Agur, “pegando” na profissão de filósofo do autor. Hübner é uma figura
interessantíssima do xadrez, para uns paranóico e megalómano, até dizer basta, para outros um homem de grande nível cultural, que estando no xadrez é personagem exterior ao xadrez e por isso comm perspectivas diferentes de quem dele exclusivamente vive. Não sei. Sei apenas que a sua procura sistemática da verdade numa partida de xadrez , principalmente quando se colocam computadores a procurar essa verdade, me irrita profundamente, principalmente, porque a dita verdade nunca é alcançada por ninguém no seu perfeito juízo, já que ninguém terá paciência para ler aquele emaranhado de páginas e páginas de variantes! Aquilo não é xadrez, é: Aquilo que poderia ter acontecido se...; aquilo que não aconteceu porque,...mas poderia; o que virá a acontecer se se jogar variante A, B, ou C; o que nunca aconteceu, porque o jogador não jogou aquilo, etc, etc.! Ainda agora li um extracto em alemão sobre o recente livro de Robert Hübner sobre o Match Steinitz-Lasker “Der Weltmeisterschaftskampf Lasker - Steinitz 1894” e o que eu temia, aquilo é assustador!
Temos SteinitzHübner de um lado e HübnerLasker do outro. E pensar que Robert Hübner está na equipa redactorial do futuro livro da Sociedade Lasker com 900 páginas sobre o meu ídolo, dá-me arrepios.












O tal ...surripiado!


Kasparov, My Great Predecessors, Vol IV, Everyman Chess


Claro que escrever sobre o Fischer do Kasparov dos My Great Predecessors, dava outro artigo enorme. Grande livro sem dúvida, conclusões duvidosas. Não me perguntem porquê, mas o a "ferida narcísica" de Kasparov, falou mais alto do que o grande campeão e profundo conhecedor do xadrez e da sua história. Aqui e ali, se pegarem numa "lupa" notam quase esse desejo de "matar" não o pai, mas um pouco a lenda para o refulgir da sua.
Já agora... nesta série, sem dúvida o 1º volume não é o mais famoso e, principalmente o escrito sobre Lasker, não me apaixonaram por aí além, enquanto o 2º e 3º, são livros verdadeiramente extraordinários: Hinos à História do Xadrez.
O De Fischer é maravilhoso: não entendo, ninguém entende o "amor" de Kasparov a Reshevsky ( tantas páginas?), com análises e comentários soberbos, todavia sobre o papel de Fischer na História do Xadrez, Kasparov, patina, ou pelo menos é pouco consistente na análise do jogo de Bobby. Opiniões,que se há-de fazer!

Acrescento: Para o Meu Amigo Alexandre Monteiro, depois do seu comentário e, com um pedido de desculpas pelo esquecimento,aí vai o Fischer-Spassky do Mequinho!






E pronto...ainda falta falar referir um pequeno livro sobre o match Fischer-Spassky, mas esse para relembrar uma figura do xadrez português que muito aprecio. Ficará para outro artigo.








18/04/09

BOBBY FISCHER...RELEMBRADO

Uns dias depois da sua morte escrevi no meu blogue e na Luso Xadrez, o que aqui irei relembrar. Quase um ano e três meses depois, pouco se tem feito pela sua memória, pelo seu legado xadrezista,principalmente por jogadores de topo e bons autores de livros de xadrez. Até parece que está tudo dito sobre o genial xadrez de Bobby Fischer.
Como perdi a "brincadeira" em filme que coloquei no Existente Instante, resolvi fazer outra, com fotos que abundam na Net. A música é de Edward Elgar e Samuel Barber.
Um agradecimento muito especial ao Joaquim Durão que teve a amabilidade de me telefonar dias depois de publicar o artigo na Luso Xadrez, comunicando-me o quanto tinha ficado sensibilizado com o que escrevi sobre Fischer.




" Aquietou-se de vez uma das almas mais belamente inquietas da história do xadrez.



Morreu esse extraordinário campeão, esse fabuloso mágico das 64 casas do tabuleiro. Desapareceu, embora algo do xadrez, de um certo xadrez tenha morrido com ele em 72. Agora só a memória e as suas jóias - partidas de brilho refulgente, de cristalinidade pura, de quase poesia escaquística.


De momento nada mais interessa, nem histórias castiças, nem pormenores mais ou menos sórdidos. Apenas e só um lutador de fibra, um polémico de génio, e sobretudo um amor ao xadrez como poucos, dos tais, que de tanto amar se afastou da coisa amada. E se ainda não chegasse, esse legado imortal das suas partidas enquanto existir xadrez.


Aqui na minha frente um monte de livros de e sobre Bobby. Folhei-os, viro páginas como suave brisa levanta folha morta e, instintivamente, memórias de adolescente e jovem são penetradas por essas páginas. Da impossibilidade de algum dia alguém jogar xadrez assim, da beleza intensa, da estética artística dessa grande arte que é mover umas peças esquisitas nas 64 casas claro – escuras de um tabuleiro.



Pego no meu melhor tabuleiro, vou buscar as minhas melhores peças e ao som de um Requiem, que pode ser umas “Lachrime” , reproduzo algumas dessas jóias, quase diademas em cabeça de rainha, e viajo de Brooklin a Reykjavik, acompanho menino encantado esse percurso, esse movimento perpétuo de bispos, cavalos , torres peões, reis e damas.
Aquietou-se uma das almas mais geniais das 64 casas. Estou comovido a leste de mim, como sempre fico quando parte um génio. Profundamente triste, quase como “chuva de limão na minha alma”.

No entanto…alguém ficou satisfeito! Quêm? Quem poderia ser?! Mikhail Tal, que na 5ª Feira recebeu Bobby no céu de Caissa com aquele largo sorriso : Estava a ver que nunca mais chegavas, Bobby?!” “ Um bocadinho farto de jogar com o Petrosian, o "Bota", deves concordar?! Bobby baixou os olhos com timidez, Tal riu, e num momento ambos recordaram essa imagem linda de Zagreb 59. Depois…depois foi apanhar o primeiro tabuleiro que lhes caiu nas mãos e toca a jogar o match para sempre inacabado!

Que descanses em Paz, Bobby. "

16/04/09

PORTA ABERTA


Esteve para se chamar Xadrez-Paixão, depois, Xadrez de Elite, mas porque a paixão não se diz, e “elite” poderia ter o significado não desejado por mim, de à parte, de transcendente, ficou com o título mais comedido de Xadrez Memória que se calhar também é curto para o que aqui quero escrever sobre xadrez.


O subtítulo diz um pouco mais, não dizendo completamente tudo. Será um blogue, o Meu blogue de xadrez, mas com os quase 40 anos de experiência na modalidade, sem qualquer tipo de dúvidas que o será de “canteiro”, de nicho se quiserem, “para muitos poucos”, para um grupo restrito de xadrezistas nacionais e, se calhar, alguns de língua portuguesa espalhados pelo mundo que se interessam por um tipo de xadrez que anda praticamente arredio da Web, das revistas, das discussões comuns dos jogadores de xadrez, ou seja, os livros e a crítica de livros de xadrez, as peças de xadrez, a História do Xadrez, as estórias, a fotografia, os grandes jogadores de xadrez de canto de enciclopédia, as curiosidades do xadrez, as memórias afectivas de um determinado xadrez português. Só isso nada mais!


Aqui não se anunciarão torneios, não se darão resultados, não se rapidará e rapinará de fim-de-semana, não se cultivará a má-língua, a maledicência, o estado do xadrez nacional. Aqui não se promoverão jovens promessas que não o são, não se fará a apologia de um tipo de xadrez que nada me diz, seja a mixórdia em que se move o actual xadrez internacional, seja a pequenez atávica do xadrez nacional. Aliás, em estilo provocatório, “estou completamente a borrifar-me para o o xadrez competitivo, o xadrez nacional ou internacional”. Foi peditório para que já contribuí . Um determinado estilo de xadrez, determinada forma de gostar e estar no xadrez, por muito legítima que seja para muitos, para milhões, neste momento para mim nada significa...afastei-me de corpo e espírito, morri para esse xadrez. Neste momento saber se o Xadrez português tem futuro, se foi ou não interessante o match Anand-Kramnik, que medidas se devem tomar para acabar com a vigarice electrónica dos jogadores, se....se... é menos importante do que ir dar de comer ao meu gato!


Se vou ser lido, se este vai ser um blogue de referência, se...se... também muito pouco preocupado. Com o escrevi no meu site de alojamento fotográfico “Agora no suave declive, só um caminho essencial...depuração das coisas! Atento aos louvores, porque...algo não está bem contigo!


Um blogue da calma e da paciência, de leitura pausada e se calhar de impressão de partidas ( porque aqui também não se gerarão tabuleiros estilo CB para se reproduzirem as partidas “a correr”), de paragem no xadrez de um tempo em que havia tempo para o xadrez, o que eu pretendo. Muitas vezes vou recuperar artigos meus da Luso Xadrez, outras, o que estiver “mais à mão” da minha inspiração, do meu fascínio. Se conseguir despertar interesse pela História do Xadrez, por uma determinada cultura de xadrez, por um xadrez que jaz subterrâneo a outro carregado de competição, de sites, de revistas, de fãs, então valerá a pena a minha escrita, o meu tempo ganho, a transmissão da minha paixão.


Existe uma miríade espantosa de sites e blogues de xadrez, alguns excelentes, excepcionais, outros, de uma indigência, de uma pequenez que até insulta a inteligência, mas em legítima defesa, gostava que o meu blogue entrasse por campos de escrita xadrezistica que raramente se abordam na Net. A ver vamos.


Um aviso à navegação: os comentários, as críticas construtivas, as “achegas” serão bem-vindas, mas sempre num clima de cordialidade, de educação, porque esta minha casa de xadrez, é minha, de mais ninguém. Os insultos, a mesquinhez, a idiotia, a alarvidade que infelizmente vai reinando em muita blogosfera, obrigar-me-ão, não a “censura”, mas pura e simplesmente a um trabalho de higienização do blogue, o que dará trabalho, apesar dos minutos de “fama” que alguém poderá aspirar com determinadas e obtusas considerações. Na minha casa mando eu, e como tal, o Xadrez Memória, não se transformará em “okupas” de psicopatas sociais xadrezistas, em parque de diversões de imberbes das 64 casas, de lugar de “bem-bom” de determinada "analfaxadrezice" que vai minando o xadrez. Só isso... e não é pouco.

Sejam Bem-Vindos!