XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

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02/05/20

GRUPO XADREZ DO PORTO 80 ANOS!

Um Vídeo simples, sem efeitos "PXTO" só para mostrar a minha afeição por este Clube único no panorama xadrezista nacional, e se calhar, internacional.
Imagens de uma vida, de um património, de um capital humano e memorialistico como poucas no que diz respeito ao xadrez.
Tomara eu que outros Clubes tivessem preservado os testemunhos históricos do passado, que muito do património não tivesse sido pura e simplesmente delapidado ( para não usar o termo "roubado"), que os dirigentes tivessem como fio condutor da sua ação a preservação de atas, bibliotecas, material de jogo, folhas de partidas. Quase nada. Fico por aqui na minha amargura, que já nem o é bem: é mais um sorriso irónico, quase desprezível por este Xadrez nacional paupérrimo, pelo menos no que à sua História diz respeito. Opinião minha, claro!


18/05/19

OS 79 ANOS DO MEU GXP

Foi hoje. Jantar , bolo e parabéns na nossa sede, torneio de rápidas, mas sobretudo o encontro, o convívio, o reencontro afetivo com xadrezistas que se encontravam afastados do xadrez e do Grupo de Xadrez do Porto vai para anos e refiro-me ao Carlos Prezado, Manuel Matos,  Vladimiro Miranda, e António Carlos.. Dois deles foram palestrantes bem memoriados num amena cavaqueira que envolveu o Mário Marques e as suas pesquisas sobre o Gencsi Dezso, o Dinis Ribeiro  e vários aspectos ligados a cultura, arte  e filosofia no xadrez . Vladimiro Miranda e Manuel Matos sócios do GXP de longa data, mas jogadores muito fortes do FCP em anos já bem idos, relembraram rivalidades, destilaram algumas histórias curiosas, bem como apelaram à união do Xadrez em geral e do nosso Clube em particular, sempre num estilo em que afeto e humor andaram lado a lado. Algumas intervenções de sócios, nomeadamente do Carlos Prezado acabaram por enriquecer esta mesa "quadrado" em que o G.X.P foi Rei.
Uma tarde bonita, bem passada, diria à Grupo de Xadrez do Porto.
A mim pediram-me para falar. Li um texto. Aqui deixo esse texto. Também assim se constrói a História de um Clube peculiar como disse o Matos, um Clube de convergências como afirmou o Vladimiro, ou um Clube primeiro para alguns e segundo de todos para os outros que jogam xadrez, como uma vez afirmou o Carlos Prezado.
Longa vida ao MEU GRUPO DE XADREZ DO PORTO.

Passei minutos largos a pensar no Grupo. 79 anos não se conseguem pesar em nenhuma balança de afeto. Pode-se olhar o Grupo de Xadrez do Porto de fora, ou pela parte de dentro. Pela parte de fora e solar talvez seja o mais fácil: a História, ou as Estórias, os troféus, a competição, o património e tudo o que foi o património material e imaterial do Grupo. Da parte de dentro, talvez a da chuva intima, e essa por sê-lo molha e cola-se ao silêncio de afeto, a esse túnel imponderável e insondável da memória, que mesmo doendo algumas vezes, talvez seja o que melhor vai resistindo à erosão dos sentimentos.


Comovo-me assim a leste de mim, lugar onde nunca faço férias de quem gosto e do que gosto, e comovo-me dessa torrente cascata de pensamentos que num gesto de alquimia transforma o ontem no agora, o banal no rico oiro do dia, o acontecimento fortuito na força motriz da vida de uma instituição. E comovo-me, nem que seja pelo riso, pela interior gargalhada sonora, pelo lampejo luminoso de uma recordação doce como algodão.
Paro o tempo, escolho de memória, mesmo do conhecimento, um tropel do passado e não é difícil, manejável, dócil, e reversível como é o tempo da memória, que o real, esse tique taque de relógio irreversível onde se perde sempre para o tempo.


Faz-se silêncio cá dentro e de súbito…descem as calças do Aristides para umas costureirinhas que não o sendo da Sé, mas de Passos Manuel, lá se ficaram de agulha na mão entre o ai jesus católico apostólico romano, ou quem sabe entre a visão mais ou menos celestial do visionado. Uma coisa é certa, ou pelos dotes artísticos e exponenciais do “Stripper Arestaides”, ou pelo pouco tempo do espetáculo, houve queixa às autoridades competentes, nomeadamente à provecta e honrada Direção do Grupo quem em douta reunião aplicou o respetivo esfriamento a sócio que tão acalorado andava. Que aprenda esta e futura direção: calças abaixo, punição adequada acima! Apesar de não gostar de ficheiros secretos, uma coisa me intriga ainda hoje neste momento sexual esquístico que nem o Blogue do Kevin consegue igualar: afinal, o que é isto? O Aristides baixou as calças, mas… não tinha cuecas!? Ou baixou as calças e as cuecas? É que uma coisa é uma coisa e outra são duas! Na investigação deste processo, não consegui resolver este mistério intrigante, e uma Direção que se prezou em julgar e atar este caso, deveria ter levado a investigação a este grau de perfeição antes da aplicação de pena. Comigo, com cuecas e tudo, duas semanas de castigo no Meco, só calças, obrigação de mostrar agora cabelos do peito a peixeiras do Bolhão!


Mais sério agora: vejo alguém a levar a mão à boca, meio grogue, e a encostar-se a um bilhar sem fazer como se diz no Porto “ dar a volta ao bilhar grande”, que por acaso era dos grandes e aquecidos onde o Ferraz até tinha caramboleado, mas grogue sim senhor, porque Mestre Mário Machado, na sua raiva ou de não ter sido convidado para uma sessão de boxe no Palácio de Cristal, ou de no xadrez não gostar de empatas, tinha acabado de pregar um autêntico “uppercut” num distinto senhor que lhe andava a aguilhoar o juízo e a dar cabo do Grupo. Disse uppercut, mas deveria antes dizer uma “pera fegatelliana” com molho de francesinha e  com mate K.O não sei em que round!

Silêncio agora, mas mesmo silêncio. Jogam duas venerandas e idosas figuras; uma daquelas partidas com resultados anotados, não estilo pauzinhos de sueca, mas naquele estilo ressentido e ronha de ontem f…hoje vou-te f.eu! Largo os olhos do meus Botvinnik, e reparo que a figura de costas, sub-repticiamente tenta meter no tabuleiro um peão que estava de fora, comido que tinha sido, mas com um mindinho habilidoso, lá tentava a arte da ressurreição da peonagem assassinada, mas qual o meu espanto, o de frente tentava com falatório distrativo para o seu adversário, rodar o manípulo do ponteiro do relógio, coisa de ratito, que o mindinho habilidoso, mas olhar de coruja, topou. E vociferou,  e ameaçou, e outro respondeu historiando outras “mindinhices” históricas, e o mindinho pediu ajuda aos colegas anelares, e polegares, e só não chamou os dos pés, porque sapateados, e pegou na muleta que estava no seu lado direito e ergueu-a bem alto, qual estandarte de Aljubarrota e o outro meio encolhido lá foi para trás da cadeira, qual trincheira defensiva e…eu a intervir como a crianças de infantário desavindas e a ameaçar de tau-tau e a explicar que tudo não tinha passado de um mal entendido, e que se calhar o mal entendido tinha sido apenas arranjar o relógio, e que o peão tinha sido no fragor da luta também sem querer arrastado para as 64 casas. vermelhos, quase babados, lá acalmaram. E foi numa partida ocasional daquelas ao início da tarde de um dia de semana.


Barulho outra vez, mas longínquo, cadenciado, ritmado, amaciado por borracha a bater em madeira. Fim da tarde, sala silenciosa. Contava, um..dois…três… quatro, infindáveis minutos, até que quase cem anos entram na sala e dois sóis de olhar irradiam felicidade, O barulho, eram as muletas que penosamente apoiavam um esforço hercúleo de subida de poucas escadas para alguém já muito debilitado. Sentava-se, olhava deliciado para as paredes, os móveis e mexia prazenteiramente as peças de madeira. De súbito e em contraste, passos apressados, de procura, angustiados, galgadas num ápice as velhas e carunchosas escadas. Entrada ofegante na sala e olhar de reprimenda para o velho ancião. As palavras sem maldade, mas a medo: outra vez Pai? Já lhe disse que não pode fazer isso, sair de casa sozinho, da maneira como está! Vamos lá para casa! Era. O Mestre Faria, fugia de casa com quase cem anos, apanhava transporte, e vinha para o Grupo de Xadrez do Porto, mesmo já com muitas dificuldades físicas. Percebi que queria levar o Grupo com ele na sua partida. Era tão dele o GXP, como o era o seu já fraco respirar. A tudo assisti, lume dos meus olhos, fulgor de coração que ficou para sempre Mestre Faria.

Ainda o silêncio, agora de ambiente de torneio. Aproximava-se o controlo de tempo. Um rapazito ainda adolescente parece manejar com facilidade da idade a angústia do levantar do ponteiro, o seu adversário, já quarentão, não. Branco, nervoso, agitado, olha com terror para o tempo que se esvaía, para o tabuleiro agora, outra vez para o relógio, outra vez para o tabuleiro e joga uma peça com velocidade vertiginosa, o seu adversário esboça um sorriso e com decisão próxima da arrogância, ganha uma peça. Caro de pavor absoluto, um olhar mais para o relógio, segundos a escoar, vai jogar…não joga, porque o seu adversário sonoramente avisa “caiu!”. Não há cumprimentos. O que perdeu (e sabia que ia perder, porque havia um complexo que o levava sempre a perder com este adversário) levanta-se lívido, branco da cor da gabardina que tinha na mão, quase autómato. Não sabe o que dizer ou fazer. Lia-se a frustração toda do mundo no rosto, na postura. O que ganhou sorri aberta e francamente, enquanto balbucia que teve sempre a partida ganha. O outro ouviu, irritou-se, disse algo que me pareceu “você não sabe ganhar, seja bem educado” e vestindo a gabardina de supetão, pega no seu livro de xadrez da Batsford e sai como um raio pela porta fora. Os seus passos de raiva, faziam ranger as escadas do GXP. Foram os duelos mais encarniçados e titânicos (talvez só igualados pelos a feijões” e estilo bisca lambida entre o Pinho e o Castro, ou os rapidinhas de rachar lenha entre o Silva e o Paulo Ferreira) que assisti na minha vida. E diga-se que o perdedor era dos jogadores mais corretos e afáveis que conheci, enquanto o ganhador era uma força de vida e gosto pelo xadrez. A ambos o destino foi cruel, ambos nos deixaram nesta crua e fria senda do quotidiano. Que saudades Sílvio Santos! Que ternura na minha saudade, caro Bernardino Passos.


Uma figura sorri para ninguém, abstrata no seu mundo interior. Fuma o cigarro numa forma muito característica de sofreguidão. Revira ligeiramente os olhos e continua a sorrir. Figura estranha. Alto, calças à rega milho, nariz com curvatura pronunciada, quase adunco, olhos nervosos, inquietos que fixam tudo no nada. Olha o tabuleiro, balbucia qualquer coisa enquanto o seu adversário medita. Impávido, o seu adversário medita,  no cansaço, tira os óculos, coloca-os fechados no lado contrário ao do relógio.   O outro continua a sorrir agora para os óculos, como se inertes fossem dois olhos vazios que o olhavam e, de súbito, levanta-se, pega nos óculos do seu adversário, coloca-os no chão e..salta, uma , duas vezes, desfazendo-os em bocados. Pega neles, coloca-os no sítio onde estavam, senta-se, coloca as mãos no rosto e começa a analisar a posição. O Gilbert, o Jaime cujo mundo impenetrável se tornou o seu castelo de rei de curto reinado. Tanto lhe deveu o Grupo em êxitos no tabuleiro.


E a calma, a ponderação, a suavidade luzidia como a sua calva do senhor Carvalho? E aquela voz melhor do que cantor do Metz em ópera de gala que mal me encarava me dava as boas tardes com aquele sorriso grande, aberto, de Homem-Bom e a célebre frase“ Então Amizade, ainda de corpinho aberto” ?  E um dos meus Mestres, o Machado? Aquele sorriso maroto de “quem a sabia toda”, de quem muito andou e muito para andar, de quem mais consegui sacar o sumo do amor à História do xadrez, do gosto pelos finais, das boas e ternas conversas, das análises de partidas de fim de tarde de sábado, das nossas discordâncias sobre os atributos não xadrezisticos da Kosteniuk, de ele achar o site do Kevin, bom, e eu, no xadrez sim, no resto nem por isso. Das raríssimas pessoas que ainda me conseguiu restituir um xadrez límpido, cristalino, puro, do antes das resmas de variantes e de conhecimento balofo, como o senti com 14, 15 anos no Palladium.

E o…”Pinho da Lixa” que há trincha ou brocha lá nos fazia ter saudades da parede suja antes das obras? E a ajuda entre o esburacada-desastrada do trolha Castro, que queria fazer das paredes da sala do Grupo queijo  suíço?  E homem dos andaimes? Tenham medo, muito medo andaimes que o Rogério vem aí! E o choque dos electrochoques na instalação da eletricidade da sala do Grupo- aquilo ou ia a bem ou a berbequim ou a car…, mas ia! A ele, ao Rogério até a eletricidade tem respeitinho. E melhor que o fazedor de milagres, o fazedor de tabuleiros do Grupo?

E na História do Grupo, as não poucas vezes que durante Assembleias Gerais, quando um ou dois sócios iam tomar café, quando voltavam, estavam nos órgãos dirigentes, mesmo sem estarem em lista ou quererem? Não havia, arranjava-se! E “ quem vai à guerra, cargo leva” ! Por isso aviso: nas Assembleias Gerais, não saia do seu lugar!
E o querido Velez Grilo que começava no Alekhine, passava pelo Kasparov e terminava na Faculdade de Engenharia e terminava na eletrificação da Ponte da Arrábida ?
E o Brandão, num programa televisão a deitar faladura da boa sobre o G.X.P, mas com um cenário que parecia a Televisão da Coreia do Norte?
E as vezes que o Grupo serviu para muita coisa e Vª Excª(s) não têm nada com isso, até para um rapaz entrar no GXP pelas três da tarde e ficar a dormir até ao dia seguinte com o seu computador portátil Kasparov?
 E o homem do anel dourado no dedo, que por vezes nos visitava pela tarde acompanhado da sua madame pompadour de ataque?
E alguém que tinha uma tara de roubar só uma peça de um jogo, ou a mola de um cinzeiro? E aquele som característico entre o afogado e o arrotado do autoclismo sanitário do Grupo? E aquela lâmpada diferente das outras num arremedo de “uma diferente todas iguais” o Grupo pela integração? E a cera de abelha que aumentou a produção devido a um tarado encerado? E los Romances do Grupo? Bem, estou a referir-me ao do Mário Marques…que pensavam?
E…tanta coisa.

Morro-me de tristeza, ressuscito de alegria. Como a vida do Grupo.


Para um tabuleiro de 79 casas

No coração queima ainda o lume,
Alado Cavalo no tabuleiro,
Salta, sonha inteiro
Da ambição suprema, o cume.


Vida longa, vastidão de horizontes,
Sólida Torre de esperança
Coluna, esteio, perseverança
Vida pouca, com tamanhas fontes


Peões de serviço, sem anseios de promoção
Vida, tabuleiro de lembranças
Movimentos, perdas, ganhos, esperanças
Estamos, vamos, outros continuarão


Reis assim seremos, esfarrapados,de joelhos
E habitados de sonho acreditado
Continuaremos o caminho continuado
Como o sol, nunca nos cansaremos de ser velhos

A.V






25/10/14

DURÃO nos seus 84 anos



Caro Mestre e Amigo Durão não é a primeira vez que sobre si escrevo no meu Xadrez Memória, até um poema já lhe dediquei, e como é óbvio sei que hoje comemora o seu aniversário. Aliás, se me esquecesse, lá estará o site do Kevin Spraggett e os seus excelentes artigos sobre si para mo lembrar.

Sabe o Mestre Durão que sou parco, muito parco mesmo em encómios pessoais no xadrez português, e quando o sou, é porque o visado me deixou profunda marca naquilo que ao xadrez diz respeito, nomeadamente na paixão e amor ao xadrez que continua viva, talvez ainda mais, do que quando aprendi este bruxedo encantador aos 14 anos.

Assim neste artigo duas ou três coisas gráficas que nunca vi em lado nenhum, fosse no site do Kevin, fosse no fabuloso vídeo do Babo, ou mesmo em qualquer site de xadrez.

É um artigo sobre o Mestre na antiga FLAMA nº 213 de 4 de Abril de 1952. A fotografia de capa que  Silva Nogueira, esse grande fotógrafo, principalmente do teatro, hoje tão esquecido (mais um!)  realizou do Mestre Durão é simplesmente extraordinária, e arrisco-me a dizer talvez a melhor foto do Durão ( das muitas em que foi retratado) que algum dia vi. A postura, a elegância que sempre o caraterizou, o fabuloso Staunton e o lado técnico da foto de uma nitidez e jogo de luz quase perfeito, encantaram-me de tal forma que não descansei enquanto não palmilhei durante meses "lés e grés" tudo o que era sítio para arranjar a revista. Dentro um belo artigo de R. D. ( Rolo Duarte) com um Durão de 11 anos enternecedores.

Depois, de pesquisa aqui e ali mais umas fotos raras do Mestre. Em Nice 74 no jogo com Guernsey, e grandes fotos do Zonal Amsterdão 63. Por último a foto de capa de uma Jaque, o Durão num recente torneio, e até uma caricatura.

Pata terminar duas grandes e pouco publicitadas partidas comentadas pelo Durão, em que o seu talento e visão de xadrez são evidentes.
No fim, uma sua vitória das 4 que obteve em jogos comigo. Partidas sempre "rasgadinhas", mas em que o Mestre mostrou a diferença entre a mestria e o jogador "piço" de 1. categoria (seria?) Arlindo Vieira.


Mestre Durão, um abraço enorme e que a deusa Caissa lhe permita ficar entre nós por muitos e bons anos.  Aqui no meu melhor tabuleiro e peças, vou repassar dez das suas melhores partidas – estética e aprendizagem do xadrez de que me vou alimentando.

(para os meus parcos leitores e porque sou um mãos largas, as fotos em tamanho acessível para " right click and save") - basta clicar nelas.















DURÃO,Joaquim - Kievelitz (RFA)
1980
[Durão, Joaquim]
1.e4 c5 2.Cc3 e6 3.g3 d6 4.Bg2 g6?!

Esta jogada é duvidosa porque permite a reação central imediata. Teria sido superior 4... Cç6 levando a partida para posições conhecidas e aguardando que as Brancas definissem o avanço do peão d à 3|_ ou 4|_ casa. No primeiro caso, então sim , as Negras poder-se-iam decidir pelo fiachetto do Bispo de Rei sem problemas.

5.d4 cxd4 [5...b6? 6.dxc5 bxc5 7.e5 d5 8.Cxd5+-]

6.Dxd4 Df6 7.Dd3 Cc6 8.Cf3 Dd8

A Dama estava mal colocada e devido à ameaça Bg5 opta por retroceder e ocupar-se da vigilância do peão d6 atrasado, que é outro dos problemas do Jogo negro

9.0–0 a6 mais uma jogada de um peão, para evitar Cb5 e ataque ao peão d6

10.Td1 Parece insólito este lance, até porque a Torre faz falta nas colunas de Rei ou Bispo de Rei. Aqui esta jogada justifica-se pois atyrasa o desenvolvimento do Bispo de f8 a g7 casa natural deste Bispo.

10...Dc7
[10...b5 talvez fosse melhor]

11.Bf4 e5 12.Cd5 Db8 13.Be3 Be6
[13...b5 14.Cb6 Ta7 15.Cxc8]

14.Cb6 Ta7 15.Cg5 Cf6
[15...Bg4 16.Dc4 Ch6 17.f3+-]

16.Cxe6
[16.Cd5 Bxd5 17.exd5 Ce7 18.Bxa7 Dxa7 19.Dc3 Bg7 também se ganhava a qualidade desta forma, mas as Brancas consideraram, talvez erradamente que seria de forma mais longa e difícil do que a jogada do texto]

16...fxe6 17.Cc4
[17.Dc4 Rf7 18.Bh3 De8 não levaria a nada de concreto]

17...Ta8 18.Cxd6+ Bxd6 19.Dxd6 Dxd6 20.Txd6 Re7 21.Bc5 Rf7 22.Tad1 Tac8 23.Bb6 Re7
as Negrass esperam uma cilada salvadora, mas as Brancas viram mais longe e deixam-se cair nela 24.c3! No caso das Negras não precipitarem os acontecimentos, o plano das Brancas seia simples : f3 seguido de Bf1 ou Bh3 e a aproximação do Rei ao centro a partir de f2 com um final claramente superior

24...Cd4? 25.cxd4 Rxd6 26.dxe5+ Rc6 [26...Rxe5 27.f4#] 27.Td6+

foi este xeque que escapou às negras. As Brancas ganham o cavalo. A fuga do Rei levaria ao mate 27...Rb5 28.Bf1+ - Rb4 29. Td4+etc

1–0







 Shipman,Walter (2400) - Durao,Joaquim (2220)
New York op New York, 1986
[DURÃO, Joaquim]
1.d4 d5 2.Cf3 Cf6 3.c4 c6 4.Dc2
uma variante utilizada pelo GM Miles com o objetivo de levar o jogo para uma espécie de Catalã, evitando assim combater a defesa Eslava do Gambito de Dama.

4...e6 [4...g6 5.Bf4 Bf5 6.Db3 Db6 7.e3 Ca6 8.Cc3 Dxb3 9.axb3 Cb4 10.Ta4! Era outra possibilidade, mas com melhor jogo das Brancas como na partida Palatnik-Popov(URSS, 1976)]

5.g3 Ce4 Com o objetivo de tentar entrar numa espécie de variante Stonwall da defesa Holandesa

6.Cfd2 Com a ideia de expulsar o mais cedo possível o Cavalo, mas é duvidoso que seja melhor do que o desenvolvimento natural do outro Cavalo a c3 ou d2

6...f5 7.Bg2 Bd6 8.Cxe4 fxe4 9.f3
[9.0–0 Parece ser melhor]

9...exf3 10.Bxf3
[10.exf3 e5!]

10...0–0 11.0–0 e5 12.dxe5 Bxe5 13.cxd5 Bh3 14.Td1 cxd5
[14...Db6+ 15.Rh1 Df2 16.Db3 com as ameaças de pxp + e Be3]

15.Be3 [15.Bxd5+? Dxd5 16.Txd5 Tf1#; 15.Txd5 Db6+ 16.Rh1 Df2 com ameaças variadas Df1 mate; Txf3 e Dg2 mate]

15...Cc6! 16.Cc3 [16.Txd5 Cb4 17.Txd8 Cxc2 com ganho decisivo de material]
16...d4 17.Bf2 Txf3!
Forte sacrifício de qualidade que deixa muitas vulnerabilidades na casas brancas do Roque do MI americano

18.exf3 Df6 19.Db3+
 [19.Ce4 Dxf3 20.Db3+ Dxb3 21.axb3 Cb4 e a boa situação das peças negras aliada ao forte peão passado compensariam a qualidade]

19...Be6 20.Ce4 Df7 21.Da3
[21.Dd3 Bc4 com ganho de tempo]

21...h6 tanto para impedir um Cg5 como para abrir uma casa de escape ao Rei

22.Rg2 Tf8 23.h4 Bd5 24.Td2 b5!
As Brancas conseguiram evitar Bxe4 ganhando peça, todavia, as negras conseguem agora dar um novo impulso no seu ataque ao Roque com este lance que pretende afastar a Dama branca da defesa de f3

25.Tc1 Bc4 26.b4 a5! 27.f4 Bxf4!! novo sacrifício, agora especulando com a dupla ameaça depois de 28.gxf4 - Dxf4

28.Txc4 bxc4 29.gxf4 Dxf4 30.Te2
Devolvida a qualidade resta esta defesa, mas os peões negros compensam amplamente a peça. A luta está decidida

30...d3 31.Te3 d2! 32.Da4 Dg4+ 33.Cg3 d1D 34.Dxc6 encontrava-me em apuros de tempo e por isso o meu adversário decide resistir. Agora o mais simples era 34...Dç2, mas...

34...Txf2+ 35.Rxf2 Dd2+ 36.Ce2 Dxh4+
[36...Df4+ 37.Tf3 Dde3+]

37.Tg3 Dhf4+ 38.Rg1 De1+ 39.Rh2 Dxe2+ 40.Rh3 Df5+ 0–1



Arlindo,Vieira (FCP) - Joaquim,Durão (SLB)
Cam Nac I Divisão Coletivo (3), 27.02.1987
 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 d5 4.Cf3 c6 5.e3 Cbd7 6.Bd3 dxc4 7.Bxc4 b5 8.Bd3 a6 9.e4 c5 10.e5 cxd4 11.Cxb5 Cg4 12.Da4 Bb7 13.Cbxd4 Db6 14.0–0 Bc5 15.Be3 h5 16.b4 Dxb4 17.Dxb4 Bxb4 18.Tab1 Bxf3 19.gxf3 Cxe3 20.fxe3 Bd2 21.Rf2 Cxe5 22.Be4 Tc8 23.Re2 Bc3 24.Cc6 Cxc6 25.Bxc6+ Re7 26.Tb7+ Rf6 27.Be4 Thd8 28.Td1 Txd1 29.Rxd1 a5 30.Td7 Bb4 31.Td3 Tc7 32.h3 Rg5 33.a3 Be7 34.Td4 Bxa3 35.f4+ Rh4 36.f5 Rxh3 37.fxe6 fxe6 38.Re2 e5 39.Td1 Tc1 40.Td5 Tc5 41.Td1 Tc1 42.Td5 Bb4 43.Txe5 Rh4 44.Bg6 Tc5 45.Te4+ Rg5 46.Bf7 Bc3 47.Te8 a4 48.Ta8 Ta5 49.Th8 Rf6 50.Ba2 a3 51.Tf8+ Re7 52.Tf7+ Rd6 53.Rf3 Bf6 54.Tb7 h4 55.Tb1 h3 56.Th1 Th5 0–1