XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

Mostrar mensagens com a etiqueta Minhas Peças Xadrez. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Minhas Peças Xadrez. Mostrar todas as mensagens

04/12/12

PEÇAS XADREZ PLÁSTICAS PORTUGUESAS 3






Do plástico nacional, talvez as peças mais equilibradas de todas. Claramente de berço inspiracional francês Lardy , ou Pré do mesmo. Sem serem chumbadas, com uma generosa base de 3 vírgula "qualquer coisita",  e um rei de 8 cm "e um bocadinho", estas peças eram razoavelmente aceitáveis para jogar rápidas, ou equilibrar-se em denodados e apertados apuros de tempo. Mostram um bocadinho a sua raça num tabuleiro de 5,5cm de casa e não no claustrofóbico vinil de 5 cm. 



O plástico é do mais rijo, do mais duro que conheço e podem atirar as peças ao chão, à parede, ( nunca à cabeça do adversário – perigo de morte) que elas não partem. Este jogo se tinha sido idealizado com um esticado 1 a 2 cm a mais, poderia ter sido o ex-libris dos jogos de xadrez portugueses. 

 
É dos jogos que muitos Clubes ainda possuem em ativo, ou arrecadados. Não é raro vê-lo ainda em ação em acirrados jogos de rápidas, embora branco mais branco já não há, ou seja, as peças brancas estão surradas entre um sujo-amarelado sem remissão. Um bom banho pode fazer maravilhas, mas não constipem os cavalos. Se tentarem fazer uma "freutrage" com pano verde de bilhar, ou mesmo papel veludo, então começam a ter umas peças simpáticas que ainda aguentam umas meias-solas! 









 


22/11/12

PEÇAS XADREZ PLÁSTICAS PORTUGUESAS 2






Acho que depois de 1974, foram o 2º Jogo Plástico a ser utilizado em competição.



Apareceram e tiveram vida curta. De fabrico de finais dos anos 70 mas bastante mais restrito em quantidade do que o primeiro jogo mostrado neste blogue, lembro-me que nos inícios dos anos 80 ainda se utilizavam. Joguei  regionais com elas e se não estou em erro foram as peças de um ou outro Nacional de Juniores. Na Revista Portuguesa de Xadrez  aparecem em algumas fotos. 



Curioso que  no Sábado no GXPorto, fiz a experiência com a malta xadrezista da minha idade e poucos se lembravam destas peças. Quase que diria que em matéria de jogos de plástico, foram o parente pobre do Xadrez português.


 
 
Esteticamente até as considero  mais bonitas do que o primeiro jogo, e a cor das “Brancas” de um amarelo suave, quase translucido ( não vou perder tempo a explicar porque razão no plástico não gosto do “branco nas Brancas” mas amarelo,  e porque razão  na Madeira a o verniz ou pintura não passa pelo branco nas Brancas ) dá uma certa personalidade às peças…todavia, o seu peso “mosca” e sobretudo o plástico muito frágil tornaram-nas peças de Xadrez mal-amadas pela generalidade dos jogadores portugueses. Jogo com Rei de 7 cm, que se adptava bem à “porcaria” do platex, ou vinil-verde de 5cm de casa.



Penso que hoje é um conjunto de peças raro – o meu GXPorto, não tem nenhum jogo, e muitos Clubes e jogadores pura e simplesmente não as têm, ou pelo fabrico diminuto, ou pela fragilidade dos jogos. – lembro-me que a cruz do Rei partia-se com uma facilidade impressionante.



No meu caso descobri-as quando numa limpeza de uma dispensa de casa de meus pais, estes me informaram que num saco plástico estavam umas peças de xadrez plásticas – estiveram a “dormir” mais de 30 anos! Dei pulos de alegria quando me foi comunicada a boa nova.








Novamente, não sei que as mandou fazer, se foram feitas em Portugal, se o molde era ou não espanhol (sei que nunca vi nenhum jogo igual!) e o próprio preço a que se vendiam…se foram vendidas – o meu ,tenho quase a certeza que o comprei para aí em 1979-80 à  AXPorto com um tabuleiro de cartão que então se usava aqui no Porto – ver fotos.

( Como sempre, clicar para aumentar e "right click mouse" e...guardem!)

19/11/12

PEÇAS XADREZ PLÁSTICAS PORTUGUESAS 1











Vamos lá dar dignidade fotográfica a estas peças. Posso estar enganado, mas foi o primeiro jogo de peças plásticas a aparecer em Portugal depois do 25 de Abril, correspondentes ao plano de desenvolvimento do Xadrez em Portugal. Lembro-me de estar a trabalhar no Serviço Cívico ( um ano zero, antes da entrada na Universidade - Quem ainda se lembra disso?) no Governo Civil do Porto no  IARN-Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais (e não gosto nem do nome nem da forma pouco digna como estas pessoas foram tratadas) quando por volta de Fevereiro Março, recebi ordem de marcha juntamente com outros colegas xadrezistas na mesma situação, para ir por várias escolas do Ciclo Preparatório/Ensino Secundário ensinar xadrez. Sei que nos facultaram através da Associação de Xadrez do Porto, dezenas de tabuleiros de platex e respetivas peças em sacos plásticos que eram precisamente estas.



 



A- Sei que neste movimento de massificação do Xadrez, cheguei a ir a ir como simultaneador a um parque em Coimbra, (a visita de Ramalho Eanes foi ponto de honra) onde estavam milhares de jovens e como tal , centenas e centenas destes tabuleiros, e, se a memória não me falha esteve por detrás deste acontecimento o Madeira (não me lembro do primeiro nome) na altura o grande dinamizador do xadrez na zona centro. Lembro-me que no fim da simultânea se vendiam, ou mesmo davam jogos destes, porque efetivamente eu vi-os aos milhares em caixas, em sacos plásticos. Sei também que numa Revista da FPX, se dá notícia deste acontecimento, talvez o maior em dimensão realizado no nosso país.




B- Estas peças e tabuleiros de platex foram distribuidos por Clubes, agremiações variadas e arrisco mesmo, tascos, tabernas e afins, porque lembro-me de em situações curiosas de jogos de ténis-de-mesa, ver estes tabuleiros e peças em agremiações quem nem xadrez tinham!


C- Não posso afirmar com certeza, mas acho que os jogos foram fabricados em Espanha, com molde espanhol e na ordem de muitos muitos milhares, porque a massificação do xadrez existiu mesmo ( se bem ou mal feita, não me interessa aqui discuitir) e, por isso sou capaz de entender os vários fatores em jogos: necessidade-rapidez de fabrico- preço, versus qualidade. Extraordinário, é que nunca vi estas peças em qualquer lugar, nem sequer no mercado espanhol, ou mesmo como peças de xadrez de ensino em Espanha. Talvez por isso, ache que este jogo foi mesmo feito só para Portugal. Será assim?


D- Plástico razoável, mas moldagem imperfeita com  as linnhas de união claramente visíveis e aqui e ali muitas imperfeições nas próprias peças. Algumas, principalmente Bispos, saíram tortas, ou mesmo com alturas imperfeitas. Apesar de serem um chamado Staunton 4, com Rei de 7cm ( e qualquer coisinha) as peças apresentam a desejada proporção descendente do Rei para a Torre, pese terem um Cavalo feio até dizer chega! ( Em casa, pura e simplesmente nem lhes tocava - usava umas peças espanholas que embora plásticas eram magníficas de tamanho e peso).


E- A maldade dos xadrezistas da època criou a lenda que o "rosto"do cavalo tinha sido inspirada em "excelsa personagem" feminina que gravitava no xadrez português, à sombra de não menos excelsa personalidade masculina! Por decoro, guardo para mim a dita cuja. Maldade xadrezistica, claro.



F- Os tabuleiros de platex , numerados e letrados tinham de lado direito o símbolo da DGD e as palavras " Direito ao Desporto" e sem poder afirmar com cem por cento de certeza, foram os primeiros tabuleiros a aparecer, ainda antes dos de vinil verdes. Eram tabuleiros engraçadissimos, pois com o tempo, a humidade, ou o calor, o platex pura e simplesmente curvava, e, cheguei a jogar em alguns cujo movimento mais brusco de peças, os fazia girar - juro! O contraste entre as casas brancas e negras, era entre um castanho claro e um castanho escuro, que embora suficiente, poderia ser melhor.. Os 5cm de casa chegavam e sobravam para o tamanho das peças, mas este platex, sujava-se com uma facilidade espantosa e como não eram laváveis, imaginam as manchas incríveis que alguns apresentavam, denunciadores da comida ou bebida com que perto de si alguém resolvera tirar a barriga de misérias. Alguns estavam porcos, porcos, porcos! 
Depois... estes tabuleiros permitiam um xadrez que bem, ou mal jogado, era lindo: o Xadrez sonoro! Eu explico, não era o barulho de uma peça a bater na outra numa captura, não! Era aquela "Tchloc", aquele som cavo que nunca mais esqueço do colocar qualquer peça numa casa que pelo tabuleiro ser de platez e a peça não ter feltro, fazia um barulho magnífico que todo o xadrezista entradote conhce"Tchloc"! Os tabuleiros de vinil vieram acabar com este som inesquecível!
Tenho dois, quem nem sei como chegaram atá mim, mas  têm carimbo da AXP-Economato com o número 1021 de tabuleiro! Vai para muitos anos, ainda longe destas coisas do passado e do amor à preserverança da memória do xadrez, como estavam imundos de nódoas resolvi torná-los apresentavéis cobrindo-os de papel auto colante. Estraguei tudo! E quase  apetece esbofetear-me !










G- Hoje estas peças ainda existem em muitos clubes, ou aqui e ali, abandonadas em armários e fundos de sedes de clubes. O Meu GXP, tem ainda bastantes jogos, embora quando fiz o inventário, descobrisse que estavam muitas peças misturadas com outros jogos.
Lembro-me que numa Preliminar do Nacional, na antiga sede da FPX (Luciano Cordeiro?) numa sala quase que se pisavam as peças de xadrez, tantas eram -  milhares! Eram sacos e sacos e sacos e tabuleiros verdes espalhados por tudo o que era sítio.
Os tabuleiros de platex que referi, ainda existem mas começam a ser uma raridade e gostava que quem os possuisse , percebessem que neles está um bocado da História do Xadrez Português.









H- Apesar de as achar umas peças de xadrez vulgares, medíocres de design e sobretudo pouco adaptadas à competição, elas foram as peças de Nacionais individuais e coletivos e durante anos rainhas dos tabuleiros. Quase que se colaram ao xadrezista português pela sua inevitabilidade e persistência no tempo. Hoje rio-me quando me lembro que no meu único Nacional absoluto em S. João da Madeira , joguei com estas "queridas"! Bem Hajam!

(Clicar para aumentar as fotos! Toda a liberdade de as guardar para memória futura!)

14/11/12

PLÁSTICO NACIONAL ...PEÇAS




Um artigo escrito em 2002. Cáustico, mas com algum humor. Sobre Peças de Xadrez, sobre Plástico no Xadrez Nacional. Hoje, tudo mais matizado e refletido.

A- Percebo o contexto em que as alguns peças foram realizados, principalmente o 1º modelo - nos idos finais dos anos 70 e princípios do anos 80, a enorme massificação e a necessidade de milhares e milhares de jogos e tabuleiros, bem como o preço elevado que era pedido por um molde original por onde eram realizadas as peças.

B- Hoje com outra atenção e porque também coleciono jogos de Xadrez Stauton de plástico, consigo descortinar alguma beleza ( as fotos provam-no) em algumas peças, o seu recorte, a junção moldada, a robustez, a quase indestrutibilidade de um um ou outro modelo, a quase aproximação a modelos clássicos de madeira como o modelo Lardy francês ou Pré-Lardy.Apenas e só o tamanho rídiculo que sempre caraterizou os jogos de peças plásticas usadas em Portugal me continua a intrigar...é que podíamos ao menos ser grandes nas peças de xadrez!

C- No meu GX Porto um ou dois anos depois de escrever este artigo, e, ainda antes de ser dirigente, consegui de forma que não interessa referir, acabar de vez com o plástico naquelas mesas. Depois, eu e o Rogério, encarregamo-nos de trazer dignidade na modernidade-antiguidade do G. X. Porto quer nos tabuleiros, quer nas peças.

D- Nesta luta da dignidade do material de Xadrez muito fez a Luso Xadrez,  o António Russo, o Dinis Furtado, o pessoal da Casa do Xadrez, embora outros clubes e depois a própria FPX, a A X Porto mostrassem alguma preocupação com tabuleiros e peças.

E- Continua a jogar-se com plástico? Continua! A idiotice é que muitas vezes em vez das peças generosas da Majora com um Rei de 10 cm de altura - as últimas da gravura   (que deveriam usar-se com tabuleiros de 5,5 a 5,8 de quadrado!!!) continua-se a preferir umas peças raquíticas com um Rei de 7cm de altura, o penúltimo Rei da gravura. Gostava de entender, mas não consigo! Mais... hoje na Web conseguem-se peças de plástico com  moldes/design lindissimos  "Jaques Staunton" a preços da chuva, mas isso é para quem sabe e gosta!

F- Por acaso, na minha coleção, falta-me esse Staunton plástico usado no Zonal do Algarve de 1978, e salvo erro, num Campeonato Nacional Individual disputado em Ilhavo (ganho pelo Fernandes?)!

G- Falo de plástico, e 5º Feira recebo da Eslovénia uma encomenda com  umas peças de plástico! Uma réplica perfeita das Dubrovnik 1950, aquelas que eram amadas por ...Bobby Fischer, as suas peças pessoais. Claro que gostava de ter a réplica em Madeira, mas salário "encoelhado" não dá para mais.

H - Qualquer informação sobre os primeiros quatro jogos era bem vinda e ficava eternamente grato ao leitor: Onde foram feitos os jogos? Os moldes eram Portugueses? Quem esteve por detrás da aquisição das peças? Alguém se lembra do preço dos primeiros jogos em...escudos? 

Então aí vai o escrevinhado em 1982.


O que vou escrever neste artigo, talvez vá parecer estupidez a muito boa gente! Paciência! Temos pena! Gostem, ou não, podem ter a certeza que o escrevo com uma grande raiva, uma imensa e dolorosa pena dos jogadores de xadrez! Sim porque quando penso nisto, acreditem é das raras coisas que me consegue irritar no xadrez! Podem também considerar este artigo como uma breve história do plástico xadrezistico em Portugal!


Para começar, a primeira farpa: Os Jogadores de Xadrez, principalmente em Portugal, são de um desleixo, de uma "faltinha de gosto" impressionante! Não, não estou a referir-me à roupa, aos tiques, às atitudes, estou-me sim a referir a uma coisa muito simples, sem a qual não existe xadrez: O MATERIAL!!

Sabem uma coisa? Badminton, Ténis-de-Mesa , Bilhar, Pesca Desportiva, Canoagem, Ténis, etc.etc.etc,  Nunca vi uma modalidade desportiva, onde os atletas, ou  praticantes, não se preocupassem com o material que usam!! Só no Xadrez!!  Conversa fiada! Não é! Jogador federado que fui durante anos de Ténis-de-Mesa no CDUP, e Badminton no Águas Santas, posso testemunhar, o cuidado com as raquetes, os volantes, as Varna ou as Joola,  da maioria dos jogadores! Sim, caros leitores! Aprendíamos à nossa custa que uma raquete de alumínio, não era a mesma coisa que uma de Carbono ou Boro, que determinado encordoamento e tensão na raquete, podia  fazer a diferença entre andar a "apanhar bonés", ou não ter ao fim de um set toneladas nos braços!
No Ténis-de - Mesa era ver o cuidado com as borrachas Sriver, Tackiness, ou com as madeiras e colas das borrachas. E os avanços na cor das bolas, ou na cor das mesas, para melhorar as performances, segundo estudos científicos? E os sujeitos do Bilhar de competição, o cuidado, o amor que tem pelo taco, pelo estojo? Como se poupa para arranjar um taco de  madeira nobre, etc, etc. E a variedade e complexidade do material de Ténis?


E os xadrezistas? Bem, os Xadrezistas têm tão mau gosto, que até dizem que "empurram a madeira", quando sabem que a maioria das vezes empurram o plástico! Não, nós  devemos ser os praticantes da única modalidade, em que vale tudo, jogar com tudo, empurrar tudo e, com a alegre convicção que isso não interessa! Ainda nos recentes nacionais de Jovens na Amadora, pega-se nos jovens e "pegai lá plástico", ainda por cima péssimo plástico! Mesas e cadeiras do mesmo, tabuleiros de algo parecido, e não querem jovens plastificados! É das maiores indignidades que conheço, hoje em pleno século XXI, um Campeonato Nacional , seja de que escalão for, ser jogado com as miseráveis, anãs e mal feitas chamadas " peças da Federação ". Não dá bom nome à Federação, nem felicidade ao jogador que as tem de manusear!

Claro que toda a minha vida Xadrezística de competição foi realizada com as tais peças referidas, que se não estou enganado já tiveram três versões! Será aquilo a que chamo " burrice ao cubo " ! Mas não, nós jogadores habituamo-nos a elas, quase que sentimos falta delas, quase sentimos raiva se não as vemos " tortinhas" "sujinhas", " amarelinhas " se possível em cima de tabuleiros ainda mais sujos de verde derrota em vez de verde esperança! Certa vez, num defunto Fórum dirigindo-me aos jovens,  descrevi as condições de jogo que muitas vezes fui obrigado a suportar. Querem rever o que escrevi? Aí vai!

 " Vamos às peças e tabuleiros! As vossas mesas e cadeiras são cadeirões e mesas do palácio real de Sintra! Comparado às condições de jogo que tenho  encontrado ao longo dos meus trinta anos de xadrez, a vossa situação...Um  Luxo! Provas? Olhem lá "terna chavalada", já joguei em tabuleiros engraçadíssimos ...eram de platex ( contraplacado) da Direcção Geral dos Desportos e sabem o que acontecia? Não querem saber? Pronto então eu conto! Os tabuleiros com a humidade ficavam ovais e acontecia uma coisa extraordinária, bastava tocar e jogar uma peça e o tabuleiro "dançava" e se o lance era feito de forma mais apressada, o tabuleiro rodava, ou seja, o "gajo" que estava de brancas passava subitamente a jogar de negras!! Pensem
bem, numa época em que não havia Fritz, ou Chess Base, ou Rebel, nem sequer computadores de xadrez, tínhamos o hoje moderno FLIP BOARD, dos programas de xadrez!


Sabem que já joguei em tabuleiros atuais verdes e brancos de vinil, em que a sujidade, as marcas do verde tinto, do café e bagaço, era tanta, tanta, tanta...que Oh fenómeno da natureza, os quadrados eram "verdes-porco" e "branco-ordinariamente sujo"! E sabem que os tabuleiros do meu próprio clube durante anos, o glorioso F.C.Porto eram azuis mas feios? Mas que cheguei a jogar com peças vermelhas e tabuleiros vermelhos? 

E que jogos houve, ao longo da minha vida de xadrez, que para surpresa minha a diferença entre REI e DAMA era quase nenhuma, porque a cruz do rei tinha desaparecido, e a coroa da dama estava tão gasta, que para distinguir as  peças só havia uma solução " espreitar por debaixo da cuequinha da dama"? E cavalos desdentados, esventrados, desorelhados, desafocinhados, coxos, etc, etc? E torres, tão sem ameias, que pareciam sanitas públicas? E peças com defeito em que o plástico estava tão torto, tão torto, deformado, que a  peça pendia para um dos lados, o que me obrigava a atacar no flanco, para onde o plástico estivesse virado? E "peões cabrões" uns ou dois centímetros mais pequenos do que outros, e que se perdiam escondidos no meio das peças! Se calhar eram os peões para dar de gambito! Às vezes dava-os de borla, só
para não ver os "raquíticos", que para "caga-tacos", basto eu Arlindo Vieira!

E sabem que joguei em bares, com mesas daquelas do "tipo" bar do Cais do Sodré?, mesas redondas de 50 cm de alturas com bancos tipo "puf", próprios para o engate, mas...porra, eram gajos os meus adversários!

E mesas em que  não havia espaço para colocar os cotovelos, o que me obrigava a pôr as mãos  no " Abono de família ", vulgo órgãos sexuais, e a escrever os lances na  folha de partida, junta a uma tabuinha nos joelhos! Imaginam os apuros de tempo? E se eu me enganava com a caneta? Olhem poderia não ter mais crianças, o que significava, dar cabo do tal abono de família!

Mas há mais! Joguei xadrez não em mesas, mas em tábuas de madeira de todas as qualidades e feitios! Sou um especialista de carpintaria, devido ao xadrez, juro!!! Joguei em tábuas tão grossas que se no final da partida desse um murro na mesa depois de uma derrota, lá iria a mão para  o "caraças", mas também em tábuas tão finas, que um pequeno toque de um joelho
fazia as peças e tabuleiro elevar-se qual "Space Shutlle" na atmosfera?

E salas com jogos de bilhar snooker ou livre a decorrer, durante os jogos?

 E  salas tão velhas, tão degradadas, que se via o andar de baixo pelos buracos no soalho? E salas em que chovia lá dentro? E salas "alpinistas" em que se tinham de subir para aí 200 escadas? E jogar em cozinhas?

E jogar em condições "esquimóticas" em que o simples levantar a peça levava  ao congelamento imediato da mãozinha que o fazia? E salas de sauna, em que a falta de ar, a transpiração era tanta, que até as peças suavam? "

Foi isto que escrevi! Hoje, continuo a dizer que pouco mudou! A FIDE tem recomendações para a utilização das peças de xadrez e tabuleiros,  aconselhando As peças Staunton nº 5 ou 6 e tabuleiros de 5, 5 de quadrado! Continuamos com as peças pseudo-Stauton 4 feias, minúsculas, sem graça, "pau para toda a colher" e que até Clubes de xadrez prestigiados como o meu G.X.Porto se converteu, vai para anos! É uma luta que tenho perdido! No meu saudoso F.C.Porto, tínhamos os tais tabuleiros azuis e cinzentos, mas  recebíamos em nossa casa, as equipas com as nossas peças Staunton espanholas de madeira,!

Estas peças de plástico, principalmente as primeiras, tenho uma vaga ideia como apareceram, agora o que é incompreensível e continua a sê-lo, é o molde miserável em que estas peças foram e são moldadas! Já nos finais dos anos 70 a Majora tinha modelos de peças lindíssimas, de madeira-modelo alemão, ( tenho um! ) e plásticas , modelo inglês, ( também tenho ) igualzinho aquele com que se fez a massificação do xadrez nos anos 70 e 80 nas Ilhas Britânicas, peças grandes, quase um Stauton 6 .

Mas não , depois de uma primeiras peças anémicas, esguias, com peões raquíticos, surge uma 2ª versão, sempre pequenina, enfezada, com peças amareladas com cavalos desconfiados quase a relinchar de medo, depois uma versão em que as peças estavam melhor alimentadas, o Cavalo tinha melhor cara, e a um bispo esquelético das primeiras, sucedeu, um bispo, gorducho, bem encarapuçado! Agora existe uma versão, novamente anã, das peças plásticas em Portugal, esta "políticamente correcta" do estilo " não comprometer", nem são como as primeiras, nem como as segundas, são digamos "intermédio da tal ponte de tédio" que sinto a olhar para elas! Então os cavalos senhores, têm um focinho baixo, envergonhado, quase que a assumirem a sua inferioridade em relação ao par de bispos! Feias! Feias! Feias a valer! Quem compra disto, devia ir para " a plastificação que o plastificou" !


E depois, que tem isso a ver? Isso interessa alguma coisa? Ouçam lá ! Vocês julgam que um Grande Mestre, ou mesmo um MI, jogam com uma "merdaça" destas num torneio Internacional? Provem-me! Mostrem-me revistas, imagens onde: A- GM joguem com plástico B- Torneios Internacionais onde se jogue com peças Staunton 4.


Uma história verdadeira: Vai para anos num Zonal no Algarve, onde estavam  vários Gm da ex-Jugoslávia como o Ljubojevic, o Ivkov, o Velimirovic, entre outros, estes recusaram-se terminantemente a jogar com as peças plásticas da Federação, e o Ljubojevic, segundo parece, até quis atirar com  um tabuleiro e peças pela janela fora! Nesse Torneio a Federação teve de se desunhar e ir a Espanha comprar umas peças de plástico a imitar madeira, mas um Staunton enorme e bonito tamanho 6 ! Hoje nos nacionais e em torneios internacionais a Federação já vai apresentando tabuleiros e peças modelo espanhol.

E já agora uma pergunta: Com que material recebem nas vossas Salas as equipas adversárias? Certamente com plástico? Não acham que é tempo de receber os adversários com umas belas peças e tabuleiros de madeira? Estou louco? São caríssimas! Resposta: É MENTIRA! Sabem o que me apetecia escrever aqui - e vou escrever : " diz-me que peças de xadrez tens na tua sala, dir-te-ei que Clube és! " !


Algum dia posso conceber ou imaginar, um Clube como o G.X.Alekhine, ou Um Ateneu Comercial de Lisboa, ou o meu G.X.Porto com peças da Federação em cima das mesas?

Não me venham falar de progresso, na inevitabilidade das coisas! Jogar num bom tabuleiro de madeira com peças de madeira, não é a mesma coisa do que jogar naquela "mixórdia" das peças plásticas e tabuleiros plásticos! Quando estiverem num torneio, façam a experiência: sentem-se em frente de dois destes tabuleiros e digam-me que é a mesma coisa: não é!

Abaixo o plástico xadrezistico. Pela dignidade da madeira e do "empurrar madeira"!