XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

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16/11/14

CAMPEONATO DO MUNDO...A SÉRIO! Fischer-Spassky

Pois...quem veio aqui pelo "Carlão" X "Anão" desengane-se. Aquilo é tão emotivo, mas mesmo tão emotivo que o meu vai para velho coração já não aguenta. É mesmo! Emoção a rodos, relatado e tudo com verve, com "panache" pela Santa Casa da Mesericórdia do Xadrez internacional quem tem uma base no chess. Então não ver um 26...Ce5 de 1400 de Elo e quase 0:1 e perder a partida é obra. Claro muito cansaço, de tanta partida disputada ( 6!!!), muita tensão nervosa, um grande campeonato do mundo de "sueca", desculpem...xadrez. Pois, só que eu começo a acreditar em coisas,  noutros submundos no mundo do xadrez. Existiram sempre e sempre existirão. Temos pena. Como pena temos dos ingénuos que vão alimentando este triste mundo do xadrez atual. Lá vai a "Mula" do Karsten de parceria com o Dvoretsky fazer um livro do estilo "Tragicomedy in the Midllegame: Instructive Mistakes of the Masters" - ( brinco como é óbvio, e o com o mesmo título in the Endgame é um livro fabuloso para demonstrar tanta coisa óbvia sobre o desconhecimento absoluto de muitos GM do topo sobre finais - desculpem Rubinstein, Schlechter, Capa, Botvinnik, Fischer, Karpov tão douta e inculcada ignorância de muitos bimbos GM apesar de tanta experiência acumulada de xadrez - que nem sabem , nem querem saber.
Assim mundial, mas uma coisa com algum cheiro a naftalina , mas artigo de luxo, de bom gosto, com "griffe".

Da Revista Observador nº 81 de Setembro de 1972 (42 anos!) esta reportagem muito bem escrita mas mistério: não tem assinatura, nem do artigo nem no índice da revista. Alguém saberá desvendar o mistério? Ou será uma tradução de qualquer agência de notícias?
Aí vão pois as páginas para o  já vosso conhecido "right click and save!" que sou um mãos largas pois claro.









07/11/14

VASCO SANTOS ... Só para não esquecer





Em 2006, num comentário no blogue do Alverca aquando da sua morte, escrevi a respeito de uma polémica ( Xadrez Livre)  na Stadium entre o Vasco Santos e o Costa Moreira 

"Vasco Santos num número posterior de 10 de Dezembro de 1950, dá a sua própria opinião sobre o Xadrez Aleatório, no seu estilo fluente, bonito, escorreito mas profundamente elucidativo. Vasco Santos era um grande escritor de xadrez! Um colunista brilhante, talvez dos melhores, senão o melhor que passou pelo xadrez português! Já agora…para quando uma merecida homenagem ao Vasco Santos? Para quando este miserável país passa a não esquecer aqueles que lhe deram algo? Para quando nós, xadrezistas, que deveríamos ter memória bem estruturada, só a temos para variantes, posições, e não para o xadrez sentido dos afectos, do não esquecimento? No Xadrez, como noutras actividades, gostamos imenso de mandar as pessoas para os “lares de 3ª idade do nosso esquecimento”, como se o jogo que amamos, não o seja pelo que outros no passado lhe dedicaram!" - Arlindo Vieira

Reafirmo hoje o mesmo! 


Só um país peão sem alma, só uma comunidade xadrezista entre o parolo, o pacóvio, e sobretudo ingrata e mal agradecida é que permite que um nome como o de Vasco C. Santos esteja num limbo ignóbil. Pronto,  já sei,   foi organizado um torneio em sua memória vai para anos e uma sessão solene…querem um biscoito?! Acham que isso honra alguém como o Vasco Santos?
O António Pereira dos Santos dedicou-lhe umas belas palavras, mais aqui e ali umas lembranças aquando do seu falecimento e a partir daí o esquecimento.
Não, o que era preciso é que qualquer jovem mancebo se aventurasse a recolher tudo (e foi tanto, tanto! a Bola, Record, Mundo Desportivo, Flama, o Diário de Notícias, Jaque etc. etc. ; ) o que este Grande Homem do Xadrez escreveu sobre xadrez em jornais e  revistas  de xadrez ou não xadrez.
Eu dou uma ajudinha ( Flama  Ano VI nº 62 de 13 de Maio de 1949) se não se importam neste meu humilde blogue. Já agora, se me puderem identificar a foto do artigo agradeço encarecidamente ( É o Vasco Santos? Se o é, porque razão ninguém colocou esta foto online?). Se o for, finalmente uma belissima foto de Vasco Santos.
Ah! Não esqueçam: right click and save!




Caro Mestre Vasco Santos, vi-o duas vezes, mas nunca lhe falei. Sei hoje o que perdi de cultura e nível de xadrez. Valeu-me o que foi deixando escrito, e foi muito, de amor-paixão ao xadrez . Alimentou este feitiço  embevecido de Caissa que não me larga. Grato eternamente.


23/01/13

SISNIEGA, Marcel ...







Foi no dia 19 deste mês, de enfarte súbito, morreu relativamente jovem aos 53 anos. Era um GM de xadrez talentoso, mas retirado do xadrez de alta competição que nos meados dos anos 90 abandonou por não se rever nos meandros quase mafiosos, oportunistas e elitistas para os quais o xadrez de topo se encaminhava muito por culpa de uma FIDE desde o fim do mandato de Olafsson , (des) governada por gente de estatura ética e xadrezista  de duvidoso valor, mas também por jogadores de topo mais interessados nos seus proveitos e fama do que no xadrez em geral. Disse, abandono do xadrez de alto nível que não do xadrez, porque continuou até pouco tempo antes de morrer ligado à sua terra natal (Cuernavaca Morelos) e ao desenvolvimento e ensino do xadrez no México.


Jovem, bem parecido, de forte personalidade, elevado sentido ético, e sobretudo de um nível cultural elevado num meio onde apesar de títulos e normas, a burrice ensimesmada, a incultura gritante, os atavismos psicanalíticos mais entranhados e doentios proliferavam e proliferam, não admira que Marcel Sisniega Campbell mostrasse outros poderosos talentos que não só os do xadrez, nomeadamente no cinema e na escrita. Tornou-se um novelista de mérito reconhecido e sobretudo um, cineasta de renome no contexto do cinema mexicano em particular e da América do Sul em geral.



Morreu pois um GM ( título adquirido em 1992- ainda os títulos não se obtinham de aviário) que muito deu ao xadrez mexicano e que se agora prova era altamente reconhecido em determinadas zonas do xadrez que não as comuns de blogues, ou da Juvenália do xadrez atual de velocidade arrepiante de novidade teórica, mas também de esquecimento sónico do passado do xadrez, das pessoas de que é nutrido o xadrez.

Pela própria personalidade/nível pessoal de Sisniega, por influência de um livro de Gabriel Velasco, e pelas referências do MI Raul Ocampo, vai para muitos anos que me interessei por este jogador e GM mexicano. Segui alguns dos seus inúmeros e belos artigos  de xadrez no jornal mexicano “El Universal” e que podem ler e descarregar em :


repassei no tabuleiro belas e variadíssimas partidas de Marcel, segui aqui ou ali a sua carreira cinematográfica, embora nunca tenha visto um filme completo da sua lavra, descobri um grande livro de xadrez da sua autoria.


Assim, morreu Marcel Sisniega, e o xadrez Americano ficou mais pobre. Um xadrez onde a tragicidade tem atacado em demasia pela ceifa de jogadores talentosos e, estou-me a lembrar do  GM argentino Gerardo BARBERO desaparecido em 2001 apenas com 39 anos de idade, ou desse grande jogador cubano que foi Guilermo GARCIA que desapareceu deste mundo num estúpido acidente rodoviário em 1990  aos 47 anos.



Que escrever sobre Sisniega GM de xadrez que não fosse já escrito? Como fazer para não repercutir o mesmo que vai enxameando os blogues com as mesmas notícias ? Talvez deixando Sisniega falar de Xadrez e Marcel era um excelente professor de xadrez, para além de grande jogador. De escrita simples, fluente, essencial, com raras capacidades de comunicar xadrez, conseguia no que escrevia quer no Jornal, quer no livro que nos legou, traduzir a paixão, o entusiasmo, a competitividade ligada às emoções sentidas durante uma partida.



Deixemos pois falar Sisniega, mas antes quero aqui colocar uma foto, rara, embora fraca qualidade. Esta foto não deve trazer grandes recordações ao Kevin Spraggett , apesar de a sua recordação do seu enquadramento ser das mais aprazíveis da sua carreira, já que para além do título de GM, conquistou um lugar nos Candidatos neste Torneio. E a partida não lhe deve trazer gratas recordações, pois foi a única que o Kevin perdeu em TAXCO no ano de 1985 num torneio brilhante, onde só foi superado por Timann, Nogueiras e Tal! Que Xadrez magnífico jogava Kevin Spraggett nesta altura!



Nesta foto a cara de Spraggett diz tudo. Estávamos no lance 41 e o seu adversário o cubano Jesus Nogueiras ( As partidas entre Spraggett e Nogueiras foram quase sempre de grande luta no tabuleiro e saudável rivalidade- basta vê-las numa base de dados!) tinha acabado de realizar um 40...Ba3 a que Kevin respondeu com 41.g4 e a partida salvo erro foi adiada. O par de Bispos de Nogueiras irá impor-se sem dificuldades dez lances depois. O árbito sela o envelope, Tal parece interessado em algo que não na posição do adiamento, Kevin cofia o bigode (?), quase certo do inevitável, e alguém de mãos nos bolsos observa interessado mas também percebendo o futuro do final das Brancas- nem mais… SISNIEGA .



E Sisniega sobre Taxco 85 escreveu um livro magnífico sobre a sua própria participação ronda a ronda em perpassa toda a sua humanidade, as suas alegrias, as suas deceções, as suas dúvidas, as suas análises, erros, derrotas e vitórias, em suma um livro de torneio em gente, em carne-viva como raramente se vê num livro de torneio, ou num livro de um GM que sabe amar o xadrez. 

Talvez o seu livro fosse terapêutico, pelo falhanço neste torneio de Sisniega, ele que tinha no mesmo grandes esperanças e expetativas senão no apuramento, pelo menos no título de GM ( era simplesmente na altura MI) ,sendo para mais um Interzonal na sua Pátria, talvez, ou talvez haja nele algo de justificativo num ato de enorme humanidade. Excelentes comentários verbais, certeira escrita de estados de espírito durante a partida, variantes que chegam sem nos sufocar "de poderia ter sido", ou "em vez disto e daquilo, outra coisa",  com dezenas de outras variantes que ramificam em outras dezenas de saubvariantes, mas sim no equilíbrio quase perfeito entre análise e texto, tudo junto numa linguagem xadrezista elegante, formalmente apelativa e de grande nível intelectual (tão diferentes de broncos e grunhos que escrevem para revistas especializadas!).  Sobretudo um livro de xadrez como poucos, que em muitos pontos que Marcel conhecia e bem a literatura do xadrez, e sobretudo o Tal de 61, ou o Bronstein de Zurique 53. 




Vejamos como Marcel Sisniega analisa a sua partida da sessão catorze com Spraggett, sem rede, isto é, sem informática. E sem Fritz, ou Houdini, ou afins (que fácil era mostrar isto ou aquilo para armar ao agora é que se joga e analisa!!) vou deixar falar o GM mexicano. E como fala Sisniega! Como se exprime Sisniega!  Ele que me perdoe lá no Reino de Caissa a minha tradução um pouco atamancada do seu texto.



Sisniega,Marcel (2470) - Spraggett,Kevin (2560) [B44]
Taxco Interzonal Taxco (14), 1985
[Marcel SISNIEGA]
Cada partida de xadrez tem uma vida própria, uma carateristica que nos envolve mas também ultrapassa. Quantas vezes ao penoso desgaste dos exércitos em terra, surge uma força desconhecida que nos coloca de sobreaviso negando-nos a manobra que iriamos fatalmente empreender? Explico: uma coisa é o impulso, outra o pressentimento. Aquele nasce à superfície, chama débil de uma mal assumida facilidade. O  pressentimento é diferente, nasce do medo e obedece a a uma iprofunda intuição. Sem sabermos explicar a sua génese, aparece rapidamente à mente do xadrezista concentrado na sua tarefa. Para nossa infelicidade, estes lampejos de lucidez passam de forma fugaz e voláteis como um deus grego e só apercebemos da sua parábola ao decantar as impressões da memória.Era a minha oportunidade de abrir fogo com as peças Brancas. as voltas do sorteio fizeram Kevin Spraggett tomar uma decisão fora do comum. Na ronda inaugural quase teve Timman nas cordas. Agora, com a classificação quase conseguida, resolveria a arisca Defesa Siciliana. Prepara-te para um grande duelo-disse Victor ( Frias). Logo acrescentou: O estado de espírito de Spraggett é precisamente o necessário. Vejo-o entrar no teu jogo.  

1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cc6  

Esta ordem de lances permite às negras evitar4 o ataque Keres, em troca de se acreditar firmemente na formação "ouriço"  

5.Cb5 d6 6.c4 Cf6 7.C1c3 a6 8.Ca3 Ae7 9.Ae2 0–0 10.0–0 b6 11.Ae3  

No passado aceitava-se de bom grado que esta formação de Maroczy oferecia às Brancas um pressão duradoura. Hoje estas ideias modificaram-se e este esquema das negras mantêm uma igualdade teóirica com as ameaças de rupturas em b5 ou d5  

11...Ce5  

Alguns podem preferir 11...Bb7 12.Db3  Cd7. Em ambos os casos estaremos perante uma guerra de trincheiras. A estratérgia será moldada por manobras laboriosas e jogo de peças e ligeiras provocações. [11...Ab7 12.Db3 Cd7]  

12.Db3 Ced7 13.Tfd1 Ab7 14.f3 Te8 15.Tac1 Tc8  

Afastando-se de 15...Ta7 como jogou Alonso Zapata contra Eric Lobron em 1984, e de 15...Dc7 a preferida de Romanishin. Em principio achei que a jogada do canadiano debilitava o peão b6, embora tivesse de estar atento a um eventual e oportuno d5 da sua parte. Nesta posição vale mais o peão lateral ou o Rei?  

16.Ca4 d5 



17.e5 Acreditei ser necessário impedir qualquer ação à Torre negra cem e8. Quando bem realizada, a estratégia é o justo contrapeso da tática.  

17...Cxe5 

Infatigável mastigador de chiclete, Kevin Sporaggett entra serenamente nas complicações 

18.Cxb6  
[18.Axb6 Dd7 19.c5 deixava o meu Bispo fora de ação]  

18...Tb8 19.c5 Dc7 

 O reagrupamento das Negras obedece a vàrios motivos: desde a saída tática CC6-De5 , até ao contrajogo  no centro 20. Rh1 C5d7 21.Cd7 Cd7 22.Dc2 Tfc8  23.B4 e5. De momento decidi virare as baterias para o peãozito de a6. Discutivel? Como se verá, não o podia saber.  

20.Da4 Cc6 21.Axa6  

Toda a minha fé estava concentrada na captura deste peão. Sentia-me inteiro. Lúcido. Atraído pela força das peças. Inclusivamente sentia uma energia desconcertante. Como explicar? Avizinham-se complicações; tinha calculado com alguma precisão e  dei-me conta dos perigos que advinham da captura do peão de Torre, estar de estar plenamente convencido do correto da  minha decisão. Nenhum remorso, nenhuma dúvida constituias entrave à minha visão. Talvez pensasse que Fisher e Alekhine deveriam ter essa fé cega em  cada uma das suas partidas.Razões para a minha surpresa quando mais tarde na sala de análises descobrimos possibilidades excelentes:21. Rh1 De5 22.Bf4 Db2  23.Tc2  ou21.b4 De5  22.Cc2 d4? 23.Cc4 Isto levou-me a pensar que  uma energia levada ao extremo por vezes canaliza os acontecimentos. Por outras palavras, uima vontade forte, insistente, poderosa vai-se impondo durante a partida. Poderia em minha defesa, trazer a terreiro uma legião inteira de grandes jogadores  sucessivanente desfeiteados pelos Campeões do Mundo. [21.Rh1 De5 22.Af4 Dxb2 23.Tc2; 21.b4 De5 22.Cc2 d4 23.Cc4] 

21...Ta8 22.Cb5 De5 23.Af4 Txa6 


 [23...Dxb2 24.Cc7 Axc5+ 25.Txc5 Dxb6 26.Db5 Txa6 27.Cxa6 Com ganho de qualidade] 

24.Axe5 Txa4 25.Axf6  

Inesperadamente apercebi-me de: [25...Txa2 26.Axe7 (26.Cc7 Axf6 27.Cxe8 Axb2 com situação confusa. Talvez fosse satisfatória (27...Ad4+ 28.Rh1 Txb2) 28.Tb1 Ad4+ 29.Rh1) 26...Txb2  
 Apercebi-me no entanto que Spraggett retrocedeu a Torre]

25...Ta5   


26.Cc7  
Esta jugada intermédia estava nos meus cálculos 

26...Axc5+ 27.Txc5 Txc5 28.Cxe8 gxf6 29.Cxf6+ Rg7 30.Ce8+ Rg6 31.Td2  


Spragget estava muito apurado de tempo. Ao contrário do que tinha acontecido com Prandstétter, senti que o canadiano não me escaparia.  

31...Tc1+ 32.Rf2 d4 33.b4! e5 

 Em apuros de tempo, o meu adversário não quis averiguar se existia mate depois de 33. ....Cb4  34.Td4 e 35.Tg4+ 

34.Cd6! Cd8 35.Cd7?  


Um jogador de técnica não muito apurada sabe que deve manter os peões unidos. Ganhava: [35.a4 Tb1 (35...Rf6 36.a5 Re6 (36...Ta1 37.f4!) 37.Cxb7 Cxb7 38.a6) 36.b5 Ta1 37.Cdc4 Tb1 38.Tb2]  

35...f6 36.b5 

 [36.Cc5 Ad5 37.a4 Cc6 Com incerteza no resultado; 36.Cxb7 Cxb7 37.a4 Cd6 38.b5 Cc4 Inclusive as pretas estariam melhor]  

36...Ad5 37.a4? 

 a iluminação de quinze jogadas antes transforma-se agora em vulgar ansiedade. O que me impedia de situar a Torre atrás do Peão passado? 

37...Ta1 38.Tb2 

 Finalmente! Como era possível que Kevin Spraggett em situação evidente de inferioridade no tabuleiro, com a bandeira do relógio prestes a cair, mantivesse esse ar , essa postura imperturbável? Eu, gastava os meus últimos minutos em cálculos laboriosos e ao ver que ganhava uma peça , escolhi essa variante  

38...Txa4 39.b6 d3! 



 Depois da partida Spraggett sugeriu outra variante, mas inferior [39...Ae6 40.b7 Cxb7 41.Cf8+ e Cb7]  

40.b7 Cxb7 
 respirei de alívio.Uma peça é uma peça. Não tinha sentido esconder o meu próximo lance e assim  realizei-o à vista de Spraggett. Depois de guardar a folha de partida no envelope, fui-me encontrar com o eufórico Victor Frias  

41.Cxb7 Td4 42.Re1 
 Forçado  

42...e4 uma simplificação inquietante. 

43.Cf8+  
[43.fxe4 Txe4+ 44.Rd1 Te2! E o meu Cavalo de b7 só merece um tiro na cabeça.] 

43...Rg7 
 [43...Rf7? 44.Cd6+ Rxf8 45.Tb8+ seguido de 46.Cf5]  

44.Cd6 d2+ 45.Txd2 Txd2  




Bonito. Uma peça a mais e bem poderia tranquilamente propôr empate sem adiamento!Lavei a cara com água fria. Outro meio ponto desperdiçado por água abaixo.Que fazer? Tirariamos mais jugadas da gaveta. E se nos equivocamos? Esperança! Mas essa não tem lugar no tabuleiro.Empate





Que descanse em paz.