XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

Mostrar mensagens com a etiqueta Memória. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memória. Mostrar todas as mensagens

08/09/12

SPIELMANN, Rudolf -Melodia Inacabada 1

Qualquer semelhança com a realidade pode ser verdade. Um romance verdadeiro a história deste meu ídolo do tabuleiro , o Grande Rudolf Spielmann. Em dois capítulos e para espíritos amantes da leitura, da História do Xadrez, de um passado que o sendo não volta mais. Quanto deve o moderno xadrez a Spielmann?!


 

Fecho os olhos e relembro com nitidez o passado...


Existe uma bela fotografia dos jogadores do Torneio de Noordwijk 1938. Ele está lá, com ar abatido, olhar cabisbaixo, envelhecido, limpo, mas o seu rosto não esconde os traços do tempo e as rugas da alma, causadas pela tempestade que se aproximava.
Não preciso de olhar a fotografia. Eu estive lá, na sala do torneio...


Perante ele, um jovem de 22 anos, alto, esbelto, com um magnífico fato de bom corte, sereno, confiante, mas também ambicioso, quase conquistador, se consigo interpretar as belas linhas do seu rosto e o seu expressivo olhar. Um homem de óptima aparência, aspecto encantador, sem dúvida!

O contraste absoluto...


Ele, sem ser velho, afinal tinha só 53 anos, parecia velho, ou talvez esta impressão fosse dada pelo ar de fadiga que aparentava. Pequeno, gordo, barriga algo saliente, face oval, calva luzidia, todo ele transmitia uma imagem de peso, de tal forma que a mesa de jogo arriscava não conseguir acolher a sua massa corporal. Toda a aparência de solidez, mas...mascarada de fragilidade...


Ele esperava o início da sessão, na sua posição típica no tabuleiro: as mãos pendentes cruzadas debaixo do tabuleiro. Essas mãos, que várias vezes vi lançarem-se como um raio sobre uma peça, para depois a jogar com doçura num quadrado do tabuleiro. Essas mãos que não estão em consonância com o seu corpo, oblongas, magras, elegantes...


Ele esperava. O seu rosto. Olho-o fixamente. Entre o redondo e o oval, pele lisa, mas aqui e ali com as marcas do tempo, nomeadamente com a queda de alguns músculos faciais e duas rugas bem definidas no canto da boca. Este rosto tinha ainda réstias de uma certa dignidade, mesmo beleza. Conheço fotos da sua infância e Juventude, e alguma coisa da beleza desses anos subsistia. Mas os olhos...os olhos, veementes, profundos, sem dúvida, mas também amigáveis, doces eram os mesmos da sua juventude.


A arqueologia do meu olhar sobre o seu distraído olhar, assustou-me! Sem perceber porquê, entrevi nuvens nos seus olhos, agora concentrados no tabuleiro. Direi olhos inquietos, profundamente perturbados! O que o afecta?


Medo do adversário? Jamais! Medo? No tabuleiro de xadrez nunca temeu ninguém. Desde 1903 que jogava xadrez de alto nível! Tinha jogado com gigantes da talha de um Emanuel Lasker, de um José Raul Capablanca, de um Alekhine, de um Akiba Rubinstein, de um Marshall e, medo do jovem postado à sua frente?


Nervosismo? Talvez. Não era um optimista por natureza. Várias vezes duvidou do seu talento e do seu poder xadrezístico. Sabia por experiência própria, que o seu temperamento nervoso o tinha traído em momentos importantes da sua carreira, roubando-lhe prémios e lugares honrosos. Detestava empates e, quando a posição, não era apelativa, não raras vezes perdia a concentração necessária para a manter igualada, deteriorando-a paulatinamente. Ainda se lembrava com nitidez absoluta do terrível torneio de Carlsbad de 1923, em que em 17 sessões, conseguiu 5 vitórias e encaixou 12 derrotas, mas empates não, nem um!
Mas hoje...hoje não! A experiência da idade e do tabuleiro, tinha-lhe dado a serenidade necessária para domar o pouco nervoso miudinho que o pudesse afectar. Agora sabia o seu lugar no mundo e hierarquia do xadrez. Não, decididamente, não eram os nervos que o afectavam.


Inquietação, preocupação, sim! Olhar turvo que passava despercebido num primeiro olhar de qualquer um, mas nunca a mim, que o considerava o "meu herói secreto" do xadrez.
Desprendia-se dos seus olhos uma tristeza, um abatimento, um desespero, que o corpo acentuava. Porquê?
No meu espírito, iam-se multiplicando as conjecturas...mas só mais tarde vim a descobrir a terrível verdade.




Feitos os cumprimentos institucionais, Ele escreveu lenta e cuidadosamente o seu lance na folha de partida, com notação descritiva, como gostava de fazer e, com suave energia, avançou o seu peão de rei para a quarta casa. O seu jovem adversário respondeu deslocando o peão negro à terceira casa do rei e, os primeiros sete lances decorreram logicamente segundo a teoria da época. O velho jogador parecia estar à vontade na variante desenhada no tabuleiro, pois com ela, tinha derrotado no ano anterior em Hastings, Vera Menchik e, neste mesmo torneio Schmidt!
Sem ser um teórico de aberturas, conhecia bem certas linhas e variantes e, para este torneio, tinha vindo acompanhado dos seus blocos de notas, onde ia catalogando as recentes partidas, que iam sendo publicados em  jornais e revistas. Sabia também que o seu jovem adversário era um estudante e um pesquisador intenso desta fase da partida e, por isso sabia que algo poderia surgir de novo. E chegou!


Ao oitavo lance negro...a novidade! Contra a teoria, as negras não fizeram o pequeno roque, mas o surpreendente e à primeira vista debilitador 8... g 6. A partida continuou, e à jogada 13, o jovem que conduzia as peças negras, erra no plano defensivo escolhido. No rosto do "meu herói secreto" esboçou-se um sorriso muito, muito tímido! Estava no seu elemento: O Ataque! Rapidamente joga 14. f 5! e, o jovem jogador mergulhou numa profunda reflexão. Atenção, sabia com quem jogava! O velho à sua frente, era um dos melhores jogadores de todos os tempos, naquele tipo de posições, e, os seus sacrifícios intuitivos, tinham-lhe valido inúmeros pontos. Sim, sabia-o, pois tinha estudado em profundidade as suas belas partidas!
A posição das negras ameaçava ruína em poucos lances, e, com a cabeça entre as mãos, numa concentração profunda, o cérebro do belo jovem trabalhava sem cessar, num emaranhado complexo de variantes e sub variantes, para resolver o problema do lance f 5 !
Passados uns bons 25 minutos, o rosto do jovem regressa do mergulho profundo no tabuleiro e, com elegância a sua mão move o seu miraculoso bispo para a casa do cavalo 14... Bb8!


Agora é a vez de o nosso homem se enredar nos meandros do cálculo de variantes. Ele sente a sua posição muito superior, quase ganhadora, mas o seu cérebro, não tem já a mesma frescura, a sua memória visual vai-lhe dando buracos e falhas aqui e ali. Por vezes dificuldade em ver a posição final nas análises e...ele hesita! Ou... destruir a posição dos peões na ala de rei, ou... reforçar o ataque com um lance simples de desenvolvimento do bispo de dama. Olha o relógio e, o tempo "esse grande escultor", do xadrez e da vida, avança inexoravelmente e a primeira hipótese é a escolhida 15. f x g 6 

Nesse mesmo momento o jovem sorri e com uma rapidez impressionante joga 15... Cd x e 5! O velho mantêm-se impassível, mas as suas orelhas ficam ligeiramente ruborizadas. Sente que o seu jovem adversário tem fibra de grande campeão! Mas se ele tinha fama e grande renome de atacante, tinha de fazer tudo para o manter! Era o que se passava naquela cabeça, quando jogou a sua torre a atacar a dama negra 18. Tf1, um lance "natural" de ataque.


Pela primeira vez em toda a partida, o jovem jogador agitou-se na cadeira, ajeitou uma pequena madeixa de cabelo que se tinha desprendido do seu penteado seguro a brilhantina, e durante breves minutos confirmou aquilo que já tinha descoberto nas complexas análises ao seu 15 lance, ou seja, as consequências do lance da torre branca a f 1 ! Tinha "rezado a todos os deuses" que o velho jogador o jogasse, em vez do simples 18.Bd2, que lhe daria ligeira vantagem e muita partida pela frente! A uma velocidade de raio, 18...Cg4! foi jogado, o lance anotado e com a convicção dos justos, o jovem reclinou-se na cadeira.
As brancas perderam-se numa reflexão intensa, para compreender que estavam perdidas! Sim a sua experiência, dizia-lhe que estava perdido! A sua posição iria ruir como um castelo de cartas. Jogou os restantes lances "à mão" e, ao jogar o seu 26.º , o velho parou o relógio e cumprimentou o seu adversário.


Na sala de análises, os dois jogadores mostravam o curso dos seus pensamentos, das suas concepções, da sua visão analítica da partida. O jovem conhecia bem quem ali estava...um dos melhores jogadores da História do Xadrez e , na despedida, o respeito por este extraordinário jogador tinha crescido dentro de si, sim, porque ele sabia quanto lhe devia, no seu desenvolvimento e seu crescimento artístico e estético do xadrez.


O Velho, não tinha dúvidas! Foram muitos anos de tabuleiro, para perceber que o jovem que se afastava tinha estofo de campeão...talvez mesmo de Campeão do Mundo!


Estava triste e angustiado. No Hotel, RUDOLF SPIELMANN retirou-se solitário para um canto de luz mortiça e afundou-se numa poltrona.
Não! Não estava incomodado com a derrota com o jovem estoniano PAUL KERES! Sabia que o seu tempo de cavaleiro do tabuleiro e grande campeão tinha passado. Era o tempo dos "jovens lobos" se afirmarem e adicionarem páginas novas a esse interminável livro da História do Jogo de Xadrez!


A sua depressão e o seu medo, tinham razões incontornáveis! Aqui sim, tinha medo...medo pela sua vida, pela vida dos seus familiares, de milhões de judeus, e centenas de jogadores xadrez, porque...ele sabia que a "grande , porca e desenvergonhada besta" do Nazismo se aproximava a toda a brida, para esmagar corpos e almas!

 

Spielmann R - Keres P [C11]
07, Noordwijk aan Zee 07, Noordwijk aan Zee, 1938
[Paul Keres]
1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Cf6 4.e5 Cfd7 5.f4 c5

Nesta época a e4 eu replicava quase sempre e5, todavia elegi a Defesa Francesa, por um motivo psicológico.Naquela altura Spielmann tinha publicado uns estudos sobre esta variante, concluindo que as brancas obtinham vantagem, aliás como demonstrou contra Vera Menchick em Hastings (1937-38) e contra Schmidt neste mesmo torneio.
6.dxc5 Cc6 7.a3 Bxc5 8.Qg4 g6
 Isto é uma novidade. O habitual era 8...0–0 9.Cf3 - Cd4 10.Bd3- f5 11.Dh3 -a6 com a ideia de b5 e se as negras parecem ter um jogo razoável, a verdade é que as brancas ficam com chances de ataque no flanco de rei, o que evita com o lance da partida
9.Cf3 a6 10.Bd3 b5 11.b4 Necessário, apesar de criar uma debilidade branca em c4, porque não se pode consentir o avanço b4 negro. 11...Ba7 12.h4 h5 13.Dg3 De7? Imprecisão, que permite a Spielmann iniciar um perigoso ataque. Como 14.B xg6 ainda não era uma ameaça, devido à resposta negra 14...Tg8, as negras deveriam ter jogado 13...Cd4, ou mesmo 13...Dc7, tendo em mira o peão de rei branco. 



14.f5! Esplêndido golpe táctico, com o qual se inicia um violento ataque, que se levado correctamente a cabo, dificilmente as negras se salvariam.  


14...Bb8! Única jogada! Lance defensivo, no qual as negras centram as suas esperanças. Contudo as coisas são mais complicadas do que parecem.




 [14...Ccxe5 15.Cxe5 Bd4 16.Cc6 Bxc3+ 17.Rd1 Df6 (17...Df8 18.Dc7) 18.Bg5+- Dg7 19.Dd6 vantagem decisiva-]

15.fxg6? Este lance mostra que Spielmann não se encontrava em forma, já que não aproveita a oportunidade para continuar o seu perigoso ataque:

A-  [15.fxe6? Cdxe5;
B-  15.f6? Dxf6;
C-  15.Bf4!! gxf5 (15...Cdxe5 16.Cxe5 Cxe5 17.fxg6 Cxd3+ 18.Dxd3 Bxf4 19.g7 Tg8 20.Dh7+-; 15...exf5 16.Bxf5 d4 17.Be4‚) 16.Bxf5 exf5 (16...Cdxe5 17.Cxe5 Cxe5 18.0–0–0!‚) 17.Cxd5 De6 18.0–0–0 Ce7 (18...Dg6 19.De1!) 19.Cxe7 (19.Cg5 Dxd5 20.Txd5 Cxd5 21.Te1‚) 19...Dxe7 20.Cd4 Cxe5 21.The1 f6 22.Cc6‚]

15...Cdxe5! O ataque branco fica como que desarticulado, pela ameaça de 16...Cxd3. Será que haverá maneira de as brancas se oporem ao contra jogo negro?
16.gxf7+ Dxf7 17.Cg5 [17.Df2 Dg7!] 17...Df6 


18.Tf1? Um colapso psicológico! Não é fácil passar a defender, depois do fracasso de um ataque. A jogada da partida perde uma peça, sem compensação. Ainda se podia opor alguma resistência às negras. Como? 



[18.Bd2! Cxd3+
a) 18...Cd4 19.0–0–0! Cc4 (19...Cg4 20.De1 Cf2 21.Tf1) 20.De1 Cxd2 21.Cxd5!÷ Confuso;
b) 18...Cg4 19.Df3 De5+ 20.Rd1! Tf8 21.Bg6+ Re7 22.Cf7÷ Confuso;
c)    18...Cc4 19.Df3 De5+ 20.Rd1 Cxd2 21.D7+ Rd8 22.Rxd2 Com boa posição;
d)   18...Cc4 19.Df3 Be5! 20.Dxf6 Bxf6 Esta a melhor variante para as negras, que conservam a sua vantagem, todavia, as brancas teriam chances de salvação.;
19.Dxd3 Ce5 20.Df1 E as negras têm de se conformar "apenas" com um final favorável]

18...Cg4! 



19.Df3 Dxc3+ 20.Rd1 Dg7 [20...Dxa1 21.Df7+ Rd8 22.Cxe6+ Bxe6 23.Dxe6 Ce7 vantagem decisiva–+ Também era possível jogar esta variante, mas as negras limitam-se a gerir a peça de vantagem.] 21.De2 Tf8 22.Txf8+ Rxf8 23.Cxe6+ Bxe6 24.Dxe6 Cf2+ 25.Re1 Cxd3+ 26.cxd3 E as brancas sem esperarem a resposta, abandonam. Uma partida interessante, mas não isenta de erros mútuos.(Comentários de Paul Keres) 0–1



( a continuar )

© Arlindo Vieira











15/08/12

GLIGORIC, Svetozar



Tinha que ser, era inevitável, mas fica-me sempre uma enorme tristeza.

Um extraordinário jogador, um senhor do tabuleiro, que conquistou Caissa pela simpatia, pelo saber estar, pela categoria. Jogador "all-around" com um fortíssimo sentido posicional, uma belíssima visão combinatória e um conhecimento profundo de finais, era muito difícil de bater. Como afirmava, tinha uma visão muito pessoal do xadrez e mais do que odiar adversários, mais do ganhar a todo o custo, amava o xadrez e a sua beleza intrínseca. Homem de vasta cultura, tão raro na idiotia que enxameia o xadrez, "Gliga" jogava contra as peças! O seu livro com o mesmo nome " I Play Against the Pieces" é soberbo, na objetividade, na contenção, nas análises. Um livro como hoje muito raramente.

Faleceu Gligoric e o mundo do Xadrez ficou mais pobre! Tirando objetivamente Fischer, Gligoric, Larsen e Portisch na minha opinião formaram um trio de mosqueteiros que conseguiram fazer oposição à realeza da máquina soviética. Svetozar Gligoric, era uma espécie de "Aramis" pela sua elegância, categoria e visão geral do xadrez.

Aqui no Grupo, o Mestre Machado, que foi árbitro do Zonal do Algarve de 1969, disse-maravilhas de Gligoric, da sua simpatia, educação e forma de estar, o que não se afasta de variadíssimos relatos de outras paragens.

Paz à sua Alma. E...estudemos as partidas de Gligoric, para termos acesso a esse manto diáfano de beleza que sobrevoa o xadrez.

Não se esqueçam de ir ao site do Kevin Spraggett, e no artigo do dia 26 de Setembro de 2009, está lá a longa entrevista que deu a Lputian. Elucidativa de um Senhor do Xadrez!

"GM de aviário" ( olhem por exemplo, aquelas maravilhas que acabaram ainda agora a final do Campeonato Russo (75% de empates)) , não lhe chegam aos calcanhares! Se calhar nem lhe conhecem as partidas!

Faleceu Gligoric e com ele, um pouco de um xadrez maravilhoso que era uma mistura entre a competição, arte e beleza, substituído hoje por um merdelim técnico de aviário que vale menos de que um "corno" !

Coloquei no Youtube um vídeo em sua homenagem. Aqui têem o vídeo e se gostarem de ler, um longo e belo texto em  Inglês desse belo livro (do qual foi redator) "Yugoslav Chess Triumphs"



SVETOZAR GLIGORIC


"Gliga is chirping!" wrote Vasa Medan in "Politika" during the 1939 amateur championship of Yugoslavia in Zagreb. Medan who was himself participating in the tournament was delighted with the way the sixteen-year-old schoolboy was playing and was lyrical about him in his reports. Gligoric did not disappoint him: he won the tournament and at the same time the master's title.

 "Gliga", however, had been Medan's favorite since a quickgame championship for Belgrade teenagers, when at the age of fourteen he completed the tournament near the bottom of the list, and with tears in his eyes promised: ,,Next time I'll be first"!

Only a year later he fulfilled that promise. But once started, his winning streak never broke. Not long after that he became champion of the Belgrade Chess Club in its most successful period when its members included such fine players as Brana Pavlovic, Rasa Savic, Voja Popovic, Voja Petrovic. . .

From the beginning of his rapid rise young Gligoric showed great selfconfidence and courage. To give an illustration, on the eve of the war, of all the talented young players in Belgrade the most remarkable was Anatoli Arkhipoff, who was known as a strong theoretician. Only a couple of years older than Gligoric, he took a very studious approach to chess. He was, generally speaking, the scholarly type of chess player. Drawing on the works of Grigori Jakovlevic Levenfisch, Arkhipoff made a detailed study of the Queen's Gambit and could recite, at the drop of a hat, all the finenesses of that variation. Then he had a chance to use the Queen's Gambit against Gligoric not long after he had published a study about that opening. Everybody wondered how Gligoric dared play that opening, but the great theoretician Arkhipoff was defeated in about twenty moves!

Svetozar Gligoric was born in Belgrade on 2nd of February 1923. By profession he is a journalist and writes about chess. His childhood was far from happy. Just before the war he lost both parents and was left an orphan, but not for long. Dr. Niko Miljanic, also an avid chess player, took him as his own son. When the war broke out Gligoric, together with Miljanic, fled to Montenegro and a little later joined the Partizans. The war left no time for chess. When he was demobilized after the war, he at once started to work reviving the chess organization, which had been paralyzed and broken up during the occupation, many of its most talented members having lost their lives as patriots.

Gligoric's task was by no means easy. He was supposed to awaken interest in chess in a country which had suffered and been bled for four long years. However, as invariably happens, after great historical upheavals, life quickly started to normalize, and Gligoric, in addition to all his obligations in the new^ chess organization, started to play in vaiious tournaments, and very successfully.The first time he drew the attention of international chess circles was withhis sensaional victory in the tournament of Slavic countries in Warsaw 1947, when he was two points ahead of the world's No 2 player Vasil Smyslov and another well-known grandmaster Isaak Boleslavski.

For almost thirty years Gligoric has belonged to the very exclusive circle of the world's best players. Time and again he has worsted favorites just as in Warsaw 1947. In various tournaments he has overcome at least once all ofthemost celebrated players in the world, and has beaten nearly all one or more times in the final listing of points.

As mentioned above, Gligoric became chess master in Zagreb 1939 and grand-master in 1952.

He participated 19 times in Yugoslav championships, winning the title, alone or sharing it, 11 times.

He competed in FIDE interzonal tournaments for the title of world champion eight times, and reached the finals three limes (candidate's tournament 1953 Zurich, candidates match-tournament 1959 Bled-Zagreb-Belgrade, Gligoric—Tal match 1968 Belgrade).
    
 In the 1975 Yugoslav championship in Novi Sad he qualified for the FIDE zonal tournament, but he relinquished his place to younger players considering that he had already enough opportunities to challenge the title-holder.

 Gligoric has participated in more than seventy international tournaments and also in many team championships, so that there is hardly a place on earth where he has not played for Yugoslavia.

 A complete list of all his successes would be too long, but even enumerating
 the most important results is very impressive.
    
 Yugoslav tournaments:
  Ljubljana 1946 (I), Sarajevo 1961 (I-II), and 1962 (I-II), Belgrade 1962 (I), and 1969 (I-IV), Ljubljana 1969 (II), Zagreb 1970 (II-V), Vinkovci 1970 (II-IV), Portoroz—Ljubljana 1975 (II).
      
Tournaments abroad:                                      .
 Bulgarian championship"! 945 (I), Warsaw 1947 (I), Budapest 1948 (11), Mar del Plata 1950 (I) and 1953 (I), Staunton Tournament 1951 (I), Hastings 1952 (I), 1957 (I-II), 1960 (I) and 1963 (I-II), Hollywood 1952 (I), Rio de Janeiro 1953 (I), Montevideo 1953 (I), Buenos Aires 1955 (II), Moscow 1956 (IV), Bognor Reggis 1957 (I), Dallas 1957 (I-II), Zurich 1959 (II), and 1961 (III), Asuncion 1960 (I-II), Torremolinos 1961 (I-II), Reykjavik 1964 (II), Copenhagen 1965 (I-III), Tel Aviv 1966 (I), Dundee 1967 (I), Berlin 1971 (I), Los Angeles 1974 (I).

Svetozar Gligoric likewise holds an Olympic record, not only for Yugoslavia but also for the rest of the world: he has participated in all the Olympiads since the war beginning with 1950 in Dubrovnik, which is a singular accomplishment that may never be repeated!

In the XIII Olympiad in Munich 1958 Gligoric scored 80% on the first board, one of the best results in Olympic competitions. As a member of the Yugoslav team he scored high in the European Team Finals In Hamburg 1965 he had the best score on the second board (75%), and Botvinik was among his rivals. In Bratislava 1973 together with Spassky he was the most successful player on the first board.


Gligoric has always cultivated a highly objective position style of play balanced by elements of tension and dynamism, which enables him to devise and carry out most complicated combinations at the proper moment. However, unlike other players given to combinations, Gligoric delivers tactical blows only when he decides that the position warrants it.

His contributions to the development of chess theory are also great. He is known in chess circles as one of best experts on the Rue Lopez opening and Nimzo-Indian Defence, and he has applied many original ideas in other openings.

He leaves nothing to chance, he analyses every idea carefully, so it is very difficult to surprise him in the opening, though this has often happened to others. The penetration and depth of Gligoric's analyses have been proved many times. An especially good illustration is his game with Kavalek, a story which begins with the Fischer—Spassky match. Namely, one of the most interesting points in that famous match was the third game when Fischer as Black used a novelty in the Benoni opening, which seemed at first glance illogical. But he won the game with it, his opponent's self-confidence shaken. However, a few months later in a practise game against grandmaster .Kavalek—Gligoric demonstrated the weak points of Fischer's conceptions. He completely refuted this innovation and Kavalek had to resign after a few moves. Yet, as inventive and thorough as he is in doing analytical homework, Gligoric is just as well-known as a player who will discover some new move during a game to ruin his opponent's plan or compel him to enter unfamiliar terrain.

Gligoric is author of many publications and theoretical monographs on chess, books about tournaments, etc. His book on the Spassky—Fischer match in Reykjavik 1972 was a great success. It was translated into several languages and soon become a best-seller with the largest printing of any edition on chess. In his writings on chess Gligoric shows a remarkable sense for refined psychological penetration into the complicated world of chess.

Throught his career Gligoric has worked as a professional journalist. For twenty-five years, first “NIN" (a Belgrade weekly) and then for Radio-Belgrade, he has reported on chess. Especially memorable were his broadcast telephone calls with Fischer, Spassky, Petrosian and other leading chess players and FIDE organizers. It is quite possible that if Gligoric's professional duties had not prevented him from devoting himself exclusively to chess that he might have climbed a few rungs higher, perhaps, even to the very top.

Gligoric was given the ANVOJ award (one of the most distinguished in Yugoslavia) in 1975 for his work in promotin chess and building up the reputation of Yugoslav chess. For years Gligoric has been the ideal chess player for many fans, and he truly deserved the complimentary attribute ,”Yugoslavia's living chess legend".

In chess history there have not been many masters who played as successfully in their late fifties as Gligoric. During his whole life he has been an active sportsman. Sometimes he has overdone it. He may even have lost his match against Tal 1968 because of soccer. From the beginning of the match Gligoric held a one-point leadseven into the second half; then Gligoric went out to play a little soccer. It was chilly  weather and he cought cold, after which he finally lost the match.


Running after the ball in some unscheduled game has has sometimes ended in a bandaged wrist or ankle, with Gligoric limping to the chess table, but he still hasn't given it up..

Tennis is another favorite, even more than swimming, although as a boy he never missed an opportunity to go swimming in the Sava River. Driving fast cars is another sport he likes.

It is quite natural that somebody who has travelled all over the world would have many souvenirs. Gligoric has a fine collections of records from classical to the most modern. More than once he has lent his records to a local radio station.

Not long ago Gligoric suddenly decided to retire from the chess arena though still in top form as a player. Let us hope that his decision will be only temporary and that he will add some new gem to his already bejewelled crown.