XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

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02/05/20

GRUPO XADREZ DO PORTO 80 ANOS!

Um Vídeo simples, sem efeitos "PXTO" só para mostrar a minha afeição por este Clube único no panorama xadrezista nacional, e se calhar, internacional.
Imagens de uma vida, de um património, de um capital humano e memorialistico como poucas no que diz respeito ao xadrez.
Tomara eu que outros Clubes tivessem preservado os testemunhos históricos do passado, que muito do património não tivesse sido pura e simplesmente delapidado ( para não usar o termo "roubado"), que os dirigentes tivessem como fio condutor da sua ação a preservação de atas, bibliotecas, material de jogo, folhas de partidas. Quase nada. Fico por aqui na minha amargura, que já nem o é bem: é mais um sorriso irónico, quase desprezível por este Xadrez nacional paupérrimo, pelo menos no que à sua História diz respeito. Opinião minha, claro!


23/04/18

GUICHARD, RAUL



Tornamo-nos mais altos, mais à frente do que ela

Antecipamo-nos ao seu negro gadanho,

Queremos vencê-la mesmo vencidos

Surpreendemo-la de antanho

Ela ri-se, penteia-nos desprevenidos.



Assim seja, mas o que desponta em flor

Ninguém, nem ela consegue colher…

Morte alguma consegue depois da dor

A semente da memória arborescer.

                                   Foto tirada do seu blogue ( trabalhada)

Guichard, tinhas um feitiosinho pior que Gambito de Rei

Mas a tua gargalhada franca, aberta de 64 casas

Promovia na última fila de nós empate de simpatia

Não era preciso, não era necessário o abandono

Antes do xeque-mate,

Podias ter tentado um final e um perpétuo, ou

Rei contra Rei, mas pronto…quem mandava no teu tabuleiro-vida?



Assim Guichard, mais um para o tal torneio

Que queria fechado, restrito a muito poucos

Mas que a negra ceifeira quer tornar num “open”

Sem convidados ou grandes-mestres.

Nunca fomos amigos, xadrez rápido, por vezes relâmpago

De olá, estás bom e segue…

Mas morreste-me e cada colega de xadrez que parte

Obriga-me a nova partida cá dentro.

Caro amigo Guichard, não posso já rodar o mecanismo do tempo

E atrasar a tua partida , mas…

Prefiro perder por tempo e não acionar o botão do meu lado,

Assim ficarás mais tempo em mim, que dizes?



Do Arlindo, tão cabeçudo e terno escondido como Tu. Já agora sei que eras Professor-Doutor, mas sabes que entre a malta do xadrez, isso não conta muito: eras e serás sempre o Guichard, assim uma espécie de D'Artagnan do Tabuleiro.

21/04/17

CARLOS MENDES



 
Há dias que nem valem a pena…

horas que mais valiam estanques na máquina do tempo

minutos torniquetes silenciosos do nosso desespero

segundos incontáveis de incrédulo espanto



olho para os meus jogos de xadrez, as minhas estantes

apetecia-me partir tudo, partir de tudo do xadrez...

que vale o xadrez quando parte um dos nossos e bons do xadrez?



2004, era eu vice-presidente do GX Porto, um mail cortês, bonito convidava o GXP a inaugurar a nova sala do Grupo de Xadrez de Montemor-O- Velho. Como recusar? Fomos. Recebidos mais do que convidados como família xadrezista. Match sem resultado já lembrado nem interessa! Almoço opíparo à Montemor-O –Velho. E o Carlos, o sorriso do Carlos, aquela franqueza sorridente que só tinha paralelo com a  mesma abertura da sua calva luzidia. Aqueles seus óculos teimosos e manhosos sempre a escorregar nariz abaixo, e sempre aquele ar de ser bom, de se gostar mesmo daquilo tão tresloucado de um tabuleiro aos quadrados e umas figuras esquisitas que nele dançavam. Enfeitiçado, embruxado do xadrez era o Carlos Mendes. As palavras simples e sentidas na despedida, as lembranças trocadas. Dos momentos mais bonitos da minha vida de xadrez e de dirigente de xadrez.


Depois, divergi do Carlos em determinada altura da vida Federativa, mas até aí, quando se gosta de alguém, quando se tem alguém que pode ombrear connosco na Paixão do xadrez, até as divergências são uma festa. Uma coisa sei, o Carlos nunca se aproveitou do xadrez, talvez o contrário seja a verdade: o xadrez aproveitou-se dele e se calhar ele nem se importou, porque quando se ama o xadrez ama-se com tudo e a simbiose é perfeita. O que o xadrez de Montemor-O-Velho lhe deve, o que o xadrez Português lhe deve nem precisa de ser contado, porque de belos frutos nunca se deve pedir meças à árvore.

É dos Carlos Mendes, dos Marinos Ferreira, entre não muitos como isso, a verdadeira seiva do xadrez português. Qual bichos da seda na multidão, vão tecendo o tecido com que é feito o verdadeiro xadrez amador português, sim porque o Carlos era mesmo Amador, porque poucos como ele amaram a cousa amada com tal paixão.


Mais um dos meus que em mim ficará guardado no tal lado bom do coração que não sei bem onde é, mas se instala sem medir licença. Eu deixo, claro.


Obrigado Carlos Mendes. Se não fosse por mais, pelas 5 horas mais bem passadas da minha vida de xadrez aí em Montemor. Uma honra para o Grupo de Xadrez do Porto que está guardada na nossa memória, nas nossas estantes.


E…desculpa qualquer coisinha.

Raios que agora são os meus óculos que alguma coisa quer fazer descair dos meus olhos.


Ah! Vê lá se  guardas um lugar para mim no Aberto da nova sala que havemos de inaugurar no Reino de Caissa. Proponho GXCASC- Grupo de Xadrez Celestial dos Amadores sem Causa 

 

11/04/17

LUIÍS OCHÔA 2






Já passaram dois anos do seu falecimento. No artigo que lhe dediquei lamentava não existir nenhuma foto decente do  Ochôa  como jogador de xadrez. Coloquei a minha partida da 4ª sessão do Campeonato Nacional Absoluto de 1978, jogado em S. João da Madeira, onde era visível a diferença de força xadrezista entre um primeira categoria e alguém que era um bocadinho mais do que isso, e nem preciso de identificar quem é quem, porque o resultado diz tudo.  Depois…depois, os amigos do costume, aqueles raros que se vão interessando senão pela História do xadrez Português, muito mais pelas memórias afetivas que sobrevivam a qualquer tabuleiro e peças de xadrez. O Cordovil, claro, envia-me a última partida jogada pela Ochôa e que a custo e com dedicatória conseguiu do mesmo, jogada  em simultânea com o Spassky no IV Festival Xadrez de Lisboa no dia 20 de novembro de 1999. Empate por proposta de Spassky, que  de cordial ou combinado teve nada, pois foi partida dura e bem jogada, mostrando o ditado “ quem sabe nunca esquece” aplicado ao Luís Ochôa.





Depois, uma emoção fortíssima quando o meu amigo, e outro apaixonado do xadrez, me resolve presentear por mail com uma foto inacreditável que nem sabia que existia. Exatamente o Ochoa na partida comigo desse Nacional de 1978. Esconder para quê? Uma lágrima rebelde quis sair e eu deixei quando no ecrã do computador me aparece o Ochôa pouco preocupado com a posição que já sentia muito vantajosa e parecia entretido com algo que não descortino ( talvez preparar um cigarro?) e eu, sempre com aquele ar “ciganão” morenaço de farta bigodeira , concentrado ou ensismemado na “pinga” que ia levar com a posição quase desesperada das Negras. Como éramos novos! Como eu amava ainda o Xadrez competitivo, como ainda tinha ilusões de não ser tão “piço”, tão nabo na modalidade, como nos anos oitenta me apercebi. Como acalentava a paixão por um xadrez que ainda não suspeitava que ia morrendo aos poucos, para qual Fénix, renascer noutro, que sendo o mesmo, não era aquele.

Porquê só agora isto no Xadrez Memória ? E Porque isto no Xadrez Memória? Que têm V. Excª, dos poucos que aqui vêm clicar com gosto, dos outros poucos que nem com gosto vêm, só enfado, que não existe aqui variantes, nem árvores de análises, nem Komodo, nem Fritz, nem “ChessBasesantacasadamesiricórdia” nem nada, digo, que têm com as minhas memórias, emoções, se muitos nem sabem quem foi o Ochôa, ou se sabem, querem lá saber?! 

Pois…mas eu quero. Finalmente uma foto do Ochôa como deve ser como xadrezista na Web! Não sei se é muito ou pouco. É. Um passado, um colega de modalidade, um forte jogador, uma boa pessoa que conheci ( e hoje não é fácil encontrar pessoas boas!), um fractal da História do Xadrez Português. Que seja. Para memória presente e futura.
Como sempre, do lado bom do coração onde guardo os afetos, um agradecimento ao Mestre Cordovil e ao Fernando Pinho.

Ah! Já agora nesse artigo referi-me ao Marino Ferreira!Agora que partiu, para quando alguém que o conheceu,  que saiba escrever e goste da memória afetiva, consiga dedicar uns minutos a contar o quanto o xadrez egitanense e português lhe deve?


09/02/16

RUI ALMEIDA ...outra vez com foto rara

Rui, sabia que ia encontrar. A foto que emoldurava o excelente artigo do Rui Pereira no Expresso de 2000 sobre o Grupo de Xadrez do Porto, os seus então 60 anos e o seu Torneio Internacional.
Estás ali, o terceiro da esquerda. Jogas de pretas com outra pessoa especial, o Pedro Quaresma. Não sei o resultado nem me interessa. O Fernando Cleto, o António Silva e em último plano o José Rodrigues todos do meu GXP ladeiam-te. Boa Companhia, claro. Primeiras mesas do Torneio, só podia. Sempre esse rosto gaiato e sério, sempre. Esse que guardo, esse que fica naquilo pouco de afetivo que fui tirando como me foi  dado pelo xadrez.



25/07/15

KOMODO 9 ? Rybka 4? Fritz? Nem tanto!

Por brincadeira...Dedicado aos amigos Américo Moreira, Pedro Soberano, António Silva, Cleto, and so on...

Não propriamente Komodo Chess 9 , mais...Tartaruga -1
Não propriamente Fritz, mais...Aguilera, Ricardo

Não propriamente grande velocidade de cálculo, grandes processadores, milhões de variantes por segundo, conhecimento cibernético assombroso, NÃO ...

Apenas dois olhos, um cérebro, dez delicados tabuleiros de papel com umas ternas e minúsculas peças de cartão e o meu nostálgico sorriso.

Dos anos de 1940-45, ou seja com 70-75 anos esta preciosidade já rara da correspondência.Compra-se de tudo no Ebay!

Esta maravilhosa peça da história do xadrez lembra-me a frase do grande poeta americano E.E Cummings :  "the courage to receive time's mightiest dream".