XADREZ MEMÓRIA

Xadrez de memórias, histórias e (es)tórias, de canteiro, de sussurro, de muito poucos...

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03/01/10

LASKER ...Emanuel e LASKER... Edward



Num comentário o meu grande amigo xadrezista Dinis Lameira (quem poderia ser?) questionou se eu conhecia o livro de Edward Lasker "Chess For Fun and Chess For Blood" em que este comenta a sua partida com Emanuel no Torneio de Nova Iorque 1924, em quase 30 páginas.

Claro que a resposta só pode ser: conheço e bem, porque este Livro de Edward Lasker é muito, muito bom, particularmente a forma incrivelmente emocionante, diria apaixonante, como comenta a citada partida. Mas o livro não vale só por isso, é também um excelente livro para qualquer xadrezista "pós-iniciação", escrito de uma forma didáctica, entretida, nada "maçudo" , diria naquele estilo muito americano que marcou época e gerações, na qual incluo nomes extraordinários e, repito, extraordinários ( porque agora existe uma cabotina maneira de os tentar achincalhar, apoucar por parte de alguns pseudo-críticos de xadrez), como Fred Reinfeld, Irving Chernev, Eugene A. Znosko Borovsky, Reuben Fine, e Edward Lasker.


Os poucos livros que Edward Lasker (não era profissional de Xadrez, era Engenheiro e Inventor) escreveu são na generalidade bons e gozaram de enorme popularidade nos EUA, vendendo-se ainda hoje, um ou outro , muito bem na Amazon, nas reedições da Dover.
O livro citado, mas também o "Chess Secrets I Learned From the Masters", ou "Chess Strategy", "The Adventure of Chess", são livros que aliam um profundo amor e conhecimento do xadrez, a uma forma clássica , pedagógica e instrutiva de escrever xadrez, coisa que sabemos, hoje vai rareando na literatura xadrezista, substituída pela preguiça militante, pela "Rybkalização" ou "Fritzdeira" de variantes a quilómetro, de futurologia do que nunca se pensou no tabuleiro, ou do que poderia ter acontecido! Quase ficção analítica! Dá dó ler alguns livros de xadrez actuais e, talvez por isso, esteja a acontecer fenómeno interessantíssimo: o revivalismo, a reedição dos Clássicos de Alekhine, de Botvinnik, de Lasker, ou os livros de Torneios históricos!


Junto as mãos, e se calhar os dez dedos não chegam para citar dez grandes autores de livros de Xadrez, opinião subjectiva como é óbvio, mas minha: Sosonko, Timman, Soltis, Marin, Crouch, Sthol, Dvoretsky, Agaard e...poucos mais. Claro que estou a citar autores de livros de xadrez, porque na Web o panorama não é mais animador, e aqui tiro o chapéu à forma excepcional como o Kevin Spraggett escreve sobre xadrez.

Assim, no livro "Chess for Fun and Chess For Blood," um respeito e admiração do Lasker Edward pelo Lasker Emanuel, que o leva a considerar o empate de NY 24, como uma das suas melhores partidas, mas sobretudo no comentário à partida, o fazer-nos estar presente nessa luta titânica, com os seus dramas, as suas dúvidas, os seus apuros de tempo, os volte-face no tabuleiro, em suma a essência de uma batalha árdua de 100 lances e quase treze horas de tabuleiro . Raramente vi uma partida tão "emocionalmente" comentada e tão "vividamente" escrita! Edward Lasker quase que nos faz acreditar sermos Edward Lasker a jogar contra Emanuel Lasker, acreditem!


Vou colocar esta partida aqui, com notação algébrica e tradução ( fraquinha certamente, que Inglês não é o meu forte) para verificarem se é ou não verdade o que afirmo. Quase que se poderá seguir sem tabuleiro, todavia o ideal era gastarem umas folhinhas e imprimirem-na , para estudo futuro, e estou agora a pensar nos meus jovens leitores ( acabei de soltar sonora gargalhada -Será que os tenho?) , porque sem estudo, já se sabe ...JXPQNVLN !


Vou manter os comentários de Edward Lasker, sem qualquer intromissão de outras análises, que posteriormente vieram trazer nova luz às suas e que repuseram "esquecimentos" em posições decisivas, ou falhas analíticas. Pode ser que num futuro artigo, faça essas correcções.


Ah! Ia-me esquecendo...a edição da Dover na Amazon fr, ou Amazon uk custa o preço espantoso de 8 Libras e se for "usado-novo" entre 2 e 5 Euros, uma fortuna! Um aviso: a notação é descritiva ou seja 1. P-4K -P-4K 2. Kt-KB3 etc.
Aguardem pois!



1ª edição do Livro ( retirado das "Chess Notes" de E. Winter)

11/11/09

LASKER...Outra vez

"Emanuel Lasker: Denker, Weltenbürger, Schachweltmeister"

Pois é. No próximo dia 20 deste mês, a Sociedade Lasker de Berlim, vai lançar em festividade na Herzog August Library em Wolfenbüttel, um livro sobre Lasker, que mais do que uma extensa biografia, será quase uma súmula definitiva sobre a vida e obra deste grande génio do tabuleiro.


Uma obra monumental que teve a colaboração de grandes nomes associados ao estudo de Lasker, mas também da História do Xadrez. A lista é realmente impressionante para quem sabe quem são Linder, Forster, Donaldson, Lisovsky ou Hilbert, a que devemos acrescentar GM como Huebner, Tischbierek, Korchnoi!


Prof. Dr. Wolfgang Angerstein, Ralf Juergen Binnewirtz, John W. Donaldson, Juergen Fleck, Dr Richard Forster, Prof Dr Bernd Gräfrath, Dr. Tony Gillam, John S. Hilbert, Robert Huebner, Peter de Jong, Karl Kadletz, Thomas Lemanczyk, Dr.Isaac M. Linder, Tomasz Lisovsky, Roberto Mayor, Egbert Meissen Castle, Dr. Michael Negele, Susanna Poldauf, Toni Preziuso, Prof. Dr. Joachim Rosenthal, Raj Tischbierek, Robert van de Velde, Hans-Christian Wohlfarth. Um prefácio de Paul Werner Wagner, o atestado de competência editorial de publicação de Richard Forster, Stefan Hansen e Richard Negele, e a chancela editorial de uma casa insuspeita como é a Excelsior Verlag de Berlim, sobre a supervisão da Sociedade Lasker, tudo preparado para uma obra que não diria definitiva, mas que se vai afirmar por longos e bons anos como um “Vademecum” para qualquer Laskeriano que se preze, ou para figurar "altaneira" em qualquer biblioteca de xadrez que seja digna desse nome.

Assim, qualquer coisa como um livro gigantesco de 28,5 cm X 22 cm, mais de 1097 páginas, 4 Kg de peso, e dentro, 700 partidas de xadrez, muitas comentadas por Huebner , Tischbierek, 500 gravuras, muitas delas inéditas e...por aí fora! O preço rondará os 115 Euros.


Claro que já adivinharam qual será a minha prenda do "menino jesus" no Natal Xadrezistico!? Depois...depois como tudo é em alemão, OCR para cima e Power Translator a trabalhar, que remédio!

Ah! Podem ir a este link e tirar em pdf um extracto do Livro, ou seja na Homepage da melhor loja europeia de venda de livros e material de xadrez, a alemã: Schachversand-Niggemann

www.schachversand.de/startneue.htm




10/11/09

LASKER...Um bocadinho da minha paixão

O que tenho de Lasker?

Bem...pouco e, tirando um caso ou outro, de qualidade sofrível.

Assim comecemos pelas BIOGRAFIAS:

Esta biografia de Hannak continua como das raras de Emanuel Lasker. Diga-se desde já, fraquinha e com alguns erros de monta sobre este genial jogador. Ficou célebre o prefácio de Einstein. Tabelas de alguns torneios e 100 partidas comentadas levemente segundo os livros de torneios ou jogadores da época, completam este livro. Dá para ter uma ideia do percurso xadrezistico de Lasker, nada mais. Sobre a personalidade, o estilo de jogo, o homem por detrás do génio de xadrez, podem esquecer.


Esta biografia de Lasker feita por Nepomuceno é simplesmente um "pastiche" monumental do livro de Hannak! Só isso. Que que desculpem os meus leitores de língua hispânica. Em certas passagens é mesmo tradução literal. Aliás, o autor acaba por confessar a sua quase "oração" ao livro do alemão. Não há absolutamente nada de novo em Nepomuceno. A mesma cópia de lugares comuns, de estereótipos, de um passar de torneio para torneio, que até cansa o leitor. Como tal, só para quem for preguiçoso da tradução inglesa , ou alemão original de Hannak.


COLECÇÕES DE PARTIDAS


A primeira colecção de partidas de Lasker que adquiri vai para umas boas dezenas de anos. 75 partidas, sendo a última Lasker-Marshall do torneio de S. Petesburgo 1914. Este projecto que primitivamente se chamava " Dr. Lasker Chess Career", seria a de dois volumes, mas por razões desconhecidas ( talvez a ascensão de Reuben Fine ao estrelato do Xadrez Mundial-Candidato, e o trabalho intenso e imenso na realização de outros livros por parte de Fred Reinfeld) ficou-se só pelo primeiro volume ( 1889-1914)
Os comentários dos anos 30, podem-se considerar excelentes para a época, misturando sabiamente o texto explicativo com variantes, nunca demasiado extensas, pesadas. Não se sabe, quem contribuiu com o quê, para este livro, ou seja, se ele é mais Fine, ou mais Reinfeld, contudo, tendo na minha biblioteca vários livros de Reinfeld, o estilo de comentários e a forma de escrita, levam-me a desconfiar que a contribuição de Reuben Fine para o livro teria sido bem menor, trazendo o seu nome ,já célebre, um certo prestígio ao livro.
Um bom livro, mas hoje claramente datado, quer no estilo, quer nas variantes apresentadas. Um bom guia para dar a conhecer algumas "gemas" da arte laskeriana, o que já não foi mau. Foi um livro com enorme sucesso de vendas nos EUA e um best- seller da Dover Publications.
Um pormenor engraçadissimo na capa que pouca gente descobriu, e que é uma monumental "gaffe" da prestigiada casa editora: olhem para a capa (cliquem), vê-se Lasker, vê-se o seu rival Capablanca e depois no lado esquerdo entre Capablanca, a violeta, Lasker sim senhor , mas não o Emanuel, mas sim o americano Edward Lasker o renomado autor de livros de xadrez e forte jogador.



Já me referi a esta colecção da Chess Stars. Dois volumes, quase todas as partidas Lasker comentadas estilo informator, com a ajuda de computadores dos anos 90 . Dirigida por Khalifman, o trabalho árduo foi realizado por jogadores MI ou MF, alguns hoje GM. As análises são boas e profundas e não será por acaso que Kasparov, ou Dmitry Plisetsky, no terceiro volume dos "Meus Grandes Predecessores" ( só aí, e depois de muitas críticas!!) citam estes dois volumes na bibliografia. Existem análises de partidas de Lasker no volume 2, do livro de Kasparov que indubitavelmente foram tiradas destes volumes.
Bons livros, mas do estilo árido, seco, informatizado, que sinceramente não aprecio. Úteis para comentar um partida, para buscar variantes numa posição mais complexa, mas que não acrescentam nada à beleza e complexidade do xadrez de Lasker.
De qualquer forma, livros a valer a pena adquirir.


De um grande apaixonado do Xadrez, de um grande Laskeriano, Ken Whyld. As partidas não são comentadas, mas é o mais completo repositório das partidas de Lasker. Limito-me a copiar o excelente texto do Lanier ( ele não leva a mal) no seu Al-Shatrandj "...contém 1390 !! partidas, muitissimas delas de simultaneas. Whyld passou anos a pesquisar em hemerotecas e collecionar partidas de Lasker - outros recolhidos só mostram as partidas do mestre em Torneio, o que são poucos. Lasker não tinha essa frenética actividade competitiva como por exemplo Alekhine, só jogou num punhado de torneios durante a sua vida. Cada partida vem com informações donde provêem, data, local, designaçâo conforme ECO. Há muitas ilustraçôes preto e branco, e além disso diagramas de partidas, tabelas de torneios - e todos problemas e estudos compostos pelo Lasker. Espantoso - a pobre encadernação e impressâo - feito na Chequia! - esconde um tesouro immensuravel!"




Um bom livro da editorial Sopena , bastante antigo, mas com comentários a preceito embora leves. Claramente um livro de divulgação aos xadrezistas sul-americanos das partidas de Lasker, mais precisamente 84, cobrindo os anos de 1894 a 1921. Lê-se com agrado, mas nada mais.


DIGITAL



Com o selo de qualidade da Chessbase, da série Monografias. Bom CD, com uma curta mas razoável biografia, algumas partidas excelentemente comentadas, algumas fotos (embora nenhuma novidade), informações de torneios e matchs do grande campeão, um ou outro vídeo com testemunhos de Hubner, Unzicker, Lilienthal, algumas tentativas tímidas de explicar auperioridade de Lasker sobre os seus adversários.
Um CD que todo o apaixonado de Lasker deve possuir, que não deslustra , mas também não deslumbra. FIca-se com a sensação que a ChessBase poderia ter feito muito mais, e que foi um trabalho realizado à pressa, lamento dizê-lo!
A ChessBase teria muito a aprender com essa obra prima extraodinária em forma digital de Sid Pickard "The Collected Works of William Steinitz", esse sim o melhor CD ROM que algum dia se realizou sobre um jogador de xadrez e Campeão do Mundo. Foi uma das homenagens mais belas que digitalmente uma editora prestou a um génio de Xadrez, neste caso Steinitz. O Lasker da ChessBase fica aquém e muito.



Da antiga Convekta estilo Chess Stars, mas sobre forma digital. Bio, e partidas comentadas tipo Informador. Interessante nada mais.


MISCELÂNEA



Claro. Kasparov sobre Lasker. E aqui a decepção. Excelentes e novos comentários com a ajuda do Friz a algumas partidas de Lasker, um ou outro lugar comum, aqui e ali "Chess Stars", correcções a um livro que irei citar mais à frente e se estavam à espera que Kasparov, explicasse ou penetrasse na essência do Jogo de Lasker, desencantem-se porque simplesmente não o faz. Apenas e só um punhado de partidas de Lasker (quase todas conhecidas) belissimamente comentadas e chega. Poucas páginas sobre Emnanuel e gostava de saber porquê! Fortes suspeitas que neste volume 1 (considerado o mais fraco da colecção) tirando as partidas, foi Dmitry Plisetsky, o autor de muito texto e infelizmente de alguns erros históricos incríveis denunciados por Winter ou Forster entre outros, para não falar das correcções "computadorizadas" feitas às análises de Kasparov pelo amador (?) Sorokin.
Portanto caros leitores, nada deslumbrado com o pouco Lasker de Kasparov, dos Meus Grandes Predecessores. Não foi uma desilusão, mas simplesmente o desânimo de continuar a ver o "meu" Lasker por explicar, ainda por cima, da parte de quem teria a obrigação de o fazer-Kasparov.



Uma Enciclopédia? Sim uma Enciclopédia! Para que todo o "xico-esperto" que escreve na Net sobre Xadrez não diga disparates, parvoíces e que mostre a sua ignorância mais alarve sobre a História do Xadrez! Para que um GM como Yermolinsky, levante o rabiosque e a consulte para não escrever no seu "The Road to Chess Improvement" a bestialidade de que Janowsky jogou dois matches com Lasker para o Campeonato do Mundo! É que o parolo acredita, quem sabe um bocadinho de xadrez, sabe que um GM apesar de o ser pode ser ignorante.
Depois, a Oxford é a melhor Enciclopédia de Xadrez do Mundo e tem sobre Lasker um belo resumo , curto mas sem asneiras! Esgotadíssimo este livro e quem ama o xadrez sabe porquê!


"GEMAS"



LASKER , O PENSADOR , de Boris Samoilovich VAINSHTEIN.

Um livro sensacional da célebre e excelente russa "Black Series". Kasparov, corrige aqui e ali akguns comentários ( variantes), mas Vainshtein tenta como ninguém até aí penetrar nos segredos do jogo de Lasker, fugindo das ideias feitas, dos lugares comuns, muitas vezes com uma argúcia e uma competência de análise formidável.
Admiram-se?
Vainshtein é o autor de um dos livros mais fascinantes e profundos do Século XX , uma autêntica preciosidade que passou despercebida: "DAVID BRONSTEIN : CHESS IMPROVISER". Que livro extraordinário ( a ele heio-de voltar noutro artigo) e que qualidade de escrita! Ao lê-lo percebi porque razão Bronstein, nunca tenha negado, chegando mesmo a assumir no fim da vida, que os comentários , os célebres comentários do "Zurich International Tournament 1953" eram de Vainshtein, sendo as analises da sua autoria! Aliás basta comparar a escrita dos dois livros para se perder muitas dúvidas!
Portanto, o Lasker do Vainshtein, o primeiro livro que me abriu as portas de um Lasker, até aí desconhecido. Porque razão este livro nunca teve uma tradução em Inglês, alemão ou espanhol? Mistérios insondáveis da edição xadrezistica! O lixo escaquístico vende mais! Existe sim uma versão em italiano da Prisma Editora " Lasker -Filosofia della Lotta", mas completamente esgotada.





Um Livro sobre a arte da defesa até hoje sem rival. Para já o autor Colin Crouch sem ser GM é um dos melhores autores de xadrez de há muitos anos para cá. O Seu "Hastings 1895-The Centenary Book" é um portento da recuperação de um dos maiores Torneios da História do Xadrez, o seu recente "The Great Attackers", que escreveu quase cego, é uma maravilha de livro com abordagens inovadoras e uma capacidade comunicar o motivo do livro como poucos. Este homem escreve sobre xadrez como raramente outros o fazem. Não é só a questão didáctica, é a cultura e profunda que Crouch tem do xadrez, o empenho o trabalho intenso, aliado à paixão que coloca no que escreve.
A Arte da Defesa é mais do que tudo uma análise de uma profundidade, de uma subtileza, de uma compreensão sobre Petrosian e Lasker, como raramente vi. As partidas que analisa e comenta de Lasker, a forma como tenta desvendar o pensamento defensivo do grande Emanuel, tornam este livro uma jóia.
Quando se acaba de ler e analisar o Lasker de Colin Crouch, nunca mais vemos Lasker da mesma forma, nunca mais Lasker se torma estranho. Tomamos quase uma familiaridade com o seu jogo. Um livro que para mim foi uma espécie de caixa de pandora sobre o jogo de Lasker. Na minha modesta opinião, "Obra-Prima" com certeza.




Soltis não sabe escrever maus livros de xadrez.Pelo contrário, muitas vezes o que escreve é tão brilhante que se torna intemporal e verdadeiras obras-primas da literatura xadrezistica. Basta dizer que o "Soviet Chess-1917-1991" da McFarland é um dos livros de xadrez do século XX!
O Lasker de Soltis é uma maravilha! Partidas pouco conhecidas, análise das partidas sobre efectivamente o que aconteceu no tabuleiro e não sobre "o que poderia ter acontecido se...", com análises onde são precisas e a preceito, mas sobretudo a explicação da força prática de Lasker, no seu jeito peculiar em situações difíceis em jogar para a "armadilha", o jogo deliberadamente confuso, em que a sua capacidade fenomenal de análise, de visão do tabuleiro lhe permitia o passe mágico de inverter a situação no tabuleiro. Soltis mostra essa técnica assombrosa de Lasker, a sua recusa da passividade e o dinamismo que imprimia às posições que mesmo parecendo inferiores lhe permitiam o contra-ataque inesperado, o contra-golpe adivinhado por ele, mas insuspeitado para o adversário. Lasker tinha um sentido posicional de uma profundidade ímpar, sabia ler o tabuleiro e tinha uma noção de dinâmica de luta, de prática, de sentido de "aqui e agora do que pede a posição", que o punham à frente, claramente à frente da sua época. Por isso, os seus contemporâneros tinham dificuldade em compreendê-lo, e apontavam-lhe "psicologismos" " gosto de posições quase perdidas", quando não uma espécie de bruxo do tabuleiro, ou um homem cheio de sorte.
O que Lasker era, era um jogador superlativo, um lutador, que partia para o tabuleiro cheio de ambição, de confiança em si, nos seus dotes extraordinários de concepção de jogo e visão táctica, para além de um domínio do final fabuloso. A cada situação de mudança nas 64 casas, este homem deixava esquemas mentais e adaptava-se de forma magistral às convulsões criadas, fosse através de uma espantosa capacidade de simplificação para um final, fosse através de uma grande ou "petit" combinação elegante que lhe trazia a vitória, fosse através de um férreo e lógico aproveitamento estratégico de debilidades estruturais na posição do seu adversário.
Um Campeão em toda a medida, em toda a linha!
Isto tudo, Soltis nos mostra, sem grande alarido, comentando 100 partidas de Lasker de tal forma que nos obriga a mergulhar de cabeça no segredo ( que afinal não existe!) do jogo de Lasker.
Um livro de companhia serena, segura e de alimento de paixão! Uma enormidade de livro.


LIVROS DE LASKER


Dizer o quê deste livro? Simplesmente um dos melhores de iniciação (?) ao Xadrez que já se escreveram. Tirando as linhas de abertura, tudo o resto é de um didactismo de uma capacidade de ensinança que tornam este livro imprescindível. Rio-me de no último Nacional por equipas em Gaia, na banca de livros do Lanier, o meu amigo Cadillon, quase meter este livro pelos olhos dentro de um seu amigo " o melhor livro de xadrez" que se escreveu para quem está nos inícios do xadrez. A pessoa lá comprou o Manual do Lasker!
Tenho pena, muita pena, que um treinador de miúdos iniciados no xadrez, ou mesmo aqueles que já entraram no campo competitivo, ou não conheça este livro, ou simplesmente não o aconselhe ou obrigue a ler aos seus pupilos! "malhas que o treino (?) de xadrez em Portugal vai tecendo"!


Ternura enorme por este livro, dos primeiros que li, depois do Xadrez Básico. As Conferências de Lasker, o Lasker Professor, Livro muito simples, mas bonito e didáctico. Lasker sabia ir ao essencial.



Comprado ao Lanier, no passado mês de Agosto. Tinha a versão antiga em anotação PK4, etc e a versão alemã. Esta versão é limpa e sem grande aparato, mas em notação descritiva.
É Lasker na sua forma típica de comentar partidas: minimalista, parco mas objectivo nos comentários. É um bom livro de Torneio, mas não o coloquem ao nível desses monumentos que são "Karlsbad 1907", "Teplitz Schonau 1922", "Karlsbad 1929", Zurique 53, etc.
Lasker, tal como Capablanca, nunca foi um grande comentador de partidas. A sua paixão era o jogo, a luta prática no tabuleiro. Quando essa paixão o consumia, quando extravasava para uma rotina, então Lasker partia para outros vôos, outras caminhadas de espírito, porque era um homem racional, prático, de uma cultura, de uma inteligência emocional como poucos. Lasker nunca foi vencido pelo Xadrez, venceu-o sempre, domou-o como cavalo amestrado. O Xadrez, uma parte significativa da sua vida, mas se calhar nem a mais significativa, nem aquela que lhe proporcionou as maiores alegrias interiores.
Um Campeão do Mundo único, ímpar.


Pronto caros leitores, o que tenho sobre Lasker, a minha paixão sobre Lasker.
Ah! Repito, isto são opiniões pessoais, gostos intestinos, por isso aberto a outras visões, outros gostos sobre Lasker.
É o que tenho e a mais não sou obrigado! Claro que vou aumentar a minha Laskeromania, com um bom velho-novo Lasker que apareça, porque isto de gosto por livros é como escanção de vinhos, com a diferença que não gosto de provar e deitar fora, gosto sim de os aconchegar bem ao alto na minha biblioteca.









19/04/09

FISCHER - BIBLIOFISCHERMANIA

A minha, claro.

Este artigo é para quem tem muita paciência e talvez tempo...um pouco que seja!

E continuando a escrever de Bobby Fischer... passado mais de um ano da sua morte, continuo a afirmar que as melhores homenagens que lhe foram prestadas foram aquelas realizadas por todos aqueles que apelido de “AMADORES” do xadrez, aqueles que considero a verdadeira alma do xadrez, os “piços”, os sem qualquer título. Em sites, no YouTube, em blogues, apareceram verdadeiras “jóias” sentidas, de memória, sobre Fischer, bem diferentes da conveniência, da inépcia, do cinzento articulado numa Chessbase, ou TWIC, ou ChessCafe. E apareceram, focando sobretudo aquele Fischer que interessa a um verdadeiro amante do Xadrez: o génio das 64 casas que nos deixou obras primas inegualáveis de arte xadrezística, ou seja, não misturando “alhos com bugalhos”, o Fischer neurótico, psicótico, ou outro “ótico” qualquer, com as suas partidas magistrais de um beleza apolínia e singularidade como poucas.

Brady, Frank, Bobby Fischer, Profile of a Prodigy, Dover Publications, 1989



Apesar de aqui e ali desactualizado (Ex: aspectos agora revelados sobre Regina, sua mãe), este livro, continua impávido e sereno a ser a única biografia de categoria de Fischer. Lê-se como um romance e apesar de Brady ter conhecido e admirado o fenómeno americano, consegue um distanciamento necessário para nos dar belíssimas páginas. 26 bonitas fotos a P/B, 15 páginas de “crosstables” e 90 partidas comentadas (muito ligeiramente, nem tudo pode ser perfeito), dão a este livro o lugar que ele merece actualmente: ser a única biografia respeitada pela comunidade xadrezística. Talvez daqui a uns anos, com certo distanciamento, alguém se aventure a escrever outra, mais ampla, mais documentada, mais explícita, particularmente da vida de Bobby a partir de 1972. para esta biografia. Ah! Na Amazon uk, ou alemã, este livro tem o preço de 7 libras, ou 12 EUR, embora nos alfarrabistas europeus de confiança , ou via Alibris, ou Abebooks, se possa comprar ao preço da “uva mijona” por 1.200 mil reis (4 libras). Notação descritiva. Como o Carsten Hansen , no Checkpoint : 5 “trelinhas”

Moran, Pablo , Bobby Fischer , Su Vida Y Partidas, Coleccion Escaques, nº 37 Ediciones Martinez Roca, Barcelona, 1972

Que saudades desta colecção! Que grandes livros, pedras preciosas de Koblenz, de Muller, de Romanovsky, para não falar dos Maizeles dos Pachman e por aí fora! Muitos destes livros hoje valem bom dinheiro e este de Fischer do Moran, já o encontrei em alfarrábios espanhóis entre 50 e 80 Euros! Livro simples, despretensioso, com uma b oa biografia (sintética e claramente inspirada em Brady) , tabelas classificativas, estórias sobre Fischer, e 100 partidas com comentários leves, a nível de texto e variantes. Notação descritiva (1.P4R-P4BD 2. Cf3-d6). Como estou velho! Quando o Carlos Dantas, apareceu miúdito no meu FC Porto, ofereci-lhe umas peças e imaginem o quê? Este livro. Eu lembro-me, se calhar ele não!


Edmonds, David, Eidinow, John , A Guerra de Bobby Fischer , Temas e Debates,2007

Já o conhecia da versão americana. Um livro interessante, abrangente , mas nada mais do que isso. Nada, ou muito pouco, traz de novo ao conhecimento de Fischer, ou aos meandros já conhecidos da Guerra – Fria, e das picardias do Match Fischer – Spassky. Lê-se bem, mas no fim, pelo preço, merecíamos dois em um, e o outro não aparece. Um livro que se não fosse escrito, não morreriam aves!



WADE, Robert G , O’Connell, Kevin, J, Todas as Partidas de Bobby Fischer (desde 1955 Hasta 1973), Bruguera Ajedrez, Editorial Bruguera, Barcelona,1973


É a tradução espanhola do inglês “ The Games of Bobby Fischer” da Batsford. Esta versão é uma raridade e tenho a certeza que na ebay, poderia ir claramente aos 150, 200 Euros. Não sei se tem todas, todas as partidas, mas tem quase todas e as que interessam. Tenho este livro com a capa num estado miserável e escurinho de tanto o manusear, prova provada, que fui mesmo um predestinado, a “neca” do xadrez, pois tanto reproduzi as partidas do livro! E todas! Textos de Bisguier, alguma história dos Campeonatos dos EUA, um estudo de Keres, outro de Barden, um estudo do reportório de aberturas de Fischer, Indíce de aberturas, de adversários e 770 partidas, umas comentadas estilo Informador, outras com texto, tornaram este livro o ideal para uma visão global da obra genial de F ischer no tabuleiro. Foi na altura um “must” da Batsford, mas a versão espanhola que possuo, teve uma edição limitada, como limitada foi a vida da Bruguera Ajedrez. Cartonado, notação descritiva (parece que existe uma moderna versão em notação algébrica), um belo livro. Talvez só o “ Bobby Fischer: Complete Games of the American World Chess Champion” de Lou Hays, faça concorrência a Wade e Connell. Este livro praticamente só se arranja nos alfarrabistas Web e no mínimo quem quiser a versão inglesa terá de despender cerca de 20 libras!.


Smyslov, Tahl, Yudasin, Tukma
kov, Bobby Fi scher , 3 Vol , Edicio nes Eseuve, 1992


Dentro do estilo de anotação, tipo Informator, (simbólica sem texto, mas imensas variantes), estes três livros são a melhor abordagem às partidas de Fischer, digamos, num estilo moderno. Os comentadores são de categoria, e não excluindo o uso de computador, convenhamos que nos anos 90, estes eram ainda “primitivos”, o trabalho feito foi um acto de energia , de amor ao xadrez de Fischer. Claro que nem todas as partidas têm o contributo de Smyslov, Tahl, Yudasyn e Tukmakov, entende-se e percebe-se que grande parte do trabalho foi realizado pela “classe operária” de Mestres e Mestres Internacionais como Cherepkov, Andreev, Lukin, Polovodin, entre outros, mas o s livros são magníficos. O Volume 1 e 2 ainda se conseguem com facilidade e não muito caros em sites de xadrez espanhóis, o 3º volume, o das vitórias espantosas de Fischer de 1968 a 1972, as tais do 6:0, a Taimanov, 6:0 a Larsen , e a vitória sobre Petrosian, é impossível de encontrar . Já agora outra g rande editora de xadrez espanhola que durou muito pouco, mas que enquanto viveu, deu aos leitores hispânicos livros como este, ou a trilogia de Botvinnik! Para quem gostar de livros com este estilo de notação algébrico – simbólica, uma maravilha! ”.


Levy, David N. L. , How Fischer Plays Chess, Collins, Glasg o w and L ondon,1975

Um belo livro cartonado, com uma viagem sobre a carreira de Bobby, com comentários mesclando as variantes e o texto explicativo. Capítulos com introdução ao Torneio, ou à caminhada de Fischer, pe lo próprio Levy.Um livro não muito complexo, de leitura fácil, e aqui e ali, indo r epescar comentários de Tal, Panov, Suetin, Euwe, Botvinnik, Petrosian. Algumas boas fotos, uma ou outra rara, índice de aberturas, de adv ersários. Notação descritiva. Este livro pode ser adquirido nos alfarrabistas Web,( Alibris, Abebooks) a partir de 4 Euros!


Donaldson, John, Tangborn, Eric, The Unknown Bobby Fisch er, International Chess Enterprises,Sea tlle, 1999

Um livro fascinante com fotografias raríssimas, não só de Fischer, mas também de jogadores conterrâneos de Fischer,( Kalme, Pupols, Ramirez, etc.) da sua Juventude. Algumas partidas publicadas pela primeira vez, principalmente de simultâneas. Para além de Fischer, este livro dá-nos uma ideia de ambiente do xadrez americano ds anos 50 e da revolução que Fischer nele introduziu. Para quem quer ir mais além das partidas conhecidas de Fischer, para quem é um “arqueólogo” fischeriano, um livro imprescindível, imperdível. Ah! Mostra que segundo os padrões actuais, Fischer não foi um menino prodígio, e que a suas ascensão foi bem “lenta” e penosa. Ah! Ainda mais: O Fis cher de 53 a 57, foi de estudo, estudo, estudo, trabalho, trabalho, jogos, jogos! Notação algébrica, encontra-se esgotado e nos alfarrabistas consegue-se a partir de 14 dólares, ou a partir de 11 Euros.


Mednis, Edmar, How To Beat Bobby Fischer, Bantam Chess Books, EUA, 1975




Num simples volume as 61 derrotas de Bobby Fischer, até ao Match com Spassky em 72. Curioso Livro que nunca mereceu a fúria acirrada de Fischer, Acho que até achou piada. Com introdução de Robert Byrne, aqui se encontra a única vitória do próprio Mednis, sobre Fischer no Campeonato dos EUA de 1962. Mas…não quero acreditar que o livro nascesse de uma catarse, de uma necessidade de expulsar o fantasma de Fischer na vida de Mednis ( até porque ao lo ngo do livro, este mostra um respeito e clara compreensão da força hercúlea de Bobby), porque o resultado entre eles foi como soi dizer-se “aplastante” : 7 vitórias para F ischer 1empate e uma derrota.

Entre as 61 derrotas de Fischer existem três que ainda hoje me fascinam, porque uma foi com um jogador, que salvo erro na altura nem MI era, e a outra com um “Não classificado”, digamos, um jogador de 1ª categoria eq uatoriano, e outra com um jogador que sempre apreciei e um dos mestres da arte do xadrez. Em todas as três partidas, Fischer nem jogou mal, simplesmente, foi transbordado do tabuleiro, através de conta-ataques notáveis dos seus adversário s, digamos no estilo de “ nem água bebes” : Fischer-Kovaceviv ( Rovinj Zagreb, 1970) ; Fischer – Munõz, (Ol Leipzig 1960) ; Fischer – Kholmov ( Havana, 1965). Vejam estas partidas, que não deixam de ser homenagens a Fischer!

Mas então a que conclusão chegou Mednis, sobre a forma de ganhar a Fischer? Mais ou menos do estilo irónico:

A- Não tentar surpreender Fscher com aberturas ou variantes rar
as ou duvidosas, porque, o génio conhecias todas, ou refutava implacavelm ente no tabuleiro!


B- Não crie fraquezas estruturais na posição, para procurar compensações obscuras. Fischer aí nadará como peixe na água.

C- Jogue lances simples e nunca aqueles que sente não sere m os melhores, só para complicar, porque…

D- Nunca aceite com Bobby, uma posição ligeira (i
ssima) inferior, seja no meio-jogo ou final, para tentar resistir, porque Pet rosian e Spassky também tentaram com o resultado conhecido.

E- Jogue aberturas sólidas e sadias, quer de brancas,
quer de n egras.


F- Entre uma posição estratégica bem definida, e uma táct ica complicada, evite a todo o custo a estratégica. Fischer nunca gostou muito de tácticas obscuras e complexas.

G- Se puder, crie posições loucas no tabuleiro, posições s elvagens, porque Fischer gosta da claridade, da certeza.

Em resumo, um belo livro, com texto e variantes
(não muito complexas) que aborda as possíveis fraquezas deste grande jogador. Pode-se comprar na Web por 3, 4 Euros!


Bejelica, Dimitri, Bobby Fischer, Col.Reyes del Ajedrez,Zugarto Ediciones, 1992


Tem interesse pelas “estórias” de Bobby, contadas pelo Jornalista, que privou um tempo com o genial americano. Algumas são muito pouco conhecidas, embora de validade histórica duvidosa, um pouco no estiolo do “ Ele, Fischer, disse.me...”. Outro interesse do livro, é o facto de as partidas (mal co mentadas) terem sido escolhidas por Tal.


Soltis, Andy, Bobby Fischer Rediscovered, B.T. Batsford,2003



Um grande livro! Aliás, Soltis não costuma escrever maus livros! Para mim um dos maiores autores de xadrez dos últimos anos ( hei-de explicar porquê). Não , não está tudo dito sobre o xadrez de Bobby Fischer e a forma como Soltis, comenta determinadas partidas prova-o! Aliás algumas das pa rt idas que aborda, não são propriamente das mais conhecidas , o que torna aliciante percorrê-las com os “insights” sempre a preceito deste autor que conheceu Fischer. Basta dizer que 31 partidas analisadas foram jogadas depois de Fischer-Stein, Sousse 67, que é a partida que termina as 60 Memoráveis! Notável de sensibi lidade e nostalgia é a sua introdução ao livro, bem como algunmas das introduções às partidas. Um livro fabuloso, que John Watson não duvida em classificar como o melhor escrito em lingua inglesa , sobre o xadrez de Bobby Fischer ( eu acho que é o 2º, pronto!). Um aviso: este belo livro vai ficando esgotado em determinados sites Web de venda de livros de Xadrez.

Euwe, Max, Jan Timman, Fischer World Champion, New In Chess, 2009


Nova Edição, com prefácio de Kasparov, introdução ao match de 72 de Max Euwe e sobretudo os extraordinários comentários às partidas de Reijkiavik. Nada a dizer! Simplesmente o melhor livro escrito sobre o Fischer-Spassky 1972, e um clássico da literatura xadrezista, ao nível do Zurique 53 do Bronstein-Vainstein (qualquer dia explico!), ou do livro do Tal, sobre o seu 1ºmatch com Botvinnik! Obrigatório em qualquer biblioteca de xadrez que se preze.


Voronkov, Sergey , Dmitry Plisetsky , Russians versus Fischer, Everyman Chess, 2005



Um nova edição ampliada de um clássico. Nada que não soubessemos, ou pelo menos que não suspeitassemos sobre o trabalho da máquina soviética no intuito de impedir que Fischer atingiu o apogeu do xadrez mundial. Histórias fantásticas, confidências, secretismos, todo o trabalho de uma máquina poderosa contra o xadrez de um só homem. Depois, as partidas comentadas por GM soviéticos daqueles com que Fischer competiu. Sobre os autores: Excelentes! Plisetsky, já tinha escrito em 87, juntamente com Voronkov, um livro excelente sobre Janowsky na colecção russa “Black Series” e é sem dú vida, o homem por detrás da parte histórica dos Meus Grandes Predece ssores do Kasparov-disso nunguém tenha dúvidas! Voronko v, é um autor consagradíssimo na história do xadrez, e o seu último trabalho “Shedevry i dramy chempionatov SSSR 1920-1937” - “Obras Primas e Tragédias dos Campeonatos Soviéticos 1930-1937” ( infelizmente só em russo- é o livro que tenho na mão na imagem do meu perfil ) é um livro extraordinário de amor ao xadrez, pela pesquisa, pela arte, pelo respeito pelo passado!


Agur, Elie, Bobby Fischer, Une Étude de Son Aproche des Échecs, Grasset, 1994



Versão Inglesa “Bobby Fischer: His Approach to Chess”, Cadogan. Caros amigos xadrezistas, um dos livros da minha vida! Dos mais belos e profundos da História da literatura no xadrez! Jamais alguém pesquisou tão fundo e tão bem os pensamentos, as forças e as fragilidades do jogo de Bobby. Este livro é uma obra- prima, uma imersão em oceano azul e límpido de um estilo, de uma paixão! Trabalho de três anos, de convívio, com Fischer, sem falar com Fischer. Trabalho com o silêncio de Fischer, no único diálogo que interessou a Agur, aqueles movimentos que definem o génio, o momento supremo da beleza, ou a fragilidade da indecisão, da inevitável impossibilidade do recuo, da acutilância da vitória, ou sabor amargo da derrota. O tabuleiro, o pensamento e o substrato de um estilo, de um plano, de uma jogada, de um conjunto de movimentos.
Desde a forma como Fischer preferia as estruturas de peões, como planeava o jogo, pelo seu gosto de colocar as peças, a estratégia, a procura de clarividência, o estilo rectilíneo e vigilante, o poder de Fischer reduzir as opções do adversário, tudo Agur estudo, com exemplos maravilhosos tirados das partidas do Campeão. Mas também, a vontade férrea de jogar para ganhar, a maneira como Fischer raramente desaproveitava as chances práticas que determinadas posições proporcionavam, as armadilhas que criava, ou a sua enor me perspicácia táctica, bem como a sua técnica e jogo com o par de Bispos, ou finais de Torre com Bispos de cor contrária, tudo é estudado por Agur. Os erros de Fischer, aqui e ali alguma superficialidade, ou mesmo o desaproveitar de algumas p osições claramente ganhas, ou as gafes, também não deixam de passar no crivo de Elie Agur. É um estudo fascinante metódico, quase um tratado de xadrez a nível de meio-jogo e final, quase uma nova dimensão de escrever xadrez, sobre xadrez.

Agur, nascido em 1949, em Israel, Filósofo e jogador de x
adrez de horas vagas, nem sequer era titulado quando escreveu o livro, coisa que devia ter espantado o mundo, mas não: granjeou invejas, comentários idiotas de titulados, como Silman denuncia, quando analisou pela primeira vez o livro. Foram três anos, grande parte deles em Haye, com Fischer, com partidas de Fischer, com uma reflexa filosófica, sobre a filosofia de xadrez de Fischer. O que d aqui saiu é imperdível, e biblioteca de xadrez que não tenha esta obra magnífica, será antes um “caixotim” fuck you xadrezista, lamento!

Porque preferi a versão francesa? Pura e simplesmente, porque os idiotas da Cadogan, esqueceram-se de um pormenor: o livro analisa a partir de posições, mas é fascinante ir ver as partidas, para chegar a essas posições, ou mesmo ver como terminaram. A versa francesa tem as partidas completas das posições estudadas no final do livro. Nas primeiras da Cadogan, nada. Este livro é ouro puro, que nem precisa do toque de midas do xadrezist a. Lê-lo é uma dádiva! Ah! Deixem-me só escrever um pormenor: O Hubner no seu CD sobre Fischer para a Chessbase, mostra debaixo de uma pseudo admiração por este livro, uma inveja quase psicanalítica sobre o livro de Ag ur!


...Y Ahora Bobby Fischer Campéon D el Mundo, Jaque 1972


Meus senhores, uma peça de museu, em notação descritiva. Um livro dos tais para os quais não há palavras. São 300 páginas de encantamento. Centenas de fotos, entrevistas, tabelas, e sobretudo partidas comentadas. Colaboradores? Bem, o nosso Durão , mas também Botvinnik, Glogoric, Najdorf, Smyslov, Spassky, Tal, Tukmakov, Evans, etc. Tudo sobre o esse ciclo do Campeonato do Mundo de 1972, inclusive as partidas do Match. Uma preciosidade que hoje valerá para cima de cem euros, mas sobretudo, um livro como já não se faz. Um dos tais livros para os quais era preciso ter tempo, para olhar, folhear, deixar-se encantar!


Fischer, Bobby, My 60 Memorable Games, Faber and Faber, London, 1972

Pronto! A Jóia, o sumo, eu diria “ A PALAVRA”, o ” VERBO” e no princípio era o mesmo! Um dos livros mais extraordinários de toda a literatura do xadrez. Um modelo, inigualável ainda hoje, pelo estilo, pela verdade – honestidade, e sobretudo pela paixão nele vertida, tão diferente dos livros apressados, mal feitos, enxurradas de variantes ( que ninguém reproduz), só para mostrar que se é génio, ou o que poderia ter acontecido se, e se , e se, na tal idiota procura da verdade, como se isso existisse no xadrez de competição!

Um livro claro, puro, que se lê como o mais belo romance de xadrez, que se folheia com amor, que se reproduz as partidas como se fora a primeira vez, e sobretudo com jóias de brilho e cores refulgentes. Uma maravilha de lógica, de equílibrio, de contenção de variantes e texto, quase um tratado clássico! Triliões de “trelinhas”
Peço um favor: um treinador de Xadrez que não tenha aconselhado, digo, obrigado um seu pupilo na casa dos 1700-1900 a ler este livro , “Out”, Rua, Dar volta ao bilhar grande, com ele. Um jovem jogador promissor, ou não que queira progredir, e não tenha analisado estas partidas será sempre o tal JJPQNVLN (Jovem Jogador Português Que Não Vai a Lado Nenhum)

Outro aviso: Há três versões deste livro que não devem tocar, por perigo de contágio, virose, ou estupidez aguda:


A – A versão da Batsford, porque quem adultera o que Fischer escreveu, coisa que o enlouquecia. A minha é original, inglesa e aprovada pelo génio, a outra é a da Simon and Schuster! Burgess, Nunn, grandes autores, aqui borraram tudo e W.
Winter Mostra isso no célebre artigo (entre outros) “Fischer’s Fury” .

B- Uma versão que possuo, a célebre versão Russa das 60 , que para Fischer, não foram memoráveis , mas miseráveis. Um roubo, um escândalo à soviética, sem direitos de autor, sem nada! Que tributo de amor e ódio a Fischer desta gente! ( Bem, também roubaram o livro de Larsen!) . Engraçada a Fotografia da 1ª página deste livro russo é maravilhoso e único e metafóric
o: Fischer um bocado esgrouviado lança para a direita um olhar furibundo, quase a dizer “ Caros senhores Soviéticos, que é esta Mer…??!”. Vá lá surripiarem a versão original da Simon and Schuster de 1969.

C- O Fischer do Hübner, da Chessbase, ( CD ROM) que é um escarro na parte do Húbner! Claramente Fischer não é campeão de eleição para Hübner...mas quem será? O homem num acto de verdadeiro onanismo invejoso, faz das 60 memoráveis do Fischer, as 60 memoráveis do Hübner! Claro com computadores até dizer chega! Depois enumera dezenas de defeitos no Jogo de Fischer, depois de um estudo aturado do seu jogo. Não só faz isto, como ainda se agorra o direito de tentar desprestigiar o livro de Agur, “pegando” na profissão de filósofo do autor. Hübner é uma figura
interessantíssima do xadrez, para uns paranóico e megalómano, até dizer basta, para outros um homem de grande nível cultural, que estando no xadrez é personagem exterior ao xadrez e por isso comm perspectivas diferentes de quem dele exclusivamente vive. Não sei. Sei apenas que a sua procura sistemática da verdade numa partida de xadrez , principalmente quando se colocam computadores a procurar essa verdade, me irrita profundamente, principalmente, porque a dita verdade nunca é alcançada por ninguém no seu perfeito juízo, já que ninguém terá paciência para ler aquele emaranhado de páginas e páginas de variantes! Aquilo não é xadrez, é: Aquilo que poderia ter acontecido se...; aquilo que não aconteceu porque,...mas poderia; o que virá a acontecer se se jogar variante A, B, ou C; o que nunca aconteceu, porque o jogador não jogou aquilo, etc, etc.! Ainda agora li um extracto em alemão sobre o recente livro de Robert Hübner sobre o Match Steinitz-Lasker “Der Weltmeisterschaftskampf Lasker - Steinitz 1894” e o que eu temia, aquilo é assustador!
Temos SteinitzHübner de um lado e HübnerLasker do outro. E pensar que Robert Hübner está na equipa redactorial do futuro livro da Sociedade Lasker com 900 páginas sobre o meu ídolo, dá-me arrepios.












O tal ...surripiado!


Kasparov, My Great Predecessors, Vol IV, Everyman Chess


Claro que escrever sobre o Fischer do Kasparov dos My Great Predecessors, dava outro artigo enorme. Grande livro sem dúvida, conclusões duvidosas. Não me perguntem porquê, mas o a "ferida narcísica" de Kasparov, falou mais alto do que o grande campeão e profundo conhecedor do xadrez e da sua história. Aqui e ali, se pegarem numa "lupa" notam quase esse desejo de "matar" não o pai, mas um pouco a lenda para o refulgir da sua.
Já agora... nesta série, sem dúvida o 1º volume não é o mais famoso e, principalmente o escrito sobre Lasker, não me apaixonaram por aí além, enquanto o 2º e 3º, são livros verdadeiramente extraordinários: Hinos à História do Xadrez.
O De Fischer é maravilhoso: não entendo, ninguém entende o "amor" de Kasparov a Reshevsky ( tantas páginas?), com análises e comentários soberbos, todavia sobre o papel de Fischer na História do Xadrez, Kasparov, patina, ou pelo menos é pouco consistente na análise do jogo de Bobby. Opiniões,que se há-de fazer!

Acrescento: Para o Meu Amigo Alexandre Monteiro, depois do seu comentário e, com um pedido de desculpas pelo esquecimento,aí vai o Fischer-Spassky do Mequinho!






E pronto...ainda falta falar referir um pequeno livro sobre o match Fischer-Spassky, mas esse para relembrar uma figura do xadrez português que muito aprecio. Ficará para outro artigo.